Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Eu receberia as piores notícias dos lábios da Poeta

 

Como diz o amigo Marçal Aquino, "eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios", Patrícia.

Parabéns pela primeira semana na bancada do “JN”. Foi lindo.

O Brasil e o mundo ficaram bem mais suaves. Ufa!

Não que a Fátima Bernardes fizesse o tipo apocalíptica. Longe disso. Suas retinas, porém, andavam fatigadas da suposta realidade do telepromter. Cansa.

Havia também uma certa ironia no semblante de Fátima. Na tv até o botox fala –não que você careça de tais retoques, que fique explícito.

No “JN” até calada és uma Poeta, Patrícia.

Uma bela bilaquiana, ora direis, ouvir estrelas.

Até a crise grega tu noticias sem o peso da tragédia.

Em vez da tímida ironia da Fátima, tu tens um acento fofo na prosódia. Um jeito de que não queria mesmo que as desgraças ocorressem. Eu acredito.

Teu estilo “Pollyana, moça” me encanta.

Meu jantar nunca foi tão ameno. As crianças jamais precisarão sair da sala.

Meu pai, que responde ao “boa noite” desde os primeiros tempos do Cid Moreira, agora diz “boa noite, colosso”.

Tu tratas da pacificação do Rio de Janeiro, Poeta, e a gente vislumbra uma bíblica paz na terra aos homens de boa vontade.

Tu sofres, eu sei, com a corrupção política e policial, como vi na edição de ontem.

Não sofras, o Marçal Aquino me sopra aqui de novo,  eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios.

Falar em bom escriba, lembro que o nosso cronista-mor, o Veríssimo,  já se derretia por ti desde a tua fase moça do tempo:

“Atrás dela, ventos rugiam, frentes frias e zonas de pressão alta se entrechocavam, quem ligava? Toda atenção estava nela, nos seus cabelos escorridos, na sua boca dizendo o que mesmo? Que o mundo ia se acabar no dia seguinte? Não interessava. Interessava ela e a sua morenice.”

Reparo agora no seu perfil enquanto o Bonner toca a boiada. Que nariz.

Boa sorte, boa noite, colosso!

Escrito por Xico Sá às 21h04

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ronaldo X Romário -a vida depois do jogo

Amigo torcedor, amigo secador, são dois matadores, dois campeões, dois ídolos, dois finais de carreira, dois destinos diferentes no faroeste do futebol caboclo.

Ronaldo, em alta velocidade, como nas melhores temporadas, seguiu em busca do ouro, em duas frentes. Nos negócios da firma de marketing e no comitê da Copa-14. Nessa última atividade, faz o pivô e o escudo para o aliado Ricardo Teixeira.

Sua excelência Romário de Souza Faria (PSB-RJ) converteu seus mil gols em 146 mil votos e chegou à Câmara dos Deputados. Parece bem à vontade de paletó e gravata, quase como se estivesse na pequena área. O baixinho se vinga com seus precisos cutucões políticos no mandatário da CBF.

Não há santo neste duelo de gigantes do esporte, mas, se há dúvida sobre quem foi melhor em campo, Romário começa a ganhar o jogo fora dele. Há inteligência na segunda vida de um boleiro.

Com moral diante da torcida, o ex-atacante do Vasco usa bem o mandato popular e ataca abertamente o dono da bola, tanto na tribuna como nas entrevistas. Na conversa com o repórter Fernando Rodrigues, aqui da Folha e do UOL, mostrou habilidade política.

Romário apoia a intervenção federal no comando da entidade. "A partir do momento que se comprove, legalmente, que existem coisas que estão totalmente fora da nossa legislação, eu tiraria o presidente da CBF", disse.

Tudo bem, não é assim um prezado amigo Afonsinho, o grande craque do Botafogo e da dignidade, igualmente médico como o Tostão e o doutor Sócrates, para ficarmos no fino do pensamento filosófico brasileiro. Dentro ou fora de campo.

Tem sido, porém, o craque possível, talvez o primeiro caso de ex-atleta com mandato que incomoda o dono perpétuo da bola.

