Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Natal profano do Velho Faceta, papai!

 

 

Natal aqui no blog é profano. Como sempre foram as boas festas natalinas do genial Velho Faceta, artista fora do eixo do sol de Pernambuco.

“Papai eu quero me casar!/ô minha filha, você diga com quem!...”

Lembram dessa loa cantada por Didi Mocó e Zacarias, ainda nos finalmente dos anos 80?

Tudo obra-prima do Velho Faceta, com ligeiras e geniais adaptações d´Os Trapalhões.

Só Didi Mocó mesmo pra juntar uma letra de pastoril com “O último tango em Paris”.

“Com Marlon Brando você não casa bem... O Marlon Brando manteigou a Maria Schneider... e depois vai manteigar você também”.

Como vemos no vídeo clássico acima.

Conforme a mocinha ingênua ia enumerando os ofícios dos seus pretendentes, o ciumento papai a fazia esmorecer da ideia sinistra, sempre lembrando os perigos que representavam aqueles modestos profissionais.

Tem o motorista que aperta muito a buzina, o vaqueiro que tira leite da vaca, o economista (ofício em alta na época da hiperinflação) que mexe muito com a poupança, o Ney Matogrosso que vira homem-lobisomem e quando é homem não faz medo pra ninguém...

Resgatada nos verões do Recife, a canção dos Trapalhões nos sugere uma atualização dos perigos das profissões que até existiam no tempo áureo de Didi Mocó, mas não tinham lá tanta importância assim.

O DJ,  por exemplo:

Ô  minha filha, você não casa bem, o DJ vai fazer scratch nas picapes... e depois vai escrotizar você também.

Papai eu quero me casar...

Eu quero me casar é com um hacker, mas com um hacker você não casa bem.

Por que, papai?

O hacker vai fuçar a página do Pentágono... e depois escarafuncha você também!

Papai eu quero me casar... 

Eu quero me casar é com um blogueiro! Ó minha filha, você não casa bem, o blogueiro vai postar a noite inteira... e não nada pra postar em você também.

E com um jovem cineasta, papai?

O cineasta vai tentar fazer um longa, mas vai sobrar é um curta-metragem pro meu bem.

Papai eu quero me casar... Eu quero me casar com um estilista, com um estilista você não casa bem...

Por que papai?

O estilista só costura é pra fora... e vai esquecer de coser você também!

E com um chefe de cozinha, papai? O chefe de cozinha vai cozinhar o seu molhinho fresco... e vai sobrar pro nouvelle-cuisine também!

Buenas festas a todos os leitores. Coma sem culpa, Lola, coma. Acredite: homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite.

Voltamos na segunda-feira.

Escrito por Xico Sá às 13h05

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O amor e o fogo que arde na mansão e na favela

Por amor se mata, por amor se toma formicida, por amor se humilha, por amor se rasteja feito o mais humilde dos répteis.

Por amor se constrói um barraco, por amor se toca fogo nele, o amor continua altamente inflamável em pleno crepúsculo de 2011.

Por amor, a nobreza bota abaixo um castelo na Inglaterra; por amor a classe média destelha um sobrado; por amor a plebe rude toca fogo no mocambo.

Como parece ter ocorrido agora na favela do Moinho, ali na área central paulistana.

Nada detém um coração selvagem em chamas.

É quando se chega ao grau 9 da loucura amorosa. Lembro que este foi o álibi usado pela defesa da jovem Suzane Louise Von Richthofen, aquela que ajudou a matar os pais por amor doentio ao namorado. Ano de 2002.

As peixeiras e os canos fumegantes do amor sem juízo.

Por amor a mais civilizada das criaturas suja as mãos no sangue da barbárie.

Quando chegamos ao grau 9?

À época do crime dos Richthofen, escrevi para a Revista da Folha uma breve advertência sobre a periculosidade amorosa:

O nosso medo diante de um possível chifre, por exemplo, nos faz virar Coriscos, cegos belzebus, passionais MC´s sem rumo. Aí o termômetro bate 9 fácil.

O amor é assim mesmo, depois nos acostumamos, e vemos como ser trocado por outro nos torna mais humanos, perdemos aquela empáfia de machos invictos e escrotos.

Chegar à casa dos 9 é... ser traído por um amigo. Mas vem cá, meu camarada, você queria que a moça fosse dar para inimigos? Veja o lado bom das coisas. Relaxa, acontece, abafa o caso e pega de volta essa bela cria da tua costela.

Chegar ao grau 9 é... ouvir as piores notícias daqueles lindos lábios, né velho Marçal Aquino? Como por exemplo: a emoção acabou, nosso romance esfriou... Você merece alguém melhor... Estou confusa, bla, bla, bla, conta outra.

