Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Como era gostoso meu cinema: os 10 mais da pornochanchada

Toda lista é sinônimo de injustiça. O amigo Nick Hornby e o seu Alta Fidelidade que o digam.

Um top ten de filmes do ciclo da pornochanchada mais ainda. É uma fartura de clássicos. Coisa marlinda. Arrisquemos, pois, inclusive desmantelando o conceito do gênero.

É difícil, no gostoso e autêntico cinema brasileiro, saber onde termina o pornô e começa a chanchada.  Distinguir o que é erótico do que é simplesmente risível.

Deixo ai algumas das minhas fitas preferidas. Todas baixáveis aqui nos mares internéticos e disponíveis em DVDs, mesmo que piratas. Nada contra.

1) A Super Fêmea. Direção Anibal Massaini Neto, 1973.

A heroína do título é simplesmente a deusa Vera Fischer, a quem homenageamos ad eternum. Acredite: é um filme feminista e satiriza as bobagens da publicidade & propaganda. O cartaz, desenhado pelo Benício, é outra obra-prima.

2) Histórias que Nossas Babás não Contavam. Direção Oswaldo de Oliveira, 1979.

Adele Fátima, uma das mulheres mais gostosas do cine brasuca, é Clara das Neves. Pobre dos sete anões adoradores de Onan, o bárbaro deus da mão peluda.

3) Bem Dotado - O Homem de Itu. Direção José Miziara, 1979.

O ator, santista, ex-jogador de futebol e ex-técnico Nuno Leal Maia mostra para as moças por quem os sinos bimbalham, velho Hemingway.

4)Coisas Eróticas. Direção Raffaele Rossi e Laente Calicchio, 1981.

Você aí, amigo do ramo, há de pensar: ué, mas esse não seria o primeiro filme de sexo explícito feito no Brasil? Sim, mas mantêm o climão de pornochanchada.

5)Amor estranho amor. Direção Walter Hugo Kouri, 1982.

O famoso filme proibidão da Xuxa. Erotismo sofisticado e freudiano do mestre WHK. Além muito além da pornochanchada. Liberado para baixar aqui e disponível em qualquer camelô de dvd do centrão de San Pablo.

6)Um pistoleiro chamado Papaco. Direção Mário Vaz Filho, 1986.

Clássico crepuscular da Boca do Lixo paulistana. Decifre o enigma do caixão de defunto arrastado no Velho Oeste Tropicaliente ou o caubói pansexual te devora. Primeiro e único faroeste GLS nacional.

7) Bacalhau. Direção Adriano Stuart, 1976.

Uma das infinitas paródias de filmes americanos de sucesso. É o nosso Tubarão, cujo original é do Steven Spielberg. Genial é pouco.

8) Oh! Rebuceteio. Direção Cláudio Cunha, 1984.

Maravilhoso mix de Oh! Calcutta com A Chorus Line. Precisa dizer mais nada¿

9) O Olho mágico do amor. Direção Ícaro Martins & Zé Antônio Garcia, 1982.

Tudo bem, está mais para o drama erótico, mas não poderia ficar de fora de uma lista de filmes de sexo no Brasil. Nessa fita, me apaixonei pela Carla Camurati e morri de amor pela Tânia Alves.

10) A dama do lotação. Direção Neville de Almeida, 1978.

O tio Nelson Rodrigues ficaria magoado se um fragmento representativo da sua obra não fosse incluído nesse top ten.  Nossa homenagem a todos que possuem uma grande milhagem erótica de busão. Salve a rainha Sônia Braga.

P.S. Nossa, acabei esquecendo da deusa-mor Helena Ramos. Imperdoável. Agora é tarde.

E você, meu caro rapaz, minha estimada rapariga, o que incluiria na minha pobre lista?

Escrito por Xico Sá às 21h08

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O irresistível poder de uma mulher de calça vermelha

 

Excepcionalmente, atendendo a barulhentos pedidos dos testemunhas oculares da história, uma versão, remixada e ampliada, da coluna de hoje da Folha. 

