Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Mais estranho que a ficção

Emprestamos o título do ótimo livro de crônicas do ficcionista Chuck Palahniuk (autor de “Clube da Luta” etc) para inaugurar esta nova seção ou firula do blog.

Muito além da piada pronta, aqui em terras tropicalientes a realidade é mais surreal que a imaginação dos nossos melhores ficcionistas.

O espírito da seção é aquele da frase atribuída a Tim Maia: “No Brasil puta goza, cafetão tem ciúme, traficante é viciado etc”.

O melhor é que a frase do velho Tim não é dele. Já era dita, com alguma diferençazinha, pelos chamados populares.  

Aparece também no filme “Rio Babilônia”(1982). Mas deixa pra lá, foi o gordo genial que a consagrou. Tá valendo, vale tudo.

O que foi mais estranho que a ficção nos últimos dias:

-Um táxi Cumbica/Centro de SP pode sair mais caro do que uma passagem aérea para o Recife ou Salvador.

-O DEM, vulgo Democratas, com toda moral na linha de frente da marcha contra a corrupção do 7 de Setembro. É o partido do rorizismo, entre outras escolas de estilo.

-Um pum anônimo, vulgo bufa, provocou crise no Flamengo. Ninguém entregou o autor da façanha, para desencanto do técnico Luxa.

Moral da história: o episódio serviu, pelo menos, para mostrar que o carioca é firmeza nesse momento tanto quanto um mineiro é solidário no câncer, como dizia o tio Nelson Rodrigues.

-O segredo do maior self made man do país, o sr. Mário Gazin, do Paraná, é brindar os 4 mil funcionários da firma homônima com cuecas e calcinhas.

Segundo o ranking do jornal "Valor Econômico", o cara é o melhor gestor de pessoas do Brasil. Gênio esse ex-vendedor de picolés.

-O Anderson Silva, o brasileiro campeão mundial do UFC, que teria tudo para ser um empedernido macho-jurubeba, confessa, na buena, que é metrossexual em matéria de uso de cremes e cuidados com a beleza.

 

 É, amigo, está definitivamente provada a velha tese de Pepeu Gomes & Baby Consuelo: ser um homem feminino não fere o meu lado masculino.

 

E você, respeitável leitor, o que viu mais estranho do que a ficção por ai?

Escrito por Xico Sá às 20h33

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O que você prefere: homem frouxo ou canalha?

Sexta é dia de uma disciplina clássica aqui no blog: a cadeira "machos comparados". 

No episódio de hoje, meu rapaz, minha rapariga, a peleja do homem frouxo X o homem canalha.

***

 “Tinha cá pra mim que agora sim, eu vivia enfim o grande amor, mentira!”

Encontro minha amiga A., no nosso botequim predileto, e a desalmada vai logo anunciando, com a ironia fina que a acompanha na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença.

 Sempre tem boas histórias e uma mania louca de escolher uma música, normalmente no embornal do Chico, para trilha das sagas românticas e congas tantos que já levou como pé-na-bunda.

Como o xará Francisco tem um vasto elenco de personagens femininos e incorpora as dores e delícias das moças, ela escolhe no capricho, no ponto.

Moleza, garoto, vamos nessa.

“Tinha cá pra mim que agora sim, eu vivia enfim o grande amor, mentira!”, ela repete e repete, enche o saco com o “Samba do grande amor”.

Essa música nem é protagonizada por uma fêmea, e sim por um homem desiludido, um cabra cujo destino parafusou-lhe na testa belos chifres à moda dos vikings.

Mas ela insiste e canta assim mesmo. Pior: canta e ri, uma loucura. Que diabo de sofrimento é esse com essas gargalhadas todas?

A moça é assim mesmo. Não tem jeito. E olhe que nem pediu caipiroscas de frutas vermelhas nesse dia, ficou apenas no chope, coisa fina e civilizada, pense no aprumo!

“Morrer dessa vez é que não vou”, tira onda. “Ih, estou escaldada, amigo”.