Chegar ao grau 9 é... ouvir ali, na lata, que o outro é o rei do tantra, que é o outro domina todos os bambuais do kama-sutra, que o cara é o sexo mais selvagem desta babilônia, a transa mais homérica, o monstro sagrado da alcova.

Homem não suporta ouvir esse tipo de prosa. Fere de jeito o tal orgulho macho, a fúria domina... Ah, quanta bobeira, sossega, traz um calmante, um copo d´água com açúcar para o cidadão, uma garapa, uma vodka pura, uma salineira de responsa.

Chegar ao grau 9 é... beber todas (quando a vida dói, drinque caubói!), chorar no ombro do garçom todas as mágoas, nadar no seco, ver a lua na sarjeta, e bater à porta dela de madruga.

Bater, bater e não ter resposta, ouvir apenas os gritos e susurros do outro lado. Ai é 9.9 na escala, uma fração de segundo para uma besteira, para um daqueles crimes que só o Troncoso Peres, o Shakespeare dos grandes casos do gênero, nos livraria do inferno.

Calma, garoto, acontece. Homem que é homem chega ao grau 9 e não comete violências. A receita é simples para abaixar a febre: tome um grande porre, ao som de Leonardo Cohen, Chico e Roberto, e risque o nome dela do seu caderno.

Escrito por Xico Sá às 13h41

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Qual maior bandido vivo do Brasil em 2011?

 

 

Qual é o maior “bandido” vivo no Brasil? O concurso lançado na semana inaugural do blog, em março deste quase finado 2011, está de volta.

Um pleito que começou no bravo “O Homem do Povo” ainda em 1931, jornal comandado por Oswald de Andrade & Pagú (aí acima na foto de casamento), padrinhos espirituais deste cronista.

Na abertura do blog, os 10 mais votados foram: 1)Sarney;  2) Maluf;  3) Ricardo Teixeira; 4)Serra;  5) Lula; 6) Daniel Dantas; 7) Zé Dirceu; 8) Edir Macedo; 9) Collor; 10) FHC.

Ainda foram votados Kassab, Fernando Beira-Mar etc. Veja a lista completa aqui.

Considerando que há sempre uma alternância dos honoráveis figurões que podem compor tão ilustre galeria, é preciso repetir sempre tal eleição.

O que você acha, amigo(a), quem fecha o ano na lista dos maiores bandidos vivos, como queriam Oswald e Pagu?

O curioso é que o próprio Oswald, à época do seu concurso, bateu em votos um já decadente Lampião, cujo reinado desmoronava. Os primeiros colocados, porém, ficaram nas mãos molhadas dos políticos, óbvio.

Sem mais trololós...  opine, faça a troça, sente a pua, desça a lenha, satirize, malhe, diga o sermão do bom ladrão à Vieira, vote.

Escrito por Xico Sá às 12h51

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As listas de boas intenções para o ano novo

 

 

Chega de balanços retrospectivas. Vai simbora 2011 maledito. “Acabou, acabou”, grito da beira do gramado para o homem de preto como um Muricy diante do massacre do Barcelona.

A vida nos põe numa roda de bobinho mesmo. Depois a gente dá o troco.

Então sigo aqui vasculhando minhas gavetas, para jogar fora sentimentos e ressentimentos tolos, como pede o clássico romântico da cantora Vanusa.

E repare no que encontro no lixão afetivo caseiro: uma lista de resoluções de ano novo. Ainda para o ano de 2.000.

Assim se passaram 11 anos, meus caros amigos.

Fiquei na dúvida. Leio ou não a velha listagem, a minha carta de intenções rabiscada em dezembro de 1.999?

Ah, chega de frescuras e superstições. Eis um homem ou apenas um rascunho feito por Darwin na areia da praia deserta?

Tento encorajar-me.

Abro ou não abro o relatório?

Chega de pantins e lundus. Pego com gesto solene, como esses atores que fazem o seu primeiro Shakespeare, e leio em voz alta, para ouvir o eco em todo o barraco.

Sim, tirar a bunda da cadeira e fazer alguma atividade física estava logo entre os primeiros mandamentos.

Organizar melhor as despesas, finanças etc.

Fazer um plano de previdência ou alguma caixinha do gênero para uma velhice menos rabugenta.

Haja boas intenções na caderneta, afinal de contas, como a gente diz nas redações de jornais, papel aceita tudo.

Acabo a lista às gargalhadas. Assim se passaram onze anos e esta criatura sem rumo não havia cumprido sequer um item de tal relação particularíssima.