Amigo torcedor, amigo secador, o que é futebol diante de uma mulher de calça vermelha? Antes que você arrisque uma resposta clubística, digo: nada.  

Antes que você, corintiano, se arvore, e pense na redenção do Adriano, que eu muito aprovo,  corto pela raiz, desculpa, nada vale mais do que a moça de calça vermelha. 

Sim, são-paulino, sei que é importante a volta sebastianística do Fabuloso. Santista do coração, a gente nem carece mais falar de bola este ano.  

Palmeirense amada, aqui me dirijo só a elas, com mordaça ou com burca, censura não leva a nada. Só ilude. Como se o cala-boca pudesse ser a resposta em momentos de perguntas. 

Não se iluda,  o que é catimba argentina diante de uma mulher de calça vermelha? Linda. E o sorriso, queria que você visse. Incrível. Foi no segundo tempo. Foi um piscar de olhos antes do gol do Lucas contra os caras.

Sei, camarada João Valadares, senhor Samarone Lima, sei que o que importa é o jogo do Santa Cruz contra o Coruripe, justo no lugar onde os caetés canibalizaram lindamente o bispo Sardinha. O jogo deste sábado, querido dom Sebastião, o da volta à glória possível.

Tenho ciência de tudo isso, mas quando Lucas partiu com a redonda não me interessava saber que era uma arrancada de beisebol, qual o quê, foi linda, mas nada se compara à partida da mulher de calça vermelha. 

Tudo bem, amigo, você é meio PVC e se liga no jogo, no esquema tático, mas que tal prestar mais atenção na cor das vestes das moças? Independentemente de clubes. Que tal preferir uma lingerie, da patroa ou da Gisele, a uma pelada de fato?

Simples sugestão, meu querido. Evidentemente por causa da moça da calça vermelha. No segundo tempo do jogo Brasil x Argentina. Arrancava o Lucas, repito o gol, ela passava de lado. Adivinhe o que eu prestei atenção, amigo?

Ah, gol a gente ver qualquer hora. O videoteipe de futebol é o aquário dos homens na madruga. A gente fica vendo qualquer coisa, chega no hotel ou em casa, liga a tevê como quem mira Rumble Fish ou como quem apenas assiste a uma reprise gelada de Flamengo e algum outro.

Assim é a vida, amigo, nada diante de uma moça de calça vermelha no segundo tempo. Estou falando de quem ainda presta atenção nessas coisas.

Arranca o Lucas, ela passa como quem abstrai, lindamente, a idéia de pátria em chuteiras. Mercearia São Pedro, SP -na foto acima desenho das mesas by Grampá, Rafa Coutinho, Bá & Moon.

Uma noite inesquecível. A moça de calça vermelha que enfeitou o lançamento de "Não há nada lá"(Má Companhia), de Joca Reiners Terron.

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Escrito por Xico Sá às 15h09

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Sexo selvagem estremece e emociona BH

 

E finalmente o gorila fez amor. Até o fechamento desta edição extraordinária não parava, priápico e insaciável.

Eis mais uma bela história da zoologia fantástica.

Depois de 27 verões de jejum sexual, por causa das trapaças da vida, o gorila Idi Amin, 38, chegou às vias de fato.

Primeiro com Imbi, depois com Kifta, duas lolitinhas de 11 anos que vieram de Londres especialmente para o enlace.

O grande acontecimento se deu esta semana, como é sabido, no zoológico de BH.

Minha amiga L., La Sereníssima mineira que embriaga o vagabundo coração do cronista, fez a cobertura para o blog:

“Foi lindo”, conta. “Queria que você visse o épico do nosso antecessor darwiniano”.

Somente a solidão, essa pantera, havia sido a companheira inseparável de Idi em quase três décadas.

Mas eis que a mão peluda do destino mudou sua vida.

“Foi como se BH inteira tremesse nessa hora, as garrafas de cachaça balançaram nos botecos, as montanhas ficaram mais perto de Deus”, descreve La Sereníssima com o seu doce jeitinho poético.