Aí o amigo, cansado das coisas da política, cético no último, me diz: "Ah, é só interesse em se eleger mais adiante, talvez a prefeito do Rio".

Pode ser, meu caro, afinal de contas tudo é vaidade, como está escrito no Eclesiastes e na placa do boteco aqui da esquina. Não vejo nada ilegítimo, porém, em fazer um bom mandato e conquistar eleitores.

Ronaldo, até mesmo no caso Neymar, seu cliente, só pensou no óbvio e no privado: mandar o moleque voando para a Europa. Não pensou no significado público de mantê-lo até a Copa. 

Vaidade, vaidade e grana, não temos nada contra a moral bíblica, mas não custa nada pensar um totozinho na ideia de país.

Escrito por Xico Sá às 10h27

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Comer, beber, transar

Homem pensa em sexo 19 vezes por dia.

Esse mesmo nobre pensamento ataca a mente feminina apenas em dez oportunidades em 24 horas.

Será que levaram em conta as ninfomaníacas aqui do meu prédio?

Curto deveras essas pesquisas malucas que conferem uma aura científica à safadeza humana.

Repare aqui na última novidade: estudo da Universidade Estadual de Ohio (EUA) afirmou que os homens pensam mais em sexo do que em se alimentar.

Pensam mais em sexo, amigos, do que propriamente nas mulheres.

Desculpa ai, mas discordo. Medito mais sobre o processo do desejo, miro a fêmea vagarosamente.  

Ah, agora vejo aqui a faixa etária dos machos pesquisados. Apenas entre 18 e 25 anos. Estou fora, só pudera, está explicado a tamanha pressa e voracidade sexual da juventude.

Os marmanjos pensam 18 vezes em se alimentar; esse mesmo pensamento atinge as mulheres 15 vezes diariamente.

Curto demais essa psicologia barata.

E você, amigo(a), quantas vezes já pensou em sexo hoje? Ou só comeu feito um esmeril da França?

Escrito por Xico Sá às 17h18

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Breve manual da arte da boa conversa - parte I

 

 

Totalmente baseado no “Chá das Cinco com Aristóteles” , livrinho incrível que achei milagrosamente em um sebo do Rio, deixo aí algumas singelas dicas sobre a arte da conversa em mesa de bar, restaurantes e cozinhas caseiras e outras rodas sociais.

A arte da boa conversa, convenhamos, está cada vez mais em baixa. Em campanha permanente por mais oralidade de corpo presente.

“A este falta café”. Assim os espanhóis do tempo de Mariano José de Larra, o maior cronista de costumes do século XIX, reclamavam dos ruins de papo, atribuindo a culpa à ausência do hábito de frequentar bares e cafés de Madrid.

É realmente no vinho ou na cerveja, entre os amigos ou adversários cordiais, que adquirimos tal arte. Ao nosso breve manual:

1) Um ligeiro gaguejar pode até oferecer um entusiasmo peculiar à conversa, ampliando o suspense nas suas boas palavras.

2) Nada pode ser mais irritante do que um interlocutor que diz o tempo todo: “Exatamente!, exatamente!!”

3) Nunca diga “não tenho nada contra isso, mas...” Adversativa imperdoável.

4) Nunca diga “no meu tempo...”

5) Nunca termine uma sentença com um inescrupuloso “você não acha?”

6) Evite o samba-exaltação na linha “encantador, encantador!”. Murmúrio de pseudo-artista.

7) Nunca seja escrupulosamente sincero ao ponto de questionar cada fato e corrigir qualquer impropriedade.

8) O mentiroso de qualquer espécie sabe que a recreação, e não a instrução, é a alma da conversa e acaba sendo muito mais civilizado do que o cabeça-dura que fica alardeando sua desconfiança em relação a uma história que é contada apenas para entreter a platéia.

9) Nelson Rodrigues e outras usinas de boas frases. Citações ad infinitum, evitemos, pois. Prefira o naturalismo-realista e conte histórias ou situações do seu próprio cunhado safado, da sobrinha tentadora, da vizinha do 204 etc.

10) Não conte filmes.

11) Muito menos sonhos. Interpretá-los em público, nem pensar, meu caro.

