Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Como fazer uma crônica -breve receita

Algumas saem fáceis, como aparentam aquelas de Rubem Braga, como uma polaroid, uma pose digital, olha o passarinho, diga xis, um sabiá teimando contra o barulho da metrópole.

Fáceis como beijos roubados de mulheres difíceis, na dança, na pista, uma moleza, como empurrar bêbado em ladeira, como Vinícius no elogio de uma saboneteira, como descer para um café ou uma cerveja aqui na esquina da Augusta, como quem costura para fora, mesmo sabendo quanto custa a mais-valia da musa da encomenda.

Mesmo sabendo que na vida não tem almoço de graça, muito menos sobremesa, mesmo sabendo que a vida não é café pequeno, mesmo sabendo que no fundo da xícara, na borra mais árabe, o desenho do futuro, Etelvina, é obscuro, o jogo do bicho, Etelvina,  ainda não permite o teu luxo, a vida, minha menina, é cronicamente inviável.

Algumas, menina, são crônicas de britadeiras, saem na marra, à força, furando o asfalto para tirar uma florzinha de nada, a peleja do escriba com o lirismo que não chega nunca, as chagas abertas, croniquinha raquítica, só o fiapo de narrativa, sem sustança, sem tutano, coisinha sem graça, metalingüística, a crônica sobre a crônica falta de assunto.

Algumas vêem ao mundo para confundir a audiência, são crônicas-travestis, arte dos cronistas transgêneros... Pois é, menina, a gente não sabe se é um conto, uma rápida elegia expressionista, um poema em prosa, sabe-se lá, menina, mas mesmo não sendo nada já nasceram crônicas.

Algumas, não têm jeito, eram apenas notícias, que o dedógrafo teimou em decepar as aspas, minha menina, e enfeitar o naturalismo como pôde, coitado.

Algumas, menina, são para ninar as moças nas sestas, como as de Antônio Maria, sabia?

Algumas são de costumes, e até ficam como registros históricos, crônicas de épocas, já ouviu falar em João do Rio?

Algumas já nasceram crônicas de rua, como a grande arte de chutar tampinhas, como os sem-teto e malacos, como os bambas das sinucas das antigas, aí já estamos em João Antônio, manja?

Algumas são do amor louco, menina, como aquelas do velho Charles, o safado catando milho na Remington, menina, com aquela outra menina na praia, gaivotas quase a bicar-lhe os peitos, como no cinema.

Algumas, minha adorável criatura, minha menina, são como aquelas, lembra, quando me conheceste, lembra, quando pela primeira vez, lembra, lindamente me deste?

Escrito por Xico Sá às 21h50

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Amor sem barraco é o amor dos fracos

“Acabamos numa boa”, me diz a amiga W., uma das tantas moças de fino trato que me elegeram confidente. Tudo bem, sou todo ouvidos, escuto imperturbável e sereno como uma caricatura do doutor Sigmund Freud baforando o seu charuto.

Ela prossegue: “Sem drama mesmo, sabe?”

Sim, sei, conta outra para ver se acredito.

“Nunca achei que fosse possível terminar de uma forma tão tranqüila e sem mágoas”, W. não para de falar, compulsiva, com sua narrativa sob suspeita.

Ah, conta outra, amiga, desconfio no meu inoxidável silêncio de ouvidor-geral dos corações aflitos.

A mulher com W.maiúsculo, como naquela canção do Mundo Livre S/A, narra ainda: “Acabar assim é ótimo, agora temos toda a tranqüilidade para cuidar das coisas práticas sem aquela loucura no juízo”.

Na minha silenciosa caixola de confidente, agora toca baixinho outro refrão: “Que mentira, que lorota boa”. Essa é do Luiz Gonzaga, um clássico –não sei pensar sem fundo musical, mania antiga, leitores.

Ela fala mais que o homem da cobra, um Pentecostes de conversa, sempre com a mesma tese: acabamos numa boa, numa “nice”.

Conta outra, minha querida, pensa que eu nasci ontem e de sete meses?

Ah, toda vida que alguém me conta que pingou o ponto final em um relacionamento sem as dores de sempre, ligo o botão de todas as dúvidas e suspeitas.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem no Crato, Brumadinho, Mimoso ou Estocolmo, na Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” com o dedinho no gelo sem uma quebradeira monstruosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O mais relaxado dos latinos se acaba no bolero de Bienvenido Granda, com suas angústias e perfumes de gardênias.

O mais zen dos brasileiros acaba com os mananciais da da água que passarinho não bebe. E tome Roberto, Waldick ou Chico Buarque, no caso dos mais finos.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira costela ou com o primeiro traste que aparece pela frente.