Como relatado neste blog no mês passado, Idi Amin nunca teve sorte no amor. Veio d´África, novinho, acompanhado da gorila Dadá. Ela morreu quando chegou no zoo de Minas.

Antes de completar 10 anos sorriu qual um King Kong com a atriz Jessica Lange na palma da mão.

O motivo do brilho nos olhos era Cleópatra, bela e sensível mocinha que habitava o zôo de SP e foi transferida para a capital das Gerais.

Mais uma vez foi trapaceado pela sorte. A viuvez o tingiu da mais negra solidão.

Boa sorte, Idi, e trate bem as duas moças. Sexo selvagem sim, mas sem perder a ternura jamais.

Escrito por Xico Sá às 12h02

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Tape o nariz, infeliz, a vida fede, mas é linda

A vida fede, o amor, se demora, fede mais ainda. Sorte nossa quando nem ligamos mais, até rimos, dos odores.

A realidade nem se fala, tô fora, corra Lola, corra, do noticiário minuto a minuto.

É só merda mal-apurada.

O amor é antologia de fedores guardados, bueiro, explode.

Não há desodorante para os sovacos do amor e da sorte.

Assim escrito em uma crônica chinfrim como esta pode até parecer escatológico, mas atire o nariz fora, como recomenda o amigo Nicolau Gogol(o tio lindo aí da photo), aquele que nunca passou por isso.

Sim, o ato nobre e mais sagrado de um homem para uma mulher e vice-versa é a conquista do direito à humaníssima ventosidade denominada vulgarmente como pum, de acordo com os nossos educados dicionaristas.

O direito de emitir aqueles gases que partem do eu profundo e dos outros eus, como diriam os mais poéticos, na paz dos lares doces lares.

Numa relax, numa tranqüila, numa boa, como cantaria o síndico Tim Maia. 

Melhor ainda. Emiti-los e arrancar um “afe!” surpresa da amada.

Não debaixo dos lençóis, motivo de sobra para qualquer divórcio -circo Orlando Orfei dos horrores, dependendo das iguarias ingeridas.

Caiu aqui um parêntesis: cuidado com a mistura explosiva de fava, bacalhau, batata doce, ovo de galinha capoeira.

Pólvora de bacamarteiro perde, né, Joana Gatis?

Evitem o circo dos lençóis e o resto vale, é pura prova de amor. Com janelas abertas, então, não passa de uma droga recreativa capaz de animar a vida besta dos casais nos seus pombais.

- Peidaste?!– salta ela, em bom português.

- ´Magina!

Como ainda não têm filhos, sobra, quase sempre sobra, para o cachorro, senhor dos direitos autorais de tais flatulências anônimas na aurora dos romances. Foi ele. 

A sorte é que o cão assimila as impurezas do homem, tão-somente para tornar seu dono inimputável. O tal gás sarin sai à semelhança.

Melhor ainda é quando um reconhece a ventosidade do outro. De longe. Chega em casa, depois de uma festinha, social clube, e a nega diz, até um tanto quanto orgulhosa, com o mesmo português infalível de sempre, assimilado das lições do velho e bom Pasquale:

-Fostes tu, desgraçado!

Emocionante saber que a criatura é capaz de reconhecer teus ventos mais elípticos, teus cheiros e fedores mais recônditos, tuas vergonhas mais perdidas, tuas cláusulas do melhor dos contratos rosseuanianos.

Mas qual seria o prazo ideal para liberar a prática na frente do(a) amado(a)?

Se a convivência for intensa acho três meses um prazo razoável... Um semestre em casos de pombinhos que pouco se vêem, um ano quando o romance for de ponte aérea, cidade a cidade... Que acham?

E para deixar tudo mais literário e menos nojento –tem gente que não suporta conviver com as nossas verdades que fedem- recomendo um romance genial:

"A Assombrosa Viagem de Pompônio Flato" (ed.Planeta), do escritor catalão Eduardo Mendoza. Com nariz tapado me despeço,até a próxima.