12) Não demonstre o seu cabacismo tecnológico, de modo a exaltar qualquer nova geringonça ou novidadismo do gênero.

13) Prefira a superfície bem fundamentada ao obscurantismo das teses ditas profundas -nota de rodapé em mesa de botequim é um desperdício.

14) Em caso de desconhecidos na mesa, não faça a maldita pergunta "o que você faz" logo nos primeiros goles.

15) Nunca se exalte demais diante de uma mulher bonita e gostosa ao ponto de querer discutir Machado de Assis, Osman Lins, Murilo Rubião, Faulkner ou Hemingway com ela nos primeiros cinco minutos de conversa.

Deixe agora as suas dicas. Pois voltaremos muito breve ao tema.

Escrito por Xico Sá às 16h23

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Da série "malditas perguntas de fim de ano"

 

Uma maldita pergunta toma conta dos ares: onde  vão passar o Réveillon?

Você ali no maior barraco de fim de feira amorosa com a gazela, numa D.R. (a mitológica discussão de relação) dos diabos, e lá vem uma gaiata, dentes de porcelana à mostra, e manda, na lata:

-E ai, onde os pombinhos vão passar o fim de ano?

Antes que você diga que está em dúvida, o que é normalíssimo, a serelepe, mais falsa do que alegria de celebridade em micareta, conta do pacote completo que comprou para Buenos Aires etc.

Você nem sabe se estará mais junto da sua pequena até a última folhinha do ano e a vadia, toda patriçosa, toda planejada, a contar as vantagens do seu destino, do hotel, da cascata de fogos, do jantar romântico incluído e todas outras babaquices que nos deixam sem paciência –principalmente durante uma crise no casamento.

Claro que é perversão pura da vagaba. Sabe como ninguém que os pombinhos, como ela cinicamente os trata, já não arrulham na mesma sintonia, já não comem o mesmo Pê-Efe com aquela alegria de quem jantavam no DOM ou no Fasano.

Dá vontade de ser bem grosso, bruto como o amigo Lunga de Juazeiro, porém, haja porém, você, macho sensível, moderno e civilizado, mantém a calma.

Já não bastam as suas discussões internas sobre o assunto, que sempre rendem quiprocós e arranca-rabos, e ainda vem essa desalmada riscar o fósforo da intriga no paiol dos outros?!

Você ali, amigo, ainda lembrando da final do campeonato... você ali ainda pagando as promessas por ter ficado na primeira divisão ou na zona da Sul-Americana etc.

A pressão a essa altura é das maiores, amigo.

Até mesmo para os solitários. Lembro de um ano que resolvi, relaxadamente, ficar em São Paulo, na buena, andava meio zen, nada de enfrentar o caos de aeroportos e rodagens.

A cidade foi esvaziando, o prédio idem, ai o Everaldo, nobre porteiro fã do Metallica, me olhou com aquela cara de piedade, como quem diz  “coitado do tiozinho, deve tá duro, sem grana, não pode ir nem ali na Baixada, na Praia Grande”.

Aquele olhar implacável me fez correr direto para a rodoviária, peguei um ônibus para o Rio e passei a meia-noite em um táxi, entalado no túnel Rebouças, mas ouvindo o foguetório de Copabacana.  Que maravilha, que beleza de virada!

Escrito por Xico Sá às 11h16

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uma receita grega para aliviar a barra

Tem o otimismo bobo, tipo autoajuda, e tem o otimismo necessário, quando tentamos narrar a vida de forma mais leve. Um jeito de suportar as dores da existência.

Daí que entra a Síndrome de Ilia.

Ilia é um encanto de moça, musa do mar Mediterrâneo, linda grega que não apreciava as tragédias.

Preferia sempre um outro final para tais histórias.

Daí contava o mais triste das desgraças caseiras, como Édipo-Rei, por exemplo, sempre com epílogo de felicidade.

Ninguém matava ninguém, muito menos filho e pai, a mãe só entrava no meio e, no “the end”,  todos espocavam champanhe no litoral.

Conheci Ilia em “Nunca aos domingos”, filme de 1960 (vídeo acima) dirigido por um bravo Jules Dassin, homem perseguido nos EUA por causa das suas ideias generosamente comunistas.

