Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Greta Garbo e o massacre dos pombinhos

Uma semana infame para as damas e cavalheiros solitários. Que massacre. O romantismo como pacote de bugigangas: celulares, ipads, jantares finos, viagens, auto-ajuda, dvds. De Armani ao camelô, só se vendeu o amor.

A ditatura dos pombinhos, a felicidade em suaves prestações, sem juros. Mas com o  risco de tomar um pé na bunda antes de liquidar a fatura do cartão de crédito.

O maldito cupido de vitrine flechando os casais passantes, a cidade como um grande canteiro de baldes de flores. E você ainda com aquela obrigação muito romântica de uma baita performance na cama, mesmo depois de uma década de acasalamento. Como disse o Chaves ao Palocci, “fuerza, fuerza, camarada!”

A amiga B. desde ontem estava em pânico. Sozinha, odeia a efeméride pombilínea, blasfema aquelas obviedades todas, fala da hipocrisia etc. Mas o que a faz mais puta ainda é o almoço de amanhã, em plena data, o enrosco –verdadeiro ou falso- dos casais, dia em que até o flanelinha solitário suspira de inveja.

Ela faz questão de ir sozinha para o restaurante e desafiar os pombinhos que arrulham espezinhando sobre petit gauteaus e outras falsas impressões de que a vida é doce.

B. encarna a Greta Garbo -"i want to be alone!". Dispensa o amigo gay com quem sempre sai e expõe sua inoxidável solidão na mais lotada das casas. É quase uma provocação. Quase uma obra de arte panfletária contra essa coisinha bossanovística de que é impossível ser feliz sozinho.

Será?

De alguma forma a resistência da minha amiga e a sua Síndrome de Greta Garbo funcionam. Além de render muitas gargalhadas aos amigos quando ela narra a cena da sua solidão exposta como numa Bienal. 

Agora com licença que vou ali comprar a minha bugiganga, minha muamba, porque o amor aqui em casa é tão paraguaio quanto o meu uísque. Mas é igualmente lindo como o de vosotros.

Escrito por Xico Sá às 10h35

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Marvada crônica em defesa da cachaça

O que é isso, cachaceiro? indagaria o Gabeira. É, camarada, sobrou para a marvada pinga.

O mé, nobre Mussum, caro Antonio Carlis, agora está na mira dos mesmos senhores metidos que fizeram da comida um fetiche e do vinho do velho Baco uma religião de chatos.

É, o homem-bouqueq é a pior raça. Cheira a rolha, sente o amadeirado, discursa para a mesa como um sábio...

É, meu chapa Toulouse-Lautrec, cabarezeiro-mor, ninguém toma mais calado o seu humilde e baratinho Malbec.

“Cala a boca e bebe, porra”, mandou na lata, noite dessas, o Paulo César Peréio, um dedão em riste e o outro girando a pedra de gelo do uísque.

A taberna veio abaixo. Até o homem-bouquet riu e deu razão ao nosso amigo ator, macho e gaúcho de Alegrete, relaxando o clima tenso daquela nossa távola redonda.

 Te cuida, marvada, agoram querem te pegar para sangue de Cristo.

Tem um bocado de mala por ai tentando descobrir os teus aromas, teus boquets, teus cheiros guardados em barris de estragos.

Ah, salineiros corazones, que raça!

Bom que apareceu ai o compay Fábio Seixas, ontem no caderno “Comida”, na versão impressa desta Folha, com toda a dialética do esclarecimento cachacístico.

Seixas, colega aqui de blogosfera, foi la no Rio de Janeiro e ouviu um cabra do ramo, que teria tudo para ser metido e perpetuar o truque do degustador picareta, o tal do cachacier etc.

Qual o quê!

“Cachaça não tem buquê. Cachaça só tem um cheiro. De cana!”, disse o mestre Marcelo Câmara, juramentado cachaçólogo .

Parecia mais meu pai Francisco Nildemar, Sítio das Cobras, Santana do Cariri, sopé da Chapada do Araripe, divisa entre o Ceará e Pernambuco, falando.

Ufa, ainda bem, achava que tinha perdido o sentido do cheiro de vez, pois tenho amigos frescos farejando uns aromas na marvada que não convêm.