O que A. me contou uma das coisas banais que mais escuto das minhas amigas nos últimos tempos.

E olhe que sou conselheiro, ombudsman das moças, cupido e ouvidor-geral de muitas crias das nossas costelas.

A amiga deparou-se com mais um desses homens que prometem, ensaiam, jogam um charme, cultivam, cantam de galo... comparecem e..., sem dizer nada, tomam o clássico chá de sumiço, saem para comprar o king size, sem filtro, do abandono. 

“Por essas e por outras é que agora prefiro um bom canalha a um homem frouxo”, prega a amiga, conquistando rapidinho o apoio da távola redonda das gazelas ao lado.

“Um canalha pelo menos me pega com gosto, como se fosse mesmo a última noite”.

Defende a tese e emenda, riso desavergonhado: “Passava um verão a água e pão, dava o meu quinhão pro grande amor, mentira!”

É, rapazes, é tempo de homem frouxo, que corre mesmo diante da possibilidade de uma história mais densa e afetiva.

Não sabem o que estão perdendo.

A começar pela minha amiga cantante, belo exemplar da raça, no auge dos seus 3 ponto 6, boa conversa, boa lábia, gostosa, bocão-Jolie e um humor capaz de tornar o mais nublado dos dias na mais promissora e comovente folhinha do calendário.

Escrito por Xico Sá às 11h54

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O macho-garganta e a Síndrome de don Juan

 

Repare de novo na foto. Viu quem são as moças? Simplesmente Brigitte Bardot e Jane Birkin no leito de amor. Nome do filme:  "don Juan 1973", de Roger Vadin. Na cena, as deusas estão ansiosas pela chegada do grande mito da conquista. O verdadeiro e único.

Não é o caso do heroi que iremos tratar agora. Um tipinho que está em todos os lugares. Na firma e mais ainda no boteco da esquina. Todo cuidado é pouco com ele. Corra, Lola, corra.  

É o homem-garganta ou o don Juan de araque.

Uma das coisas mais hilárias, para não dizer infantis, dos modos de macho e os seus be-a-bás, é o caso desse tipo de cara.

O homem, o mito, a fraude.

Corra, Lola, corra, o don Juan paraguaio ataca novamente.

Narrativas eróticas que jamais aconteceram à vera, apenas e tão-somente na garganta, riacho de muitos peixes grandes, do contador de vantagens.

A nossa mania começa logo nos verdes anos, na mentira de que não somos mais donzelos, não somos mais virgens, cabaços.

No princípio, é uma vergonha assumir a virgindade no meio de tantos machões que nos desfiam suas epopéias com o mulherio.

Aí contamos também a nossa “vasta experiência”. E haja ficção. 

Um amigo relata no botequim que traçou uma flor do bairro ou a gostosa da firma; ouve o coro ridículo carregado de chope e testosterona à milanesa: “Comi muiiito!”

O falso don Juan é a doença infantil e incurável do machismo. 

A gente até julga que não seja nada ofensivo, mas se bem que, em alguns episódios, é chato para as moças.

Não digo pelo velho, careta e surrado “vai ficar mal-falada” na rua, no bairro, no trabalho.

Digo pelo que pode manchar a imagem da criatura. Principalmente quando o Pinóquio metido a don Juan é a maior sujeira, mó queima-filme da paróquia. 

Moral popular da história: todo homem, assim como todo pescador que se preza, tem sempre uma aventura maior que a vara.

E você, Lola querida, já foi vítima de algum falso don Juan?

Escrito por Xico Sá às 16h35

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Código dos homens honestos do Brasil

Neste solene dia da Pátria, invoco aqui na mesa branca o espírito francês do simpático gordinho Honoré de Balzac a trabalhar por mim.

Assim como retratou a incomparável mulher de 30 anos, Balzac também nos deixou o ``Código dos Homens Honestos ou a arte de se deixar enganar pelos larápios".

Falando das belas fêmeas ou da crônica do homem naturalmente corrupto, o sr. Honoré é padrinho afetivo e uma das principais influências deste blog. 