Escrito por Xico Sá às 19h34

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Motivos para torcer ou secar o Brasil

Como diria Tim Maia e meu amigo cineasta Lírio Ferreira, colaborador deste post direto do festival de cinema de Paulínia, me dê motivos. Então, toma, meu querido, minha querida, nesta noite ludopédica de quarta-feira.

Para torcer:

O patriótico – somos brasileiros, puerra!, esses hermanos que se danem. Motivo que vale por todos os outros que virão na sequência, mas vamos em frente, se liga na rodriguiana pátria em chuteiras.

O filosófico – o fracasso de uma seleção renovada significa uma derrota do futebol-arte de Neymar, Ganso e do DNA brasileiro do jogo. Seria um horror precoce para a Copa 2014.

O histórico – depois da farsa na Copa do Mundo de 1978, quando o Peru vendeu o jogo para a ditadura argentina, o Brasil se vingaria em grande estilo.

O jornalístico: ler a capa, la tapa, do Olé, no day after, afe, num tem precio!

Para secar:

O político - além da desculpa histórica do futebol ser o ópio do povo (coisa dos homens mais velhos e ex-marxistas como o cronista deste blog), esse Ricardo Teixeira, todo-poderoso da CBF, é o canalha-mor do futiba brasuca.

O clubista – Corintianos, à espera do Tevez, são mais argentinos do que nunca; são-paulinos, eternamente em aliança afetiva com uruguaios, nem carecem de explicações.  

O regional - Batalha dos Aflitos - em solidariedade aos amigos torcedores do Náutico, em especial a Serginho Barbosa e Vozim. A tal guerra, pelo que se sabe, foi vencida espiritualmente por Mano Menezes.

O estilista - essa lista verde sobre o peito do uniforme do Brasil é um horror estético.

O personalista – esse Neymar é um metido, egoísta, firulento, não joga nada e, para completar, minha filha é louca por ele.

O autoritário dunguista – o Dunga estava certo e eu não sabia, como bem disse, em outras palavras, o capitão Lucio no seu discurso teixeirístico, talvez de encomenda.

O cala-boca Galvão eterno – e precisa explicar, amigo?

Escrito por Xico Sá às 19h17

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Atenção srs. pais: é o fim da idade dos porquês

É o fim, ou quase, da gloriosa idade dos porquês.

Você ai, amigo tiozão, reparou como a molecada nos faz cada vez menos perguntas?

O papai leitor também já sentiu o drama e foi humilhado em público pelo garoto sabichão e arrogante?

Sim, pode ser também um motivo de orgulho, dependendo do corujismo do sujeito com o seu pequeno príncipe ou a sua delicada princesa.

Ah, sem essa de gagarejar o anti-séptico da nostalgia, é que os meninos andam abusados mesmo. E pronto.

Cada vez nos indagam menos. Cada vez encurtam mais a fase dos porquês.

Somos diariamente humilhados pelo sr. Google e outros sábios  buscadores, como me confessa, na brisa da rua da Moeda, no Recife Antigo, o amigo Jordão, pai de Helena e Francisco.

Para completar, diz ele, ainda tem o Wikipedia, que funciona como aquele titio pescador, sempre com histórias fabulosas e nem sempre confiáveis.

Sem saída. Haveremos de nos acostumar a não ter mais respostas. Minha pequena vingança contra os sobrinhos e pimpolhos no geral é bombardeá-los de perguntas.

Não é nada bom se sentir obsoleto, porém, no meu pollyanismo crônico, vejo um conforto no novo costume.

A meninada para de encher o saco e ficamos apenas com o dever moral de lançar alguns conselhos inúteis, que não serão cumpridos mesmo,  e de outros resmungos caseiros na vã tentativa de enquadrá-los.

Eles sabem de tudo. Vão nos restar apenas gerenciar os gugus-dadás dos bebês. Perfeito.

Porque, convenhamos, era cada pergunta maluca. Achavam que éramos um programa de busca, uns oráculos, uns Sócrates, uns Platões de bobeira prontos para tirar todas as duvidas do universo.

Melhor mesmo a arrogância tecnológica dos pequenos do que os velhos interrogatórios.

Como chutávamos, meninos, nas respostas. Vocês não sabem quanto estão ganhando com as novas ferramentas da vida. Da cegonha à ida do homem à lua, haja chute.

E explicar por que o Kurt Cobain se matou? Tive que passar por essa com o filho de uma ex-namorada.

Haja filosofia de quinta e enrolação propriamente dita para me safar do nó existencial sobre o rapaz do Nirvana. Gastei toda a minha ignorância no mundo pedagógico de Jean Piaget e não teve jeito.

O mesmo guri foi mais longe, durante a passagem de uma troça do carnaval de Olinda: “Tio, para que tanta alegria?” Ai só me restou colocá-lo no ombro e seguir o inexplicável coro dos contentes.

