Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

As 10 mais do brega de todos os tempos

O blog encomendou a um estudioso do ramo, o escritor e tradutor maranhense Bruno Azevêdo, uma lista das dez maiores canções bregas nacionais de todos os tempos.

O autor de “O Monstro Souza [romance festifud] e de “Breganejo Blues –novela trezoitão” nos enviou, direto da sua ilha de São Luís, as preferidas. Atente para o fato de Chico Buarque ter sido incluído no pacote.

A inclusão me lembra a tese de Reginaldo Rossi: “Se é minha é brega; se é do Frank Sinatra, no mesmo tom  e com letra derramada, é classificada como romântica”.

Sem mais teorias, os dez maiores bregas do especialista Azevêdo, com as devidas justificativas das escolhas:

1. Leidiane, Júlio nascimento (no vídeo acima).

A condição social do expropriado serrapeladino numa letra de valores cristãos e traição capituniana.

2. Foi morar com o guarda, Emilio Julião

O homem pobre e abandonado enfrenta os militares em plena ditadura!

3. O conquistador, Agnaldo Timóteo

Manual prático da conquista, do lero lero, do vinhozinho e da cópula.

4. Não tem jeito que dê jeito, Raimundo Soldado

“Eu contava com a despesa, foi somente tristeza que você me deixou”. Precisa dizer mais?

5. Olhos nos olhos, Chico Buarque

A chifrada vingativa em sua versão buteco sujo ao lado de algum campus.

6. Vá pra cadeia, Carlos Alexandre

O macho, encoxado pelo mundo moderno, reconhece plenos direitos à mulher.

7. Aceita!, adailton & Adhaylton

Um garoto de programa pós zerramalhiano tenta provar à mulher que, quando é de graça, é amor.

8. Corno, assassino, prisioneiro e viado. Sirano

Das técnicas para suportar a primeira condição e, consequentemente, as outras três.

9. Profissional Papudinho, Roberto Villar

Manifesto alcoólico, alcoolista e cachaceiro. Destaque para a guitarra de Chimbinha, o Red Richards do brega!

10. Domingo na Missa, Adelino Nascimento.

Como se um Luís Gonzaga baixasse em Maracaçumé. Nascimento extrapola a poética da rádio AM e a fitinha cassete vendida em rodoviária.

Agora é a sua vez, nobilíssimo leitor, mande também as suas preferidas!

Escrito por Xico Sá às 23h04

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Ordem e retrocesso na PUC/SP

Maconha desperta trocadilhos. Uns bobos, outros incríveis. Baseado em fatos reais, por exemplo, seria um bom e óbvio título para este post.

Pois é. "Nós é que fumamos e o sr. reitor é que fica tonto." Eis o balãozinho sobre a cabeça dos estudantes da PUC-SP a essa altura.

Eis o que pensaria o Capitão Presença, grande herói e personagem de HQ aí acima. Assina que é teu, caro Arnaldo Branco.

Nós é que fumamos e o sr. reitor que fica louco, discursam os alunos. Não só os alunos. Foi um professor, indignado, que me relatou  a treta acadêmica agora mesmo. Estava furioso.Definiu de primeira:“Tremenda palhaçada”.

O sr. Reitor da Pontíficia Universidade Católica , Dirceu de Mello, fechou geral o tempo. Hoje o campus de Perdizes está interditado. Ninguém circula. Só a madre superiora.

O Ato 127, como todo aquele resquício prensado de AI-5 no inconsciente, surgiu em represália ao 1º Festival de Cultura Canábica, que aconteceria a partir das 16h, no campus.

A filosofia festeira –pobre e triste da juventude que deixa de fazer protestos celebrtivos- era defender a descriminalização da maconha e se divertir, óbvio, ainda mais da sexta para o sábado.

Como dizia o velho Oswald de Andrade, um dos membros do conselho espiritual desse blog, viva a rapaziada guerreira, o gênio é uma grande besteira.

