Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Pedindo Luíza Brunet em casamento

Querida Luíza, venho por meio desta pedir tua mão em casamento.  

Que me desculpes por ser tão direto. É que sempre tenho a sensação de estar chegando atrasado nesses nobres momentos históricos, afinal de contas só agora, uns três dias depois, soube que estavas solteira e à procura de um novo amor, conforme li na Contigo.

Claro que não dei ouvidos à historia que estavas saindo com um magnata paulista. Prefiro não saber e seguir firmemente na minha proposta.

Luíza, não sou assim um barão do café, da soja, da usina, da bolsa, muito menos um jovem milionário das novas tecnologias.

Mas derramaria com gosto o meu suor, Luiza, para te dar casa, comida, roupa lavada, flores fora de hora e uns presentinhos honestos nas datas celebrativas.

Revelastes o desejo por alguém que a leve ao cinema, que comente sobre o filme, que faça passeios de mãos dadas.

Te levarei a sessões vespertinas, Luíza, e de lá sairemos, ainda com o sol por testemunha, para discutir a longevidade criativa do Woody Allen.

Sempre de mãos dadas, meu colosso, tu na parte de dentro da calçada, o lado que um homem de boa vontade deve conduzir a namorada, para proteger da ruindade do mundo e dos motoristas mal-educados.

Casa, comida, roupa lavada e alguns bilhetes de ponte áerea. Sei que tens tua vida, não precisas de um senhor que ajude, mas aceitas que é de bom grado e motivo de orgulho para um homem.

Trabalharei duro para isso, escreverei bula de remédio, press-release de sub-celebridade e biografias de madames da alta sociedade.

Sei que não lembras de mim, evidentemente, afinal de contas tomamos apenas um café em Paraty, durante a Flip, quando me vi metido em alumbramento de noviço.

Que cases comigo, Luiza, e terás massagens nos pés e no ego. Serei teu banco 24 horas de dengos e cafunés.

Tentarei adivinhar teus desejos e correr adiante deles para realiza-los, afinal de contas eis o papel de um homem ao lado de uma fêmea.

Te darei empadas de camarão bem quentinhas!

Te farei um picadinho à brasileira incrível. Com ovo pouché e tudo, que é um dos maiores desafios de um homem que se mete a cozinhar sem sabê-lo, só para mimar a sua amada.

Por ti, Luíza, canto e cumpro todos aqueles sambas de regeneração, sacas? Aquelas letras cujos adoráveis vagabundos prometem mudar de vida.

Que não penses muito, afinal de contas não sou lá um grande partido, mas que aceites, pois tentarei cumprir, qual um Hércules, os 12 trabalhos do amor.

Sim, evitarei, a todo custo, a cara de marido, a pijamização dos acomodados e não permitirei que os cupins da rotina destruam nossas portas e janelas.

Quero que sejas minha mulher, quero ser teu homem.

Que não penses tanto, que assustada digas sim. E pronto. Com um beijo, atenciosamente, XS

Escrito por Xico Sá às 09h27

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Enigmático sorriso da Monalisa de calçada

 

Vai chegando o final de semana e o barraco aqui vai ficando mais lírico e menos devoto à realidade besta. Afinal de contas, como dizia meu amigo Timothy Leary, a realidade é apenas uma opinião. Nada mais. 

Aqui na rua da Aurora, Recife, a rua da luz mais bonita do mundo, segundo Gilberto Freyre, aprecio a natureza humana.

É um segundo da mais absoluta beleza. Lá vinha a morena. Minhas retinas fecham em close. Que maravilha. Aquele sorriso, como digo, indecifrável. Porque não se trata de um sorriso besta de alguma felicidadezinha passageira, de um ganho financeiro, da sorte no amor ou no jogo.

É mais enigmático. Muito mais do que o sorriso da Monalisa, que reza a lenda, era o sorriso de uma grávida.

Não é o sorriso dos paraísos artificiais dos remédios tarjas pretas ou de alguma pastilha psicodélica. Nada.

Não é apenas o sorriso de quem recebeu uma notícia alvissareira, passou no concurso ou viu o regime fazer o efeito pretendido, uns quilos a menos, nova silhueta, que beleza! Nem chega perto.

Também não é o sorriso de quem ouviu uma cantada de amor com requintes de vida eterna.

A moça que ri sozinha na calçada é um mistério.