Feita a autopropaganda descarada de possível refinamento de leituras, vamos ao que interessa. 

Na terra das tenebrosas  e vultosas transações, é dia de homenagear, como nunca, e mais uma  vez, o ladrão de galinhas, esse pequeno escroque injustiçado.

É contra ele que a polícia e a comunidade se revoltam, como vemos no vídeo acima.

Não compreendem, como disse outro dia aqui nesta tribuna cívico-boemia, que a salvação do Brasil está no ladrão de galinha.

O ladrão de galinha, entre os profissionais, é o homem consagrado por um hábito imemorial, pra designar esses infelizes prestidigitadores que só exercem sua habilidade sobre objetos de pouco valor.

Em todos os ofícios há uma aprendizagem; aos aprendizes só são confiadas as tarefas mais fáceis , para que não ponha tudo a perder; depois, segundo o mérito, sobem gradativamente de posto.

Os ladrões de galinha são os aprendizes da corporação a que pertencem e fazem suas experiências in anima vili.

Da mesma maneira que o abade Faria iniciava o treinamento de seus discípulos na arte de hipnotizar utilizando uma cabeça falsa coberta por uma peruca, antigamente os ladrões de galinha treinavam num manequim pendurado por um fio.

Se o homem de vime fizesse um movimento, uma campainha soava; o professor imediatamente lhe administrava um saudável corretivo, depois ensinava o aluno a subtrair o lenço sutilmente e sem ruído.

Mas, esta idade de ouro dos ladrões de galinha não existe mais; a arte desses senhores, digna de Esparta, está em decadência: passou por várias revoluções, várias fases, e eis a situação atual daqueles que a exercem:

O pequeno roubo é, mais exatamente, o seminário onde se recruta para o crime, e os ladrões de galinha, como vemos, não passam de maus atiradores do grande exército dos profissionais sem patente.

Se o ladrão de galinha é um homem já de certa idade, nunca será grande coisa: é uma inteligência inferior , e nunca irá além de relógios, sinetes, lenços, bolsas, xales, e só terá problemas com a polícia correcional.

Quem você acha, amigo, amiga, que não passa de um reles ladrão de galinhas da coisa pública? Digo isso em comparação com as grandes raposas dos crimes de lesa-pátria.

O síndico do seu prédio, o prefeito da sua cidade, o vereador esperto, o ordinário chefe-de-gabinete? A hora e a vez de eleger o seu humilde larápio! 

Escrito por Xico Sá às 18h41

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Da inutilidade do Dia do Sexo

Tudo que eu consegui falar sobre o Dia do Sexo... e morri de vergonha assim mesmo.

Sou o último homem que ruboriza, cora, quando trata do tema assim abertamente. Eu amo o assunto quando é meio escondido, reservado, na moita, jantarzinho, quatro paredes.

Se tem uma coisa que não carece ter um dia específico é o tal do sexo.

Fico pensando no taxista, o mesmo que te deseja feliz dia de qualquer coisa, boa Páscoa, feliz Natal, te desejando "uma bela trepada, amigo".

Seria ridículo.

Quando penso em uma data, penso logo em alguém me desejando algo superlativo naquele dia.

Não, não quero que o porteiro me deseje "feliz foda, velho Xico". Perdão pela grosseria na escrita. Eu me recuso.

Que data, que dia esquisito!

É como diz aquela broma: aqui em casa tem  sexo todo dia, eu estando presente ou não na área. Então para que celebrá-lo?

Iria evitar o tema, mesmo sendo um viciado em estranhas datas comemorativas. Uma mania dos velhos almanaques herdada do avô pernambucano Manuel Novais.

Iria evitar, mas não tem como. Seria imperdoável para um cronista que só pensa nisso – e existe outra coisa para se pensar?, me cutuca o amigo calabrês Marcelo Coppola.

Sexo, pizza e feriado são sempre bons. Mesmo quando são muito ruins.

 Li esse grafriti num banheiro de Londres e achei lindo.