Levanta-te e anda, Lázaro. O único bouquet, buquê, de um homem de responsa, é o cheiro da sarjeta. Diante dela, ele age, sem cheirar a rolha.

Faz favor, Brasil, não enquadre a marvada pinga.

Lembre daquele correspondente do New York Times, que diante da primeira queda do Lula, demonizou logo a cachaça?.

Ah, escorracem o homem, não da danada.

O mal é o que sai da boca, meu velho, não o que entra.  

Escrito por Xico Sá às 13h40

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O cartão de milhagem sexual

 

Como dizia o meu amigo mineiro Paulo Jacinto dos Reis, o Feijão, grande fotógrafo do cinema brasuca, o mal é que não temos cartão de milhagem. Não possuímos o nosso Macho-Smiles, o Amigo-Macho, Macho-Fidelidade, nosso Zé Mayer-Fly, nosso Peréio-Pass, nosso Jece Valadão-Trip ou algo do gênero.

 

Feijão, sacana, nos deixou recentemente, partindo desta para uma outra. Como herança aqui ficou uma bela filmografia, vide o "Baile Perfumado", por exemplo, e um milhão de boas teses e tiradas.

 

Aí é que entra a tal da milhagem sexual. Isso significa, grosso modo, que temos sempre que mostrar o melhor de nós. Seja em um encontro fortuito na escada da firma, seja na rotina do acasalamento. Temos que provar a cada dia, a cada oportunidade, mostrar serviço sempre, não adianta a soma ou o conjunto da obra, vale sempre a última performance do sujeito.

 

É vai ou racha, tiro e queda, essa pobre dicotomia imediatista da existência. Estamos sempre como garotos suburbanos diante da “peneira”, teste único e fatal para entrar em um time de futebol. Seja para um Jabaquara, um Madureira, um Olaria, um Íbis ou em esquadrões como o Santos, o Chelsea, o Barcelona.

 

Ao contrário do que nos permitem as companhias aéreas, as mulheres querem, quase sempre, resolver a vida ou obter uma provação a cada vôo ou jogo –para evitar dizer trepada, vocábulo bruto demais e selvagem no nosso entendimento de delicadezas. 

 

Reivindicamos, pois, caro Feijão, nosso cartão de milhagem. Nele acumularemos nossos pontos, aquelas nossas melhores e quase milagrosas transas. Sabem as noites em que somos incríveis Casanovas depois de muito champanhe com ostras?

 

Ora, que considerem as nossas grandes jornadas e dêem um descontinho para aqueles dias em que não passamos de velhos DC-10 sucateados, sem manutenção, ferrugem na lataria, asas cortadas pelo tempo. Aqueles dias em que somos incapazes de uma ponte-aérea, ocasiões em que fazemos um barulho danado e não passamos de inoperantes teco-tecos.

 

Isso tudo porque elas não consideram, enquanto acúmulo de milhas, repito, as noites Sex Machines, priapismo dos deuses.

 

Na bagunça e no check-in do coração das moças, amigo, temos que provar sempre. Nada de cartão de milhagem. E diante de qualquer grave falha, já viu, abrem nossa caixa preta de segredos.

Escrito por Xico Sá às 13h49

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Amar é... ser voyeur da mulher que se veste

(Da série Crônicas do Observatório Espelhado I)

Você acorda e está diante do maior espetáculo da terra: a mulher no seu ritual de arrumação, o banho, o creme na perna levemente amparada sobre a poltrona, os cabides em forma das mesmas interrogações e dúvidas –com que roupa?- e aos poucos, peça a peça, me vejo diante da Anna Karina, a atriz, no auge da nouvelle vague.

Em muitas ocasiões, finjo até que estou dormindo, só para flagrar a beleza sem interferir no acontecimento. Dessa forma, ela se apresenta mais naturalmente e oferece melhores ângulos. Cena a cena, meu filme preferido, cinema na cama antes de pedir o café pra nós dois.

Porque uma mulher se vestindo é infinitamente mais elegante do que uma mulher tirando a roupa. Por mais que seja fina, há sempre um descuido ao despir-se, além da pressa inimiga, claro, nos momentos do sexo selvagem.

Seja um Yves Saint Laurent, um garimpo de brechó ou um vestido do magazine mais próximo, não importa, o que vale é o ritual, a combinação de cores, os detalhes, o quadro a quadro que constrói o figurino. Lindo e lento strip-tease ao contrário.