 Não é o riso de quem ouviu uma piada, um “gostosa”, “tesouro”  etc etc. É bem mais profundo.

Seguramente não foi uma grosseria de pedreiro.

Foi muito além dos belos dizeres dos feirantes, esses líricos, esses Vinícius de Moraes e suas baciadas de adjetivos. Por isso que digo, moça, uma ida à feira equivale a várias sessões de terapia ou análise.   

De que ri a gazela?

Será que a moça que vem na calçada ri de alguma coisa que despencou-lhe, naquele exato instante,do trapézio da memória?

Alguma coisa muito engraçada dos tempos em que ela era uma pequena, uma menina, quem sabe uma queda de uma árvore ao subir pela primeira vez no pé de jambo da frente da casa suburbana?

Não é o sorriso de quem recebeu carta do estrangeiro, carta do amor que um dia escafedeu-se, saiu para comprar o king size do desamor e do desprezo.  

Às vezes parece um pouco com um certo sorriso de maldade. Uma pontinha de vingança, quem sabe. Mas que nada. Só parece. Nada que valha o veredicto.

À medida, mesmo naquele rápido segundo, que os lábios voltam ao normal, desfazendo o sorriso e as covinhas, vê-se que não tem nada de maldoso naquele retrato. Muito menos é tingido pelo gloss sabor uva da ironia ou o batom vermelho das vinganças. Não, não é nada irônico, nada ressentido.

Quanto mistério num sorriso de tão pouco tempo. Daria uns cinco anos de vida em troca do esclarecimento desse enigma de um segundo.

Chego até a refletir, cofiando a barba rala e dando pequenos nós na costeleta: será que é consciente, será que elas sabem que o misterioso sorriso toma conta do rosto naquela hora?

Não, também não é só sexo. Por mais que o gozo, a pequena morte, como dizem os franceses, faça bem à pele e seja motivo do carnaval particular no peito,não é esse ainda o motivo isolado daquele sorriso, um sorriso mais invocado do que o sorriso do gato de Alice.

Gastaríamos dias inteiros em especulações metafísicas sem rumo. Coisa de agoniar o juízo.

Melhor mesmo apreciar,  em uma cadeira de um bar de esquina, esse lindo mistério das crias das nossas costelas.

Sob a luz do final da tarde, aí é que o enigma do sorriso de graça nos deixa mais na fissura ainda. Uma mulher que passa e fica. Como o amor daquela rima antiga.

Escrito por Xico Sá às 14h50

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O caso real do vestido de noiva sem calcinha

Capela da Sagrada Família, bairro do Vergel do Lago, subúrbio de Maceió, Alagoas, um dia quente de julho do ano da graça de 2011.

O noivo espera diante do olhar de um mal-acabado e resignado Coração de Jesus e de um inquieto vigário que não tolera atraso.

Depois de 45 minutos, o tempo de um jogo de futebol (naquele momento jogavam CRB e Fortaleza), a noiva adentra ao recinto. No embalo de uma valsa e do amparo do braço paterno, a moça chega ao altar.

O vigário dá um “confere” geral nos trajes da senhorita Enislene Alcântara, a Leninha, um quarto de século de vida, professora do ensino fundamental.

Observa o religioso que o decote traseiro descia até o limite da irresponsabilidade cristã, quase na bunda. Cofrinho. 

Noves fora o julgamento sobre o bom gosto ou não das vestes, o septuagenário padre Jonas Mourinho desconfia que a pecadora esteja sem calcinha.  

O padre cochicha no ouvido de uma noviça, que o ajuda na celebração. Até a tia mais fofoqueira da noiva silencia nesse momento. Não se ouve um pio dos  convidados da cerimônia.

A noviça pega no braço da noiva e a conduz aos fundos da paróquia. Por ordem das autoridades religiosas, a noiva se despe. Uma linda. Certinha do lalau, como se dizia antigamente.

A noviça retorna e comunica o veredicto ao padre Mourinho.

O padre convoca os senhores pais. Sussura o ocorrido, sem que ninguém, nem os próprios noivos, saibam o que estaria em andamento.

Ao microfone, o vigário comunica, então, ao distinto público, que o casamento não seria realizado. Motivo: sem calcinha e com a região pubiana depilada a noiva profana descumprira o rito sagrado do sacramento.

A depilação a zero, segundo o padre Mourinho, seria um pecado a mais:  “Os pêlos pubianos marcam a transição entre a infância e a vida adulta, portanto retirá-los seria realizar apelo pedófilo para a prática sexual”.