Depois vi num filme cuja trama põe dois garotos com uma encantadora gostosa juvenil. Esse nem o São Google me ajuda a lembrar o título, massa cinzenta de uma mente com neurônios carcomidos pela maresia do tempo.

Outra boa sobre o assunto lembrei semana passada, em um bate-papo com a escritora Sônia Rodrigues. É do tio Nelson, pai dela, óbvio: “Sexo é coisa para operário”.

Às vezes é mesmo.

Corta para uma mesa do restaurante Pasta & Vinho, Barão de Capanema, SP, ano da graça de 1994. A internacional e incrível Elza Barroso se vira para o Coppola, o mesmo calabrês de linhas acima, e sapeca:

“Em Londres não se faz mais sexo, amigo, isso já era”.

Coppola (pronuncia-se Cóppola) não copularia tão fácil naquela noite vazia.

 "Ao Love Story, a casa de todas as casas, taxi driver!", ordenamos. Foi o jeito.

É, pensando bem até que o Dia do Sexo nos serve para ativar a memória afetiva.

Está valendo.

Só não vale aquela boutade batidona do Woody Allen de que ele é a melhor pessoa que fez sexo com ele mesmo.

Mas vale uma antiga tirada de um  grande poeta marginal da Copacabana nos anos 1970-80:

“Pra curar um amor platônico só uma trepada homérica”.

O nome do cara é Eduardo Kac, atualmente um puta artista de vanguarda considerado no mundo inteiro.

Dia do Sexo. Fala sério. Com licença que eu vou ali comemorar com a minha boneca inflável mais honesta.

E como sempre deixo uma provocaçãozinha idiota, vos indago:  qual a melhor trilha sonora para tal prática?

Teve um tempo que eu amava com a Sade. Juro. Era lindo.

com Neil Young, clima moteleiro de beira de estrada. Com o Serge Gainsbourg é muito óbvio, mas também rolava. Sea of Love, da  Cat Power é covardia, não vale. 

Tem moça, por exemplo, que só funciona com Nina Simone nas orelhas -a gente sabe logo quando vê um belo olho esquerdo melancólico.

Enfim, sem mais enrolação, qual a sua trilha predileta, já que hoje resolvemos aumentar até o talo o som e a fúria das obviedades?  

Escrito por Xico Sá às 02h43

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Até que a área de fumante nos separe

   

A lei antifumo dissipou as nuvens de fumaça que davam aquele charmoso ar de nouvelle vague francês aos bares, tavernas e restaurantes.

Tudo bem, trouxe benefícios à saúde de muita gente, óbvio. E você não chega mais em casa com gosto de cinzeiro.

Importante. Mas não é disso que vamos tratar agora, afinal de contas aqui louvamos mais os vícios do que as virtudes.

O mais interessante para este cronista de costumes é a mudança de comportamento e como isso interfere na vida da tribo.

Baforem e reflitam comigo:

Você deixa o seu amado(a) pitar lá fora sozinho(a), justamente naquela área mais animada do pedaço ou o acompanha, mesmo não sendo fumante?

Este blog do amor e da sorte adverte: é lá no burburinho da fumaça, seja na calçada ou em área reservada, que costumam estar as pessoas mais interessantes.

Um perigo.

Já testemunhei, na noite de SP, vários casais sendo dissipados como a fumaça dos bares. Acontece.  

Mas sejamos otimistas qual uma Pollyana, moça, de segunda-feira: tenho um amigo que parou de fumar, ô fofo, para não desgarrar da sua encantadora alma gêmea.  Tá vendo como o amor é lindo!

A Wanda, aquela mulher com “W” maiúsculo musa de uma das músicas do mundo livre s.a, foi o contrário. Ciumenta que nem uma galinha que cuida dos seus pintinhos hoje bafora o king size do grude amoroso lá na roda dos fumantes.

Até então falamos da paranoia amorosa. Algo tão comum quanto fumar por tabela ou respirar monóxido de carbono em São Paulo.

Não podemos esquecer os casais bem-resolvidos, tranquilos, que se garantem, com ou sem a cortina de fumaça do destino. Também acredito nisso. Melhor, às vezes acredito nisso.