E o momento da maquiagem?
Passo mal ao espiar ao longe. Sim, nada de acreditar nessa historinha de “você já é bonita com o que Deus lhe deu!” Dorival Caymmi, saravá meu pai!, é uma beleza de homem, mas pinte esse rosto que eu gosto e que é só seu. Com todos aqueles lápis que lhe fazem uma criança brincando de colorir o desejo.

Agora ela anda na casa, à procura do acessório perdido... Seus passos fazem música com os tacos, como é bom ouvir, excitado, aquele ritmo ainda embaixo dos lençóis.

Quando o destino é uma festa, o ritual não é menos nobre, mas ainda prefiro o preguiçoso espetáculo das manhãs –final das manhãs, digamos, porque madrugar ninguém merece.

E sempre rio baixinho do momento da dúvida na escolha do vestuário, quando você suspira, quando você solta o mesmo resmungo de todas as mulheres do mundo: não tenho roupa. Pode ser uma madame de alta classe ou uma jovem atriz que ainda trabalha de garçonete.

O importante é que você se veste e aquele filme, cinemascope, passa como sonho o resto do dia, slow total, na minha cabeça.

Escrito por Xico Sá às 11h00

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A última carta para Ronaldo -ou Balada número 9

 

Ter uma crônica lembrada pela minha pequena legião de leitores é uma glória. Ter alguns textos, por motivos extraordinários, reproduzidos e espalhados na rede é um prazer, um gozo. Hoje me pedem, e são comoventes as solicitações, para que eu republique uma das cartas que fiz para o Ronaldo, o Fenômeno, que se despede do futebol.

A missiva saiu na versão impressa da Folha, em feveiro deste ano, quando R9 anunciou que penduraria as chuteiras para entar de sola na vida. Aí está, para quem pediu de novo, aí está, para quem só vê agora. Sim, na foto acima este assombroso caballero exibe o seu vasto bigode de zagueiro mexicano.

* * *

AMIGO TORCEDOR, amigo secador, como em outras ocasiões, por meio de cartas, aconselhei Ronaldo a largar o sacrifício e viver hedonisticamente sem a patrulha da massa ou dos cavalheiros das mesas-redondas, não poderia me furtar agora de refletir com o Fenômeno sobre a vida depois do futiba -a primeira morte de um boleiro, segundo o Falcão, outro craque.

Existe vida, sim, mas não onde tu imaginas, garoto, não do lado de um morto-vivo como o faraó da CBF, de quem tanto falaste e ao lado de quem já estavas na foto seguinte ao belo e honrado adeus. Corta, no teu bonito filme, do choro sincero, ao lado dos filhos, para teu olhar aflito entre sanguessugas do poder da bola e da política.

Essa sequência de imagens, por mais digna que seja a causa paulistana de defesa da Copa, diz tudo. E nela não há Eros, só Thanatos, o deus mitológico da morte. Só Eros salva, amigo, e este tu bem conheces, e tanto que soubeste tê-lo no altar durante a vida no futebol, ali bem pertinho, grudado aos troféus de tri melhor do mundo.

Não abandones, rapaz, quem sempre esteve ao teu lado. Não sejas mal-agradecido. Não é hora de posar de bom-moço entre autoridades suspeitas e eventuais representantes da Opus Dei. Eros castiga os que o traem logo no dia seguinte.

Bem sei, como homem muitas vezes paralisado pelos zagueiros cristãos da culpa, aqueles brucutus que te humilham na inércia da ressaca, que a gente teme a infinita liberdade da festa. Ainda mais agora, que não terás pela frente nem os melhores beques do mundo, muito menos os fantasmas do Tolima.

Não é, porém, o outro lado da vida, o mais careta e desonesto, que vai te segurar no papel de bom- -moço. Mais honrado é um cara, a exemplo do que às vezes, consciente ou inconscientemente, fizeste, que mal sabe onde colocar o desejo, como naquele episódio da Praça do Ó e do motel Papillon, na pecaminosa e iluminada cidade do Rio de Janeiro.

Há muita vida depois da primeira morte. Que não te entregues ao Thanatos dos poderosos ou da playboizada. Que te recordes sempre que já foi do Corinthians, eis um diploma que anistia os pecados dos mortais comuns quando a velha fatal da foice, a súbita e inegociável, bate à nossa porta.