Como ainda chama a atenção a informante Paula Medeiros, a gueixa do sertão, o padre teria firmado, de punho próprio, no manual de casamentos da paróquia, as seguintes e novas regras morais: 1)“Noiva sem calcinha é satanás na cabecinha"; 2) "vagina careca é o diabo na boneca".

Parece broma ou drama rodriguiano. Por isso que é cada vez mais difícil ser escritor de ficção no Brasil. Mais difícil ainda saber o que é verdade ou mentira no marzão de histórias da internet.

Este "fato" nupcial, por exemplo, foi reproduzido, de forma mais objetiva e jornalística, por milhares de sites noticiosos no Brasil. É só conferir. Difícil agora desmenti-lo, mesmo que não pareça tão verdadeiro assim. Eu mesmo o adulterei, com as tintas do gonzo e do exagero, neste post. 

No que acreditar ou ler como texto fictícios nos dias que correm?

Só sabemos que depois de todo o bafafá, a noiva se queixou de tara do vigário, que a devorou com os olhos que a terra biblicamente há de comer.

Agora ela pensa casar em um terreiro de umbanda, pois só acredita nos deuses que dançam.

O que você faria, amiga, se fosse posta em uma saia justa dessas? E você, amigo, no papel de noivo, o que faria com este desalmado vigário?

Escrito por Xico Sá às 14h25

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Você prefere Sarney na política ou na poesia?

Por favor, me ajudem a entender a crônica da aposentadoria anunciada pelo próprio senador José Sarney. Disse que vai deixar a política (brevemente) para entrar de vez na literatura.

Não tive como não lembrar, amigo, de uma velha e porreta manchete do "Planeta Diário", genial humorístico carioca dos anos 1980: "Sarney volta da China e vai à merda". Aliás, a primeira grande fusão da economia brasileira foi a do citado jornal com a Casseta Popular", o que daria, logo depois, na turma toda do "Casseta & Planeta" 

Agora falando sério, meu rei Roberto, de novo.

Nas últimas 24 horas não penso em outra coisa. Mesmo depois de um ótimo bate-papo com o grande Petkovic e o doutor Sócrates no Cartão Verde, na TV Cultura. Mesmo depois da dialética do esclarecimento cerverjístico com os bons amigos na Mercearia São Pedro, aqui na freguesia da Vila Madalena. 

Por favor, me acudam. Não entendi nada ainda. Só sei que nada sei, como diria aquele outro grego que não jogou no Corinthians. 

Primeira razão da leseira-slow do meu desentendimento:

A dupla militância de beletrismo (leia-se Academia Brasileira de Letras ou academias estaduais de letras) e política sempre foi muito comum nestas tropicalientes plagas. Até colunista político é eleito para a ABL, como vimos recentemente no caso do Merval Pereira.

Isso nunca foi problema. Sarney, aliás, poeta precoce e político idem, é o exemplo mais longevo disso tudo, brasileiros e brasileiras.

A arte de engambelar os bestas, como diria o Padre Antônio Vieira em seus sermões em São Luís do Maranhão, sempre caminhou junto do jeitinho literário.

[Aquela história drummondiana do poeta municipal passando o caô lírico no bardo estadual e alguém mais adiante, na poética federal, tirando ouro do nariz sem concorrência pública... é pá, pum, tiro e queda.]

O eterno e nunca moderno Sarney, com sua farda, fardão e mandato, que o diga. Por isso estranhei deveras a sua generosa despedida precoce da política, anunciando que irá se dedicar, doravante, mais aos seus livros.

Então comece, poeta José de Ribamar, pelo grande estoque de “Marimbondos de Fogo” (ed.Siciliano,1979). Tente desovar, poeta, pois os sebos do Brasil inteiro estão cheios deles. Tomara que o mesmo não aconteça com as bibliotecas públicas.

No estante virtual, que reúne sebos do Brasil inteiro, vossa excelência pode recomprá-los, inclusive alguns autografados por ex-fãs ou amigos ingratos, a R$ 8,50.

Na sua própria São Luís, vi fartamente no sebo Poeme-se, na Praia Grande. Ironicamente, ou sacanagem propriamente dita, havia um duelo na estante: Marimbondos x “Honoráveis Bandidos” (Geração Editorial), do jornalista Palmério Dória. Lado a lado.