Ufa, viva São Google e todas as buscas automáticas. E viva o titio pescador e fabulador das páginas não muito confiáveis  também.

Afinal de contas o mundo carece de enciclopédias abertas que misturem ficção e realidade.

Tentar separar uma coisa da outra é um ótimo exercício para os pimpolhos dessa geração tão prática e objetiva que saltou a idade dos porquês.

Escrito por Xico Sá às 12h38

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A mulher mística e o pé-na-bunda

"Minha pedra é ametista/Minha cor, o amarelo/Mas sou sincero..."

Essa história eu compreendi ainda nos tempos da versão original de “O Astro”. E não custa chamar a atenção, de novo, para o fenômeno.

No varejão das pequenas crendices e mandigas, homem e mulher revelam uma diferença lindamente patética:

A fêmea se põe mística quando inicia o processo de abandono do seu marido ou namorado.

O macho se torna o mais crente e supersticioso apenas depois que a casa cai, depois de um belo chute no traseiro.

Quando a tua fêmea, amigo, começar a falar em retorno de Saturno, na simbologia do tarô, nos recados do feng shui etc, te ligas, campeão: é pé-na-bunda à vista.

Por trás de todo mapa astral ou de uma nova visita à cartomante há sempre um abandono ou, no pior dos cenários, uma dolorosa e rodriguiana traição à nossa espera.

Ai só resta chupar o frio chicabom da solidão, como ensinou o tio Nelson.

Só nos resta mascar o jiló do desprezo e quebrar entre os dentes os palitinhos Gina da descrença e da sorte.

Só nos cabe sentar à margem do rio Piedra e chorar, segundo a recomendação suspeita do mago Paulo Coelho, este sim um incansável místico globalizado.

Sim, amigo, a mulher é esotérica desde a véspera da tragédia. Nós batemos na porta da cigana mais vagabunda apenas depois que Inês é morta.

Aqui me pego, agora mesmo, reparem no ridículo, lendo o destino e a sorte na borra de café, o velho método das Arábias.

Mais perdido do que um escoteiro lesado no Pico da Neblina, um homem é capaz de tudo.

No mato sem cachorro ou GPS, o macho moderno, este cara carente de banco de praça, faz sinal de SOS até para náufragos piores do que ele. Ô vidinha-Titanic e miserável.

Opa, calma, calma, que vejo algo nos desenhos involuntários do fundo da xícara.

Tento enxergar na borra do café o meu destino, a minha sorte e as escaramuças da pessoa amada, aquela maldita que nos parafusa na testa uma fantasia de viking.

Sério, amigo, como somos esotéricos depois que a casa cai.

Perai, epa, calma de novo que vejo algo bem definido no diabo da xícara.

Parece uma fruta. Pera, uva, maçã? Limpo as lentes de quase dez graus de miopia e astigmatismo e finalmente decifro: uma cebola!

Retrato do meu choro e do abandono? Seria simbologia óbvia demais.

Pera lá. Na dúvida, recorro ao “Guia da leitura no sedimento do café –arte milenar árabe de interpretar sua vida”, um livro da Batia Shorek e Sara Zehavi, que acabo de adquirir em um sebo carioca.

Opa, reparem só no significado da tal cebola: “Indica que a pessoa amada esconde algo do seu cônjugue e o assunto escondido é importante e pode machucá-lo”.

Neste caso nem escondia mais, já havia ido embora, estava da caixa-prego para a frente, mas reparem como funciona a leitura da borra!

Como homem, apenas li atrasado o fundo da xícara. Uma fêmea mística teria sabido tudo de véspera.

Escrito por Xico Sá às 12h47

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O filme de Gainsbourg II -final

No Gainsbourg do cinema, o seu alterego dramático vive a ressaca da existência representado por um boneco, marionete dele mesmo. Momento HQ do filme, mundo de origem do diretor Joann Sfar.

Na contramão dos sintomas de hoje, quando os homens mais fogem da intensidade e nadam de braçada na superfície dos sentimentos, Serge  vivia o amor por cada mulher –Birkin e Bardot que o digam- como se fosse o último suspiro.  

Mulheres, conduzam seus amores ou cachos para a sala de cinema mais próxima. O filme é uma lição para todos.

Além da ideia de intensidade, que hoje nos cai um tanto quanto demodê, outra faceta romântica é o jogo com o fracasso. Nosso Serge tentou todos os estilos e variações na pintura. Na sua temporada no inferno com as belas-artes foi cubista, surrealista, dadaísta...

Melhor ouvir o próprio monstro sobre tão delicado tema: "Depois me perdi, já não sabia onde estava. Lamento não ter sido Dalí. Ou Paul Klee, Max Ernst...".