E repare que os meninos da organização do evento tiveram todo o cuidado de recomendar, nas convocações, que não se fumasse maconha durante o encontro. Por temor de tempo ruim com a polícia.

Gente, pelo menos a discussão sobre o assunto no Brasil foi liberada, até um ex-presidente (FHC) já fumou. Não tragou, como disse, mas defendeu com decência pública a descriminalização da Cannabis.

Pelas pupilas do senhor reitor!

Cadê o conceito de Universidade como centro de conhecimentos, culturas, saberes e discussões?

Quem tem medinho de um eventual baseado não pode comandar um campus inteiro.

É ruim transformar um corredor universal que se pretende iluminista em um beco das trevas.

“Saudade da dona Nadir Kfouri”, já reverbera nas redes sociais a lembrança da brava mulher que comandou a PUC, por votos e aclamação de alunos e professores, entre 1976 e 84.

Dona Nadir, como escreveu o Juca na sua coluna de ontem na Folha, nos deixou esta semana, aos 97 anos de história.

Era tão querida que o papa Paulo 6º , a pedido de dom Paulo Evaristo Arns, teve que aceitá-la como reitora. Baita quebra de tabu dentro das instituições da igreja Católica.

Sem querer baforar aqui a fumaça verde da verdade absoluta, mas o sr. reitor pirou o cabeção acadêmico, não acham? Ou foi apenas uma nostalgiazinha da Ditadura? 

Escrito por Xico Sá às 02h11

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O cãozinho de Pavlov e o PMDB de Sarney

Esqueçamos, só por um instante, a Scarlett, e falemos do cachorrinho de Pavlov.

Ivan Petrovich Pavlov. Repare como fica em russo, que bonito, que rico: Иван Петрович Павлов.

Virginiano, nasceu em 14 de Setembro de 1849. Morreu em 27 de fevereiro de 1936. Este blog também é cultura e fisiologia soviética das antigas.

Esqueçamos, também por um instante, a jogada de várzea (também banal no futsal) de Leandro Damião na seleção amarela.

Vamos discutir a relação do governo central com o PMDB do paulista Temer e do maranhense -emprestado ao Amapá- J.Sarney.

Sim, meu filho, o que tem a ver o cós com as calças?, indagaria minha madrecita, também virginiana, dona Maria do Socorro.

O bom filho à casa torna e pergunta de mãe a gente responde. Didaticamente.

Ora, mãe, a relação da dona Dilma –ou qualquer outro(a)- com os peemedebistas é igual a do nosso Pavlov com os seus cãezinhos condicionados.

Teoria do condicionamento deu o Nobel ao estudioso russo. Aquela história de premiar um cachorro com um pedaço de carne toda vez que o bicho fazia a coisa certa. Tocava também uma sineta, mas dessa parte eu não me lembro direito.

Coisa certa = a pedaço de carne. O cachorrinho babava. E repetia ad infinitum a parada.

Com a gente do PMDB, nada pessoal, é a mesma historinha.

Coisa errada = ganha de novo um ministério. Taí seu Gastão, novo ministro do turismo acidental, que não nos deixa economizar na teoria do condicionamento.

Não deveria ser o contrário do cãozinho pavloviano? Fez malfeito perde a boquinha carnívora?

Pode até ficar sem castigo, como reza nossa crônica de costumes, mas perde a vez, certo?

Reflitam vocês ai nos comentários, meus rapazes, minhas raparigas, que a sineta do desejo tocou mais uma vez e eu vou babar de novo pela Scarlett. Vem, galega, compor na minha base aliada!

Escrito por Xico Sá às 12h39

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O desafio do macho-jurubeba X o metrossexual

Eu venho lá das quebradas

De grotões e de veredas

Donde diabo perdeu as botas

Maconha boa na seda,

Sou Zé Limeira e Breton

Viagem de ácido bom

Lenha nova e lavareda.