No Chico Discos, outro sebo de responsa da Ilha maranhense, se tinha... o volume estava escondido. Achas um aí, Aline, musa-mor da área. Será que tem, grande Zema? Ajudem.

Quanto ao “Brejal dos Guajas”, outro livro do homem que sai da política para reencarnar no beletrismo, só nos resta reviver a crítica apurada de Millôr Fernandes. É só correr aqui, meu jovem.

Poesia e política são demais para um homem só. Disse aquele poeta do filme “Terra em Transe”, de Glauber Rocha. Será que Sarney acreditou que fez alguma das duas coisas que preste e, talvez por isso mesmo, tenha que abandonar uma para entrar na outra?

Só o vento e os meus comentaristas de plantão sabem a resposta. É com vocês. 

+ Sarney no blog: a vitória fácil do político e do poeta no concurso em homenagem a Oswald de Andrade e o seu jornal O Homem do Povo

Escrito por Xico Sá às 03h48

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Dia nobre para um ato de caridade sexual

Hoje é dia da Caridade. Não, amigo, não é uma dessas datas vagabundas cravadas no calendário informal por ai, como o dia do Homem, por exemplo, festejado também neste mês.

Dia da caridade é coisa séria. Antiga. Não é feriado, mas marco importante das celebrações católicas apostólicas romanas.

E você, leitor, leitora, já fez a sua caridade hoje?

Chiste à parte, a data me lembra, por vias nada religiosas, da velha e boa caridade sexual. Quem na vida já não cometeu a sua, não é?

Este mal-diagramado cronista, por exemplo, já foi beneficiado incontáveis vezes por piedosas almas. Ao contrário da maioria dos marmanjos, as fêmeas são muito generosas nesse capítulo.

O dia da Caridade me lembra também um belo filme espanhol chamado “Sexo por Compasión”, de 1999, da diretora Laura Mañá.

Na fita, Dolores (interpretada pela gostosa francesa Elisabeth Margoni), faz uma caridosa mulher de 50 anos que sai por ai salvando da carência sexual tudo que é feio, sujo e malvado.

Lindo demais!

Sim, é preciso fazer algo por este imenso reino da Carençolândia em que vivemos, esse Jequitinhonha sexual onde muitos fizeram morada involuntária, esse semi-árido do amor e da sorte.

No que lembramos também, além da leve sacanagem do cinema espanhol, do grande São Paulo, o apóstolo, que no versículo 3 do capítulo 13 da primeira Epístola aos Coríntios, louva:

“Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!”.

Este blog, além de ser cultura, é, antes de tudo, um fomentador das virtudes cristãs. No sentido mais pleno. Como o sexual, obviamente.

Bom dia da Caridade a todos. Que aquela gostosa seja mais dadivosa com os seus desejos antigos e tenha compaixão como uma Elisabeth Margoni; que aquele rapaz dos seus sonhos mais úmidos e solitários -como os sonhos do romance Sabrina-, faça finalmente uma missa de corpo presente.

Escrito por Xico Sá às 11h54

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Homenagem à Maria Chuteira, essa injustiçada

 

Minha pátria é a pátria do meu uísque. Não a pátria em chuteiras, tio Nelson. Portanto não teria como não secar o Brasil da CBF ontem.

Aproveitamos o ensejo do triunfo paraguaio para homenagear, em nome de Larissa Riquelme, a musa da torcida Guarany, todas as marias chuteiras do mundo.

Sim, essa pobre moça, normalmente execrada no mundo do futebol. A Maria Chuteira suporta, fiel e resignada, o banco de reservas, ela não nasceu para matriz, amar demais passou a ser o seu defeito, mesmo sendo apenas a filial.

Mais importante do que qualquer camisa 12, ela não treina, não joga, mas é quem salva as concentrações, os Carandirus ludopédicos, do tédio e da miséria humana, reanimando o boleiro para o clássico.

É ela quem diz “xô má fase, xô uruca”, é na Maria Chuteira que estão os poderes.

A Maria Chuteira está para o atacante em jejum como São Pedro, padroeiro dos pescadores, para os Santiagos (vide O Velho e o Mar) que não veem há tempos um grande peixe na rede. Ela é a Iemanjá dos gramados.

Ninguém beija aliança ou faz o coraçãozinho na mão (como o Pato devoto da sua noiva gazela) para oferecer o gol à nobre moça dos amores clandestinos.