Simplesmente havia vivido, basta.

Claro que com um certo exagero nos ditos prazeres mundanos e esticadas boemias.

Devoção exagerada no amor pelas mulheres? Que pecado há neste ato de fé e generosidade?

Sem esquecer o velho mantra, que ouvi pela primeira vez de um personagem do filme “A Felicidade não se compra”, de 1946, dirigido por Frank Capra: “Da vida nada se leva a não ser o amor dos amigos”.

O senhor que diz tal pérola de sabedoria está na pior, na miséria, um urubu, caro Augusto, havia pousado no seu ombro e na sua sorte. O seu olho, no entanto, brilha, como nunca, quando recebe a visita de seus camaradas na cela de uma cadeia.

É, não segui a minha lista. Nunca. Que falta me fez? Nenhuma. Chega de ser escravo de nossas próprias cartas de intenções malucas.

Escrito por Xico Sá às 14h16

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A hora e a vez do crítico de decoração natalina

E a neve encobre os tristes trópicos.

Neva no meu Cariri, para onde eu sigo agora, e neva principalmente na Paulista.

Neva muitíssimo em Gravatá, Pernambuco, mas graças a Deus os telhado das casas da cidade são feitos à imagem e semelhança da Suíça.

Neva até em Solidão, mais adiante, me avisa a prima Matilde direto do seu grande-sertão-lanhouse.

Neva muito em Nova Iorque, Maranhão, na beira do Parnaíba. 

Neva nos grotões, neva nas metrópoles.

Neva e eu tenho uma pergunta: tem coisa mais feia no mundo do que esta árvore de Natal do Ibirapuera?

Parece uma pirâmide de grama, minha Cleópatra querida, parece qualquer coisa menos a familiar árvore natalina.

Mas deixa quieto. Tem quem goste. Vede a multidão na avenida Paulista para ver a decoração festiva.

E não é só na Paulista. Sábado à noite, debaixo de chuva, a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, mais parecia a Central do Brasil. Apinhada de gente para ver a árvore flutuante.

Pior. Dias antes um casal se afogou, em uma manobra radical em um pedalinho clandestino, só para ver a mesma dita cuja de pertinho.

No que o tabloide “Meia-Hora”, dono das melhores manchetes do país, sapecou: “Afogaram o ganso na Lagoa”. Não, os pombinhos não morreram.

Mas o pior, amigos, não é a massa de fanáticos por árvores públicas, o que demanda cada vez mais investimentos oficiais nos enfeites.

O engraçado mesmo são os críticos profissionais de decoração natalina. Nego observa, compara, avalia, estuda, opina. Uma arte.

Já repararam?

Os taxistas são os melhores. Uma amiga pegou um desses críticos do volante que fez uma análise completa.

O shopping Higienópolis exagerou nas luzinhas, mas está muito bonito. O Conjunto Nacional foi na linha ecológica, a partir de garrafas pets. Muito válido. A Paulista está um espetáculo etc etc etc.

O cara faz a maior resenha.

Meu porteiro desceu o malho. A maior decepção este ano foi a decoração dos Jardins. O cara manja.

A essa altura do ano, com o recesso futebolístico, até o mais empedernido dos machos-jurubebas deixa de ser técnico de futebol e vira crítico de árvore natalina.

Ô época chata da moléstia dos cachorros, como se diz na minha santa terra.

Escrito por Xico Sá às 17h08

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Um salve para mais um grande que se vai

Soube tardiamente da morte do João Bittar (*1951+2011), ocorrida anteontem em SP. Grande companheiro de reportagens. 

Um minuto de silêncio.

Gracias, João, pelo que ensinaste a esse eterno foca.

Jovens, mirem-se no exemplo do João, que dizia o seguinte, se liguem: 

"É impossível fazer fotojornalismo sem caráter".

Eis a grande lente!

Certamente estarás bem na foto divina. Como o Cartola, que tanto fotografaste. 

No retrato aí acima um flagrante de tua autoria com o homem que achava, sabiamente, que o mundo era um moinho.

Gracias por tudo, João!

Escrito por Xico Sá às 03h34

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Mais estranho que a ficção - V

E voltamos, em edição natalina e extraordinária, com esta secção sobre ocorrências mais ou menos surreias. O título é retirado de um livro de crônicas do ficcionista Chuck Palahniuk (ai na ilustração), autor de “Clube da Luta” etc.

# O livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr., chegou à grande mídia –no meu tempo de comuna chamávamos de imprensa burguesa!!- pela porta dos fundos: a lista dos mais vendidos.