 

O que é isso, cachaceiro?,

Peço licença a vocês,

Vou narrar uma peleja

Guardada faz mais de mês,

A de um macho-jurubeba

Encardido feito ameba

Conto ao gosto do freguês!

 

Do outro lado do ringue

Um sujeito,uhn, autoral...

Bonitinho, mas ordinário

Codinome: me-tros-se-xu-al!!!

Foi criado na Inglaterra

Tem o afeto que se encerra

Na maquiagem do mal.

 

Os sinos dobram, dom King,

E a contenda  começou

O jurubeba enfezado

De cara já perguntou:

-Onde tu compras tem pra homi?

És aquilo que consome?

Qualé, rapá?, androginou?

 

Com fleugma de bom inglês

O metro não perdeu a linha,

Ajeitou seu terno Armani

Que elegância na bainha!

O jurubeba, eu nao sei,

Mas perdeu logo o fairplay

E pediu uma cachacinha!

 

Marquinhos deu a cachaça

E o cabra cresceu no jogo,

A Mercearia veio abaixo

Nego fez  u´a roda de pôgo.

E o cabôco free-style

Mandou pra casa do caraio

Tudo que tava em jogo!

 

Foda-se a esportiva

Disse o jurubeba de cara

Não tolero a espécie

Que desgosto!, avis rara...

Lá da terra donde venho

Esse rapaz eu emprenho

Apollinaire, minha vara!.

 

Donde o metrossexual

Na contramão da barbárie,

Gabola e cheirosinho

Via de longe minha cárie...

Seus perfumes no ajuste

Qual o bolinho de Proust

Levava todos nos ares.

 

E o vento também levou

O modismo desse metro,

Ele num pega nem u`a letra

De um macho analfabeto...

Prefiro meu  travesti

Jesus Cristo!, eu estou aqui

E ai?, estás por perto?

 

Macho velho, invejoso,

Sou sensível e muito cool,

Só pego “Pati” cheirosa

Te viras com tribufu,

Uso todo meu Lancôme

E não deixo de ser homem

Vade retro, cafuçu!

 

Se isso é ser macho, haha!...

Renuncio ao velho sapiens,

Gasto minha testosterona

Salve Mussum, dá-me um traguis!

Tu gosta é de cheirar a rolha

E sentir o bouquet da trolha

Afasta de mim esse cálice!

 

Fala sério, cachaceiro,

Como rejeitas esse bouquet?,

Tua vida bagaceira

É maldição démodé...

Já sei que não te habilitas

Eu sigo In vino Veritas

E vejo os vermes  te roer.

 

Minha antologia de ressacas

É grandeza d´alma, amiúde,

A lua na sarjeta ensina mais

Do que uma obra de virtudes...

Serás um belíssimo defunto

E para a cidade de pés-juntos

Irás gozando toda saúde!

 

Escrito por Xico Sá às 14h50

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Lugar de filho de político é na escola pública

Ê vida de gado. Povo marcado. Povo feliz. Sai do meio que hoje estou popular, populista, meio lírico e meio comunista, como diria o amigo Antonio Prata.

E aqui, com esse alfabeto desenvolvido a partir de letras para ferrar bois, reverbero Zé Ramalho, o Bob Dylan do Brejo do Cruz, 100% cosmo-paraibano. 

Venho por meio desta lembrar dona Heroína, Heroína Taveira, minha primeira professora. Pública. Escola Rural Municipal Furtado Leite, Sítio das Cobras, Santana do Cariri, Ceará.

Entre a palha do milho e o pó de giz, Heroína era o que o batismo denunciava mesmo. Ganhava uma pataca da prefeitura e nos fazia ver a luz das letras.

Depois vieram outras e outras do mesmo gênero dos grandes feitos: heroicas de grupos escolares de Nova Olinda e Juazeiro do Norte.

Até a faculdade, começo em Ciências Sociais e depois Jornalismo (salve o CAC-UFPE), tudo ensino público e gratuito. Inclusive a boia, o pão-com-ovo ad infinitum e a dormida, xepeiro da CEU que fui, com muito orgulho.