Escrito por Xico Sá às 16h33

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Plebiscito nacional: tira ou não do ar a Gisele?

Pera aí, colegas, o governo está querendo tirar do ar a campanha de lingerie com a Gisele Bündchen.

Upa neguinho!

Confesso que não tenho tara alguma pela moça. Nunca tive. Portanto não é este o motivo do pulo que dei da cadeira ao ler tal notícia.

Todo mundo sabe aqui na firma que prefiro as musas mais cheinhas. Gisele, na minha modesta sociologia de boteco, não passa de um retrato da desigualdade brasileira: tem a fartura do Morumbi de frente e a escassez do Jequitinhonha de costas.

Certo?

Daí querer proibir a publicidade é um vexame cívico-democrático.

A equipe da Secretaria de Políticas para Mulheres, órgão federal, alega o seguinte, como li na Folha.com:

"A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas".

Veja um dos anúncios aí acima, estimada leitora, e repare se não é exagero pedir ao Conar, o conselho nacional que regula a política publicitária, a retirada da galega dos comerciais da tevê.

Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?, indagaria o fã da canção de Caetano Veloso.

Ela diz a verdade e a verdade é o seu dom de iludir.

Assim vi a publicidade.

A inocente lingerie aparece apenas como uma arma legítima da sedução da fêmea.

Uma peça que pode ser usada tanto por uma Amélia como por uma superpoderosa, moderna e prafrentex.

É a questão plebiscitária do dia aqui no blog: tira ou não do ar a propaganda, amigos(as)? 

Escrito por Xico Sá às 14h29

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Bela coincidência: dia do Idoso e dia do Google

 

Hoje é dia de São Google, como canonizou a artista Pinky Wainer ao lançar as fitinhas ao estilo Senhor do Bonfim há alguns anos atrás -me foge da memória a data, mas só por hoje não serei dependente da busca automática.

Hoje também é Dia Nacional do Idoso. Pelo menos era no meu tempo. Agora a onda é celebrar também no 1º de outubro, que é a data internacional, como alertam aqui os amigos com alguma memória.

Enfim, curti a coincidência das celebrações. Perfeito.   

Quanto mais vamos ficando velhos, mais carecemos da pesquisa vapt-vupt.

Sorte a dessa geração que já nasceu com a possibilidade de checar qualquer dado, número ou grafia on line.

A minha turma de jornalistas escalava uma montanha para chegar ate um banco de dados, pegar uma pasta com recortes sobre um tal assunto e só aí escrever o texto.

Talvez isso fizesse da gente melhor de memória e mais prenhe de indagações nas entrevistas, sei lá, talvez. O Google leva a uma confortável preguiça mental. #Fato.

A busca também faz das crianças muito mais arrogantes. Quem precisa de adulto para perguntar qualquer besteira? É o fim da idade dos porquês.

Dia do Idoso, bolo de aniversário do Google. Deus está nas coincidências, como diria o tio Nelson.

O dia dos velhinhos foi decretado em 1999 no Brasil. Este blog também é cultura de almanaque e o reumatismo, além da amnésia, já ameaçam o seu titular cronista.

De 99 para cá, a longevidade foi esticada e até o termo idoso é mal visto pelos mais corretos.

Terceira idade agora é dita melhor idade.

“Melhor idade um cacete”, salta o meu pai, o velho Francisco, 73. Ele  vocifera como uma onça, lá no seu rancho no Sítio das Cobras, em Santana do Cariri, Ceará.

Desde o dia em que, numa fila de aposentadoria rural em Assaré, soube do termo novo, não consegue ouvir “melhor idade” sem dizer uns palavrões e impropérios.

“Melhor idade para quem, bando de cornos?!”

“Idade do pé-na-cova, isso sim”, ele tira onda com os amigos da taverna. “Principalmente para estes papudinhos, esses pés-de-cana. Que só por milagre não morrem”, conclui. Na bodega, seus parceiros de copo passam dos 70.