# A patifaria uspiana continua. O reitor Grandino Rodas expulsou seis alunos do campus. Crime dos rapazes: participaram da ocupação do prédio da Coordenação de Assistência Social (Coseas) em março de 2010. O protesto, mais do que legítimo, foi em defesa do aumento de vagas no Crusp, a residência universitária.

Por estas e por outras é que só agora entendo o significado daquela velha placa "Cuidado Escola".

# Foi preciso um massacre da serra elétrica do Barcelona sobre o Santos para o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, reconhecer que é hora de repensar o decadente futebol brasuca. Como se diz na prosódia carioca, demorô!

# Virgulino Ferreira, símbolo do cabra macho por excelência, é apontado como gay no livro “Lampião, O Mata Sete”,  do juiz aposentado Pedro de Morais. A pedido da família do rei do cangaço, em Aracaju,  a edição foi proibida de circular.

# Todo trabalho escravo será perdoado. O Ministério Público do Trabalho de SP desistiu de castigar a Zara com a prometida multa de R$ 20 milhões.  A rede fashion mantinha trabalhadores em regime semelhante ao da velha e imperdoável escravidão.

Agora é a sua vez, amigo, de colaborar com novos casos “mais estranhos que a ficção”. Boa semaninha do peru a todos.

Escrito por Xico Sá às 20h10

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Manifesto aos descrentes no amor e na sorte

Domingo é dia de conselho de Miss ou Madame Corações Solitários no blog. Foram tantas cartas de iluões perdidas nesta semana, que a cigana sente-se obrigada a renovar aqui o seu velho grito de alerta aos descrentes: 

 Triste de quem fica desiludido(a) e evita outro amor de novo, cai no conto, blasfema, diz “tô fora”, já era, tira onda, ri de quem ama, pragueja e nunca mais se encontra dentro das próprias vestes.

Como se o amor fosse uma bodega de lucros, fiado só amanhã, um comércio, como se dele fosse possível sair vivo, como nunca tivesse ouvido aquela parada de Camões, a do fogo que arde e não se sente, a da ferida, aquela, o Renato Russo musicou e tudo, lembra?

Triste de quem nem sabe se vingar do baque, sequer cantarola, no banheiro ou no botequim, “só vingança, vingança, vingança!”, o clássico de Lupícinio Rodrigues, o inventor da dor-de-cotovelo, a esquina dos ossos úmero com os ossos ulna (antigo cúbito) e rádio, claro, lição da anatomia e da espera no balcão da existência.

Tudo bem não querer repetir, com a mesma maldita pessoa, os mesmos erros, discussões, barracos  e infernos avulsos e particularíssimos. Falar nisso, nunca mais ouvi o velho e bom “eles renovaram o namoro”. Coisa linda, linda, linda, o mais comum era dizer apenas “eles renovaram”. Prestaram atenção na força das palavras?

É isso. Triste de quem encerra o afeto de vez, como se aquela mulher e/ou aquele homem “x” fossem fumar o king size, duvidoso e sem filtro, lá fora, e representassem o último dos humanos.

Chega do clichê e do chavão de que todos os homens ou mulheres são iguais.

São, mas não são, senhoras e senhores. Cada vez que uma folha se mexe no universo a vida é diferente.

Todos os machos e todas as fêmeas são novidades. Podem até ser piores, uns mais do que os outros, porém dependem de vários fatores. Não adianta chamar o garçom do amor e passa a régua para sempre por causa de apenas um(a) sujeito(a) –como se representassem a parte pelo todo da panelinha do mundo.

O que não vale mesmo é eliminar o amor como proposta mínima na plataforma política de estar vivo.

Já pensou quantos amores possíveis, como diria o Calvino, você estaria dispensando por essa causa errada?

E quem disse que amor é para dar certo?

Amor é uma viagem. De ácido.

Amar é... dar ou levar pé-na-bunda.

Depois, como se diz, a fila anda, mesmo que mais demorada que a do velho INPS ou do que a dos ingressos para a final do campeonato.

E tem mais: a única vacina para um amor perdido é um novo amor achado. Vai nessa, aconselho! Só cura mesmo com outro.

Sim, o amor acaba, se não entenderam ainda... corram a ler o gênio mineiro Paulo Mendes Campos: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Vamos esquecer a ilusão católica do "até que a morte separe" os pombinhos. Vamos viver lindamente o amor e o seu calendário próprio. Muitas vezes não temos o amor da vida, mas temos um belo amor da quinzena, que de tão intenso e quente logo derrete.

Foi bonito, mesmo líquido.

Vale tudo, só não vale o fastio e a descrença.

Escrito por Xico Sá às 16h22

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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