Donde CEU vem a ser, amigo, a Casa do Estudante Universitário, Engenho do Meio, Recife.

Enfim, de tão público, incluindo crédito escolar da Caixa e um bico na biblioteca da universidade, sou quase um Xicobrás.

Por isso me doi mais ainda quando vejo esses resultados ai do Enem e a situação do ensino gratuito. Apenas três escolas entre as cem primeiras.

Nem carecia de exame algum pra gente saber que a situação é miserável.

As Heroínas continuam recebendo um faz-me-chorar. Nada de faz-me-rir no fim do mês. 

Tudo piorou mais ainda conforme a classe media foi migrando para as escolas particulares.

Tá de lascar, senhoras e senhores.

Daí que lembro do importantíssimo projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que tramita em câmera lenta no Congresso.

Obriga que todo e qualquer político, de qualquer nível, matricule seu filhote em escola pública.

Tudo bem, há quem ache populista. Que seja. Lindo. Se é demagógico ou populista, ótimo, precisamos desse tipo de populismo mesmo.

A lei, se aprovada, vai valer a partir de 2014, ano da zona da Copa. Seria um baita gol de letra –hoje estou amando trocadilhos, frases fáceis, didáticas, bora nessa, pressão na cambada.

Só assim melhoraríamos nossas escolas e a vida das nossas Heroínas.

Além do ensino, os administradores deveriam também ser obrigados a usar a rede de saúde pública.  Claro que rolaria umas trapaças, mas valeria a intenção de ensiná-los.

A educação pela pedra. E pela pedrada neles! Aqui fico com o encanto radical de sempre por João Cabral de Melo Neto.

Deixo um beijo e todo agradecimento a dona Heroína, hoje habitante da cidade de Teresina, Piauí, Estado que até fez bonito no Enem. Mas infelizmente apenas no ensino pago. Pena.

Escrito por Xico Sá às 01h10

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Vamos eleger a rua mais bonita do Brasil

A rua Gonçalo de Carvalho, na região central de Porto Alegre, ganhou fama repentina, como tudo aqui na rede, como a rua mais bonita do mundo. É uma beleza mesmo. Lembro o bom espanto que tive ao passar por lá dia desses.

Parabéns, tchê, o rio da nossa aldeia, como bradou o poeta, é sempre o mais incrível do mundo.

Quero deixar claro, porém, que a rua mais bonita de todas as galáxias fica no Recife, ali na beira do Capibaribe. O nome já diz tudo: Aurora. Repare ai na foto acima.

Bonita de dia, linda de noite.

Parecida com ela só vi em São Petersbugo, Russia. Ou Florença, como disse o escritor Albert Camus em visita à capital pernambucana. 

Um avalista local também bancava a tese. O sociólogo e escritor Gilberto Freyre dizia isso com todas as letras. É a mais linda do planeta urbano mesmo.

Pelo casario, pela luz do final da tarde, luz capaz de transformar qualquer balconista ali do centro da cidade em Miss Universo.

Mas há rua bonita em todo canto. Na babilônica San Pablo tem a rua Atlântica, lindamente arborizada, no Jardim América.

O beco do Batman, na vila Madalena, com seu painel de grafites, é o beco mais supimpa do universo. A avenida São João, com o seu bulevar, também merece mil pontos. O que mais, amigos?

No Rio, nem se fala: poderíamos citar todas aquelas ruazinhas na subida do bairro Jardim Botânico. Em Laranjeiras temos às pencas graciosas artérias.

A parte antiga da praia de Iracema, em Fortaleza, é uma coisa!

Pela vista, tudo ou quase tudo que dá com os olhos na Baía de Todos os Santos. Aí já estamos no tabuleiro da baiana.

Haja!

Fim de tarde nos arredores da pracinha de Santa Tereza, BH, nossa, inesquecível.