O velho exagera, naturalmente. Se a gente chegar das sete décadas para cima com alguma saúde e sexualmente ativo –a pílula da paudurescência é a invenção do século- está de bom tamanho, está valendo.

Não pode é ficar nessa de pagar pau para a vida eterna. Todo mundo querendo imitar o Matusalém. Pode ser muito sofrido essa história.

O importante é ser um velho enxerido, como se diz no Nordeste. Um velho safado.

A safadeza é o que nos mantém crente na existência. O resto é desânimo e recolha.

O enxerimento cortês, o flerte quase inocente, a cantada permanente como a revolução de Mao Tsé-Tung. É a melhor maneira de esticar a vida.

O velho raparigueiro vive mais e melhor, prorroga os dias, renova as folhas das folhas do calendário.

Um velho enxerido sente de longe quando se aproxima uma mulher bonita, fica logo aceso, bate as asas, tem a o resto da vida inspirado na atitude de dos animais: a liberdade do cachorro e o tesão do galo.

Toda liberdade do mundo para um velho safado. Um velho enxerido tem a beleza de um louco, passagem livre, pode tudo.

Escrito por Xico Sá às 11h39

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Guia para se dar bem na captação de recursos

 

Quem não tem o seu projetinho à espera de financiamento. De preferência financiamento público?

Somos a Pátria dos projetos. Projetos, projetos, projetos.

Em uma boa noitada em qualquer lado da via Dutra,  seja na Vila Madalena ou Baixo Gávea, circulam mais roteiros e filmes falados do que em toda a história de Hollywood, Bollywood etc.

Aqui no Baixo Augusta, reduto de artistas, há mais candidatos a Antunes e Zé Celsos do que todo o contingente dos coros gregos de Atenas. Nada errado nisso.

Roteiros, roteiros, roteiros. Os editais de certames artísticos são disputados a tapa, como os últimos da Petrobrás e BNDES.

Mas não é nada fácil descolar um bom convite para esse baile das leis culturais de  isenção fiscal.

Preocupado com a isonomia na disputa por estas verbas e renúncias, este colunista ouviu gente do ramo: produtores, artistas, velhos coronéis do áudio-visual e descoladérrimas sinhazinhas do lobby moderno.

Pensando nos amadores que precisam passar o chapéu na praça, ficam ai valiosas dicas destes profissionais:

Galã a tiracolo – Nada contra José Dumont, afinal de contas este blogueiro também pertence à grande galeria dos mal-diagramados.

Nada contra, mas a mulher e a filha dondoca do empresário financiador preferem um jantar na companhia de um Rodrigo Santoro, por exemplo. É assim que funciona.

A festa em em família com atração global é tiro-e-queda. Sucesso garantido.

Alguns políticos, no entanto, aqueles que abrem as portas em empresas e estatais financiadoras de projetos, preferem o talento e a volúpia (sem essa de distanciamento brecthiano, faz favor!) das gostosas das novelas globais. Funciona!

Chame a telefônica – Festa em casa, amigo produtor? Ah, você não pode deixar de convidar o pessoal de marketing das empresas de telefonia, principalmente a turma do celular.

Essa gente tem invadido as tertúlias das celebridadades. Nunca se esqueça: nos salões de Rio e SP, a figura do executivo do ramo da telefonia é tão festejada quanto Malu Mader.

Desconto ao pé do balcão – Se você, querido produtor, não tem lá essas armas quentes todas, pode oferecer um deságio camarada na isenção fiscal.

Tipo o que os próprios executivos oferecem por ai: que tal 70%? Podicrê, amizade, chega a esses patamares. Tá bom pra você?

A produção de um filme, por exemplo, emite uma nota de R$ de 100 mil e recebe apenas R$ 30 mil de grana. A firma, óbvio, abate os cenzão de tributos. O velho Brás, tesoureiro do grande baile fiscal, que se vire para fazer o acerto final.