Não se pode ser gênio em tudo na vida, grande Serge, relaxa. Até novelas escreveste, amigo. Achas pouco tuas provocações na caretíssima tevê francesa, tuas performances em carne viva, teu desassossego nos cabarés da margem esquerda do Sena?

Bastavas ter feito uma única coisa na vida e já estarias salvo. Nem estamos falando da desobediência civil -quase uma nova queda da Bastilha- de ter gravado a Marselhesa, o hino da França, em ritmo de reggae na tua fase hemp na Jamaica.

Desobediente mesmo, não apenas com a pátria-mãe, foi ao fazer da onomatopeia do gozo uma das maiores músicas de amor todos os tempos, o clássico de motel "Je T'aime Moi Non Plus". A musa dos gritos e sussurros foi Brigitte Bardot.

No filme o momento que nasce a canção é bíblico. Gênesis do erotismo.

É, meu velho Serge, a beleza é passageira, a feiura é para sempre.

Te vendo agora reencarnado lindamente pelo ator Eric Elmosnino, podemos comparar a amorosa à luta de boxe: os bonitões podem até ganhar por nocaute, mas os feios, sendo portadores de extremo charme, sempre vencem por pontos. 

Escrito por Xico Sá às 17h51

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O filme em cartaz de Serge Gainsbourg (I)

 

A beleza é passageira, a feiura é para sempre.

Corra, Lola, corrra, veja este filme em cartaz nos tais grandes centros. Veja, Lola, veja. 

Se não estiver nos grandes centros e ponha aspa nisso, amiga, já, veja nos melhores camelôs da praça. Pode baixar também agora em um milhão de sites. Lindo, vento só a favor do compartilhamento generalizado.

Agora voltemos à bagaceira, please.

O artista francês Serge Gainsbourg (1928-1991) sabia disso e usava tal sabedoria como uma grande vantagem. Assumia com muito humor o fato incontestável de ser um mal-diagramado.

Também pudera, esse “pequeno detalhe”, a aparência, nunca impediu que Juliette Gréco, Jane Birkin e Brigitte Bardot, para ficarmos apenas nessa santíssima trindade, ajoelhassem diante daquele nariz.

O homem, o mito, o anti-herói veio ao mundo com a missão de provar como as fêmeas, mesmo as deusas, nunca foram fundamentalistas em matéria de dotes estéticos dos marmanjos. Levam em conta o talento, o charme, a pegada, a graça de viver. Recursos que sobravam na despensa do châteaux bem frequentado do nosso amigo.

É o que vemos no filme sobre a trajetória de Serge, que estreou sexta agora em SP. Ao contrário do que sempre acontece com os títulos risíveis dos cartazes no Brasil, desta vez acertaram por completo na versão nacional: “Gainsbourg – O homem que amava as mulheres”.

Esta é a história em apenas uma linha, apesar de se apropriar de outro cartaz, o do filme homônino de Truffaut.

No original, a obra do diretor francês Joann Sfar foi batizada “Gainsbourg, Vie Héroïque" (Gainsbourg, vida heróica). E ponha heróica nisso. Da abertura, quando o menino judeu Lucien Ginzburg –nome verdadeiro do artístico Serge- enfrenta o pesadelo da França invadida pelos nazistas à subida dos créditos na tela, com a “decadence avec elegance” do anti-herói.

A devoção às mulheres é o rito gainsbourguiano desde criança. O primeiro alumbramento diante das moças, como na imagem daquele poema de Manuel Bandeira, foi ao espiar, no seu liceu de pintura, uma modelo viva nuazinha de tudo. Mesmo contra a orientação dos superiores, o pequeno Lucien persegue a beldade com insistente voyeurismo.

Com um discurso amoroso precoce, convence a modelo a posar para ele, inocente pintor. Neste momento o filme poderia muito bem ser narrado pelo doutor Sigmund Freud.

As cenas infantis descortinam o futuro do guri Gainsbourg. E não só na arte de amar as mulheres. Na desobediência permanente às ordens e esquemas. Assim como a criança aprontava no liceu, o adulto esnobaria a indústria da música com o seu jeito livre de revolucionar a chanson française.  

Por mais que o diretor estreante do filme, famoso como autor de histórias em quadrinhos, diga que cumpriu o plano de fazer apenas uma comédia musical na linha de "Todos Dizem Eu Te Amo" (1996; Woody Allen), não acreditem. Sim, as belas canções do personagem principal emendam a narrativa.

A fome de viver de Serge, entre o riso debochado e um certo existencialismo, no entanto, derrubam a tese e a modéstia do senhor diretor de cinema. O filme é um baita drama biográfico, bonito e melancólico, com o homem que amava as mulheres vivendo toda a consequência de se entregar ao caminho do excesso. (Parte 2 da crônica no post acima).

Escrito por Xico Sá às 03h46

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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