As ruas carregadas de Mangueira de Belém, antes e depois da chuva, que maravilha.

No Lameiro, no Crato, é um absurdo. Todas com vista para a chapada do Araripe. Todas da beira do São Francisco são colossais. Mais em Juazeiro do que em Petrolina.

E assim uma cartografia de beleza no meio do caos urbano brasuca.

Eu voto na rua da Aurora, Recife. Lá estão, estátua, João Cabral de Melo Neto e Bandeira, que não me deixam na dúvida.

Como dizia aquela canção do Itamar Assumpção/Régis Bonvicino, não há saídas, só ruas, viadutos e avenidas.

E você, respeitável leitor, qual a sua rua predileta, qual mandaria ladrilhar?

Escrito por Xico Sá às 09h39

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Meu 11/9 inesquecível em NY, Maranhão

 

Eu estava lá!

11 de Setembro aqui é só o aniversário de Raimundo Nonato, 55, que mora ao lado de um pontilhão de madeira muito parecido com a ponte do Brooklin. Igualzinha mesmo.

Todo 11 de setembro seu Raimundo faz uma farra monstra. Quem lembra algo de ruim é convidado a abandonar a taberna. Muita cachaça, cabrito, capões e galinhas d´angola de tiragosto.

É difícil morrer de algum tipo de violência em Nova Iorque. Morte matada praticamente não se vê por aqui. Só morte morrida. De doença ou de velhice.

De tédio também não se morre. Há uma beira de rio com as pin ups mais cheinhas e gostosas do universo.

O banho no Parnaíba é como um mergulho naquelas águas milagrosas do filme “Cocoon”. Voltei de lá sem as rugas que fizeram residência no meu rosto. Voltei gato: dez anos a menos.  

Lá é possível. Visite você também Nova Iorque e comprove.

De torre atingível, só a cumeeira da igreja, sem para-raios, mas com Santo Antonio, o padroeiro, ligadaço na proteção contra as intempéries.

“Wellcome Nova York”, como ainda se lê numa velha placa. A cidade fica a 500 km da capital São Luis.

O máximo do terrorismo possível é um fuxico que pode atingir a honra de uma moça.

Glorinha (nome fictício para evitar maiores confusões) foi vítima. Tem 18 anos. É virgem. Tocaram o terror, por inveja e ciúme, que seria “bolida” –perdera a virgindade.

Nova Iorque, cujo batismo foi aportuguesado nos anos 90, tem 4.499 moradores.

Nem na Espanha há um lugar mais adequado para se tirar uma siesta. Foi a melhor da minha vida. Debaixo de um cajueiro, com o ventinho da praia do Caju balançando a rede.

Nova Iorque foi nome dado engenheiro da New York original Edward Burnes, que esteve na área, em 1886, em missão que implantou o transporte no rio Parnaíba.

A sorveteria continua New York, sem aportuguesamento. Só as napolitanas conseguem lamber com tanta elegância um sorvete como as moças nova-iorquinas.

A cidade-irmã de Manhathan, 5.058º lugar no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos  5564 municípios brasileiros.

Aqui se vive de roça, pesca e o turismo do banho de rio.

Opa, repare no anúncio escrito em um muro: “Ao precisar, visite-nos. Vendemos mais barato, facilitamos o pagamento. Cobrimos qualquer oferta. Funerária Fênix”.

A mesma casa dispõe de uma espécie de consórcio para garantir um enterro decente.

O consórcio da funerária tem adesão dos mais velhos. A juventude bate na madeira três vezes.

“Quero é ganhar mundo, rapaz. Tentar outra coisa lá fora, quase todos os meus amigos já foram, vou no rastro deles. Esse negócio de comprar caixão é atraso de vida”, diz Plácido Martins, 18, que trabalha em uma oficina de bicicletas.

Não vê a hora de cair na estrada. Nem que seja sobre duas rodas.

Escrito por Xico Sá às 19h02

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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