Nem quando nasce o seu filho por fora, o atacante faz o gesto inventado pelo Bebeto na Copa de 94 -o nana neném para as câmeras é exclusivo da família oficial.

Pobre moça dos afetos paralelos, és a Maria Madalena do mundo da bola.

Meu glorioso Santo Antônio, protegei a Maria Chuteira, ela também é filha de Deus.

Tudo bem, moralistas a julgam oportunista, perdoai, eles não sabem o que dizem.

Não sabem o peso de ser a outra permanentemente. Por toda uma vida.

Boleiro é mais moralista ainda, separa mulher para casar de mulher para o recreativo social clube. Treino é treino, jogo é jogo, vale a máxima do Didi, sempre, ô raça, como blasfemaria o Tutty Vasques.

De todas as Marias, a Maria Chuteira é a mais perseguida e folclorizada. Nem a Maria Gasolina sofre tanto na encruzilhada pseudomoral.

A Maria Claquete (cinema), a Maria Ervas Finas (chef de cozinha), a Maria Picape (DJ) e tantas outras usufruem sem preconceitos da admiração pelos seus artistas.

A Maria Teclado, nem se fala, ama legitimamente escritores e ainda ganha o status de musa. A groupie de astro de rock ou de qualquer garoto de banda, nossa, no problem, amor livre sem os beques morais da sociedade.

Maria Chuteira não, pobre moça.

Ela chega cedo ao CT, acompanha a chatice dos treinos táticos, aguenta os professores Pardais e seus 3-3-4, seus 3-5-2 noves fora nada, espera os cobradores de falta chutarem contra barreiras imaginárias…

Sim, Maria Chuteira, uma heroína. E imagine aguentar papo de boleiro nas oiças? Se homem normal já mente à beça, imagine um “migué” ludopédico no juízo!

Sorte é que, enquanto o perna de pau está se achando, a nossa heroína já está fazendo seu teste de DNA na esquina. Bem feito.

Escrito por Xico Sá às 15h51

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Com as gostosas Plus Size ou Vida tamanho G

As gazelas voadoras  do SPFW e de outras semanas de moda que me perdoem, mas a gostosura feminina está mesmo é no FWPS, o Fashion Weekend Plus Size, evento  tamanho G e GG que aconteceu ontem aqui no shopping Frei Caneca, na Pauliceia da pizza, do pastel, das fogazzas.

Que bela fartura. Passei mal só de ver as modelos chegando na área.  Parecia um belo filme do  Tinto Brass, como este aí do cartaz acima. Nuestra madre!

“Isso é que é mulher, não aquele passarinho que eu tenho lá em casa”, bradou Claudio Taveira, 31, vendedor, na praça de alimentação, pouco depois da subida das moças para o local do desfile .  “Vivo insistindo pra minha mulher comer mais”.

Elas são maioria nas  ruas, nos bares, nos lares, nas praias, nas firmas... Onde estiver um naco da vida dita normal, lá estão as gostosas conhecidas vulgarmente como cheinhas.  Fêmeas que oferecem o que pegar, apalpar, sentir e toda aquela maciez que torna a existência menos  dura e desconfortável.

Elas são a absoluta maioria, mas pouco aparecem na moda, na revista, na tevê.  Mas não vou cair aqui de novo, amigo(a), no trololó do padrão de beleza imposto pela publicidade e blábláblá. Necas.  Bora logo direto ao umbigo barroquinho da questão:  como é linda a desavergonhada fartura corporal de uma mulher .

O bom do Fashion Weekend Plus Size é que, além dos evidentes interesses comerciais, começa a mostrar que é possível quebrar o tabu e exibir mais a gostosura das cheinhas. Quer dizer, da típica brasileira boa de tudo, inclusive de bunda. Tomara.

O sociólogo e escritor pernambucano Gilberto Freyre, grande defensor de uma moda mais tropical, iria adorar ver essa nova tendência.

Como defendo no “Manifesto pela mulher-comfort”, no livro “Chabadabadá”,  não estamos tratando apenas de quilos a menos e quilos a mais.  O que pega, amigo, além disso, é a falta de maciez mesmo, o confortável amaciante das carnes das moças.

A maciez que não encontramos na obsessão pelos músculos ou pela magreza absoluta.

Por um plus a mais, como se diz na boa onda bilíngue pleonástica! Como se vê agora, inclusive na passarela do FWPS.

Escrito por Xico Sá às 03h57

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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