Sinais exteriores de riqueza – Conselho de uma ambiciosa mulher de negócios culturais: ao visitar um executivo para pedir recursos para um show, filme, peça etc, apresente-se, além de bem vestida, claro, portando muitas jóias, jóias finas de preferência.

Uma Serra Pelada de saias. Se tiver um diamante, nossa, mais perfeito ainda. O truque é mostrar ao empresário que você  não precisa tirar proveito pessoal daquele patrocínio, que o seu interesse é cívico-cultural, totalmente voltado para enriquecer a cultura do país.

E o baile fiscal continua... Novas dicas ou denúncias sobre essa farra do boi serão benvindas!

Escrito por Xico Sá às 11h46

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O churrasco como símbolo do orgulho macho

 

No final de semana o país inteiro cheira a churrasco. Já bateu, de longe, a feijoada como a mais popular e nacional das comidas sem frescura.

É tão irresístivel que até modelo e metrossexual churrasqueiam na buena.

Este blog, com sua fome atávica pela cozinha perversa, faz uma breve viagem freudiana a respeito. Segura aí essa brasa!

Quando o carvão começa a pegar fogo, na laje suburbana ou na beira da piscina do Lago Sul, Brasília, os homens automaticamente passam a se sentir mais poderosos.

Mesmo em um banquete de mendigos a carne fortifica as vaidades e espalha, por algumas horas, as brasas da auto-estima.

O mesmo fogo que assa a picanha e a costela chamusca também a testosterona e os básicos instintos do macho, como diria Fausto Fawcett, o poeta-mor de Copacabana e dos arredores fumacentos da Guanabara.

A tese-crônica e carnívora vale para qualquer lugar, até mesmo para a Índia, claro, onde os bois e as vacas são sagrados.

Lá eles preferem estraçalhar outros quadrúpedes. Amam um cordeirinho, por exemplo, sempre com o melhor dos currys.

O ser humano não vale mesmo uma moeda enferrujada de botija. Luta vã embirrar contra isso.

Desde as caçadas dos nossos semelhantes das cavernas, nem um alimento simboliza tanto a macheza quanto ela.

A carne é fraca apenas na concepção do pecado, mas ai já falamos da marvada pele sob os olhares apostólicos romanos.

A carne, desde o canibalismo dos tupinambás e dos caetés -traçaram lindamente jesuítas e outros bispos sacanas- é o que nos há de mais sagrado nos tristes trópicos.

Dos indígenas às calçadas do subúrbio de hoje -motivo de uma tese de mestrado do carioca Rolf Ribeiro de Souza-, a reunião em torno da brasa é um grêmio óbvio ao redor da simbologia do macho, do poder do macho e do algo mais machista, como diria um Jorge Ben das antigas.

A tese rendeu um grande livro deste grande e citado Souza: “A confraria da esquina: o que os homens de verdade falam em torno de uma carne queimando” (ed. Bruxedo).

Seja na rua, onde significa demarcação do território da masculinidade, seja na churrascaria chique, donde representa decisões, convenções partidárias e negócios particularíssimos, a carne é que manda nos homens.

Alguém já testemunhou algo importante ser acertado diante de folhinhas de alface?

Não estamos apenas falando de monta, de dinheiro a perder de vista, meu caro Eike Batista. Estamos falando de importância, do futuro de um grande amor, por exemplo.

Não, o alface não inspira confiança.

Não à toa, reza a mística dos conventos e internatos, a folha serve para acalmar os noviços e seminaristas contra possíveis manifestações dos básicos instintos.

O perigo está na carne. Sempre. O resto é fundamentalismo dos meus queridos amigos vegetarianos que se acham imortais e melhores do que o resto da humanidade.

Mas antes me tragam uma cachaça, que hoje estou amargo demais pra beber cerveja, ora veja, termino aqui ouvindo a banda Eddie:

"E quem não gosta de fumaça, minha querida, não entende de bebida. Nessa vida, eu já caí na desgraça.”

Escrito por Xico Sá às 23h35

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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