Ilia é uma bela e caridosa prostituta.

Quando gosta mesmo de um cara, não cobra nada. Em um bar na beira do cais, brinca de transformar o trágico em leveza.

Os marinheiros e demais convivas riem abestalhados com tamanha graça da fofa.

Ela ama a vida, desde que nunca ouça o que chama a “voz de domingo”, a conversa fiada do homem apaixonado que lhe pede em casamento.

Ela quer apenas se divertir. E pronto.

Mas eis que chega Homero, um norte-americano abestalhadíssimo que vai para a Grécia estudar as razões da derrocada do macho helênico.

A pretensão é entender porque um povo tão sábio, cujos professores foram Sócrates e Aristóteles, entre outros bambas da filosofia e da arte, está entregue à farra, à esbórnia e à banalidade.

Ele tenta, de todas as maneiras, tirar Ilia daquela vida.

Só o conhecimento salva, pensava o besta. A loira (a atriz Melina Mercouri) até que cai um pouco no conto do mala. Pequeno drama.

Mas o lindo é que continua convicta na sua forma de traduzir as tragédias em leveza. O final, para a galega, terá sempre que ser feliz e litorâneo.

“E todos foram para a beira-mar”, assim ela conclui todas as histórias.

Ilia admite as dores do mundo, as inevitáveis nódoas da rotina, mas não deixa que a tragédia vingue com toda a sua ira possível.

Que acabe logo este traiçoeiro 2011 e que Ilia ilumine os nossos passos. Ou você, amigo(a), apreciou o ano que ainda lentamente se arrasta?

Escrito por Xico Sá às 12h43

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Doutor Sócrates não morreu, nem morrerá, deu só um calcanharzinho de adeus

 

TE AMO PRA SEMPRE, DOUTOR.

TU FICAVAS PUTO QUANDO EU CHORAVA UM POUQUNHO NAS NOSSAS COMOÇÕES DIVIDIDAS. 

TU FICAVAS PUTO MAS TAMBÉM LACRIMEJAVAS UM TANTIM.

CHORO, MEU FILÓSOFO, CHORO UM SÃO FRANCISCO INTEIRO POR TI, MAS COMO NÃO CELEBRAR NOSSOS TANTOS CHORINHOS NA MADRUGA DA EXISTÊNCIA.

COMO NÃO MORRER UM POUCO CONTIGO, MAS TAMBÉM COMO NÃO ESTAR MAIS AINDA VIVO POR ISSO.

COMO TU DIZIAS, DEPOIS DAS INTERNAÇÕES:

- TE ASSUSTA NÃO, XICÃO, A GENTE VEIO DE LONGE E TÁ É NO LUCRO! AQUI NA TERRA NUM TEM BONITEZA QUE DÊ JEITO... E OLHE QUE SOMOS LINDOS!

DESCANSE EM PAZ MEU AMIGO DO PEITO E DE TANTOS CHORADOS RIBEIRÕES.

SE TIVER UMA FOLGUINHA, MEU IRMÃO, DESÇA PRA GENTE APRONTAR DE NOVO JUNTOS.

A GENTE SE ENCONTRA, MEU VELHO, PRA CANTAR DE NOVO, EM PORTUNHOL, CLARO, A LONGA ESTRADA DA VIDA DE MILIONÁRIO E ZÉ RICO!

BEIJO MAGRONES!

INTÉ AMADO FI DE RAPARIGA, COMO SEMPRE TE CHAMAVA.

VOU VIVENDO E NÃO POSSO PARAR, NA CERTEZA DE SER CAMPEÃO, ALCANÇANDO O PRIMEIRO LUGAR.

VAI, DOUTOR, DÁ AQUELE CALCANHARZINHO-MIGUÉ SÓ PRA DEIXAR DEUS COM AS BARBAS MAIS BRANCAS AINDA!

SALVE O TEU SANTOS DE MENINO, SALVE O TEU BOTAFOGO DE RAPAZ, SALVE O TEU CORINTHIANS ETERNO!

Escrito por Xico Sá às 06h39

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.