A amiga Veridiana, filha de um papai fã do cineasta Buñuel, confessa que a lei antifumo dá um belo suspense aos casais formados por fumante e não-fumante. Dá um ciuminho flamejante.

Ela fuma. Ele espera na mesa com os amigos.

“Gosto que ele me veja ao longe, capricho na pose, ele está virando um voyeur deste cinema que faço pra ele”, conta.

O leitor cético com as artes amorosas há de dizer: isso é começo de romance. Sim. Primeiro mês de enlace. Mas, acredite, isso pode dar certo. Às vezes.

Agora é a sua vez. Alguma historinha sobre a cortina de fumaça já interferiu na sua vida?

Escrito por Xico Sá às 14h35

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Pelo striptease público e gratuito

Quase agorinha. Foi lindo. Bem na frente da estátua de João Cabral de Melo Neto, na rua da Aurora. O poeta, austero com as palavras, quase deixa escapar um frouxo adjetivo. Soltou um risinho de cimento.

Eu curti. Isso é que é presente de domingo. 

A jambo-girl corria na frente do namorado ou marido. E numa zanga com o bofe promoveu um belo strip. Delicia. Isso é que é protesto.

Havia bebido. Chega de lei seca.

E os peitinhos de pitomba? Minha madrecita. Lindos. Que omoplatas! Que rádio! Que perônio! Que umbiguinho de vedete!

Alumbramento é o vocábulo certo para descrever a sensação que invadiu a mente suja deste passante.

Fiquei lembrando de outras ocasiões parecidas e tratadas em velhos textos.

Pois é, quem não tem na família ou no grupo de amigos uma mulher que bebe e tira a roupa atire o primeiro sutiã neste cronista.

É um clássico.

É uma das cenas mais lindas e chapantes da admirável e nada bucólica paisagem humana.

Porque não é nada simples, amigos.

Não é safadeza propriamente dita, não é aparecimento, não é um ato contra a moral e os bons costumes. 

Está mais para o sagrado, mas isso também é pouco, não explica direito.

É bonito, pronto, nada decifra.

É como se batesse um miserável calorzão da existência a pedisse o mais natural dos gestos de uma fêmea.

Nessa hora, toda mulher é meio índia a caminho do afluente amazônico mais próximo. Ela se joga e se enfeita de vitórias régias. 

A todo instante, a qualquer momento, agora mesmo ai perto da sua casa, uma mulher que bebeu mais uma dose tirou ou vai tirar a roupa. Momento sublime movido a fome de viver e álcool, claro. 

E quando sobe na mesa é mais lindo ainda.

E a cara do marido,  tentando apagar aquele incêndio iluminado?

Um Deus nos acuda.

“Só não é bom quando é a nossa própria mãe”, me diz aqui o Arnaldo, vítima de tal drama.

Porque ver a mãe pelada no meio da festa dura para o resto da vida. Não tem divã nem macumba que curem mais o juízo. Mais mil anos de análise, como diz meu amigo Adão Iturrusgarai.

Para quem não é filho ou marido é quase invisível, de tão sagrado, o corpo de uma mulher que tira a roupa na frente do mundo todo e de todo mundo.

E normalmente a mulher que tira a roupa é uma pudica, veste-se mais comportada do que Maria Antonieta.

É um longo e demorado strip-tease. Se brincar ainda usa combinações, anáguas, é um filme de época.

Melhor ainda é a mulher que tira a roupa cantando uma música cafona, como as lobas do livro de Thiago de Góes. “Esta noite, eu vou fazer de conta que sou livre. Eu vou viver a vida que ele vive, e depois eu posso até morrer”, canta a desalmada, um clássico de Diana, a mitológica.

Vale também o forró "Beba doida", vale uma canção bem safada do "3 na Massa" na voz da galeguinha Karine Carvalho

E você, amigo, já deu a sorte de tal espetáculo? E você, amiga, já promoveu esse belo alvoroço?      

Escrito por Xico Sá às 13h21

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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