Que a tua ilusão entre em campo no estádio vazio, como o gênio Moacyr Franco cantou para Garrincha na Balada Número 7, e que a rede ainda balance seu último gol -arrepiantes versos do compositor Alberto Luiz. Boa segunda vida, amigo.

Escrito por Xico Sá às 15h02

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Pela pole dance como esporte olímpico

 

 

 Vejo aqui um vídeo no UOL recomendando a pole dance como mimo das lolas para os seus sempre mal-agradecidos mancebos e namorados.

Pole dance caliente no motel, diz a mestra. Tudo bem, vale, vale, bueníssimo, vale tudo no massacre da serra elétrica romântica desta semana pombilínea.

O libelo deste solitário cronista, que sempre volta para casa sorvendo o frio cheesecake pedrado no gelo baiano do amor e da sorte, é outro. Algo de quem é forçado a pensar a vida de forma mais épica. Pela pole dance como esporte olímpico já no Rio 2016, ora, ora.

Faço coro a milhares de  moças do ramo que gritam pelo reconhecimento da dança do mastro como esporte. Apoio desde que, nunca, jamé, renegue a sua bela origem como sofisticação do strip-tease de boate. O perigo, bem sabemos, é virar coisa séria e esquecer a safadeza que lhe deu origem e respeito.

Foi no Vagão Plaza, Love Story, Kilt, entre outros, para citar apenas os clássicos da noite paulistana, que vi, pela primeira vez, o nobre esporte alcançando ares olímpicos. Nada a dever às mais lindas e romenas Nadias Comănecs da ginástica.

Pela dança do mastro na Olímpiada carioca. Falo sério. Tem um movimento na luta pelo reconhecimento do comitê greco-picareta –ou você, amigo, acha que é a safadeza é só dos velhinhos da Fifa?

Sim, o Berlusconi, ama essa parada. É voyeur confesso de uma moça e suas manobras na vara. Não comungamos das teses políticas do capo, mas, em uma aliança estratégica, não o impediremos de nos ajudar nesse lobby.

Uma Olimpíada brasileira tem que ter pole dance. Coisa mais linda. A Europa se curvará mais uma vez. Aí sim, no mastro, acabaremos com nosso Complexo de Vira Lata.

Nas manobras no mastro mostraremos, digo, elas mostrarão, o molejo perdido em outros esportes, como no futebol, por exemplo, arte na qual endurecemos, digo, eles, a cintura –vide a seleção brasileira que hoje volta a campo no Pacaembu, nela poucos se salvam, Neymar, Lucas, Robinho, se muito .

Pela pole dance olímpica, erótica, greco-romana, medalha de ouro quase certa para as brasileirinhas que manjam da arte. Tem esporte muito menos importante já reconhecido, não acha?

Escrito por Xico Sá às 23h17

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Agora quem dá bola é a Maria Chuteira

 

 

 

(Da série Amores Clandestinos I)

 

Nesta semana do massacre romântico, verdadeiro ou falso, resolvemos homenagear algumas criaturas que ficam sempre à margem da data dos pombinhos, a totalitária efeméride do próximo domingo.

 

Com vocês,  palmas, a Maria Chuteira, aquela persona execrada no mundo do futebol. Louvemos. Ela merece, ela suporta, fiel e resignada, o banco de reservas, ela não nasceu para matriz, amar demais passou a ser o seu defeito, mesmo sendo apenas a filial.

  

Mais importante do que qualquer camisa 12, ela não treina, ela não joga, mas é ela que salva as concentrações, os Carandirus ludopédicos, do tédio e da miséria humana, reanimando o boleiro para o clássico. É ela quem diz xô má fase, xô uruca, é na Maria Chuteira que estão os poderes.

 

A Maria Chuteira está para o atacante em jejum como São Pedro, padroeiro dos pescadores, está para os velhos Santiagos que não vêem há tempos um grande peixe na rede. A Maria Chuteira é a Iemanjá dos gramados.  

 

Ninguém beija aliança ou faz o coraçãozinho na mão para oferecer o gol à nobre moça dos amores clandestinos e subterrâneos. Nem quando nasce o seu filho por fora, o atacante faz o gesto inventado pelo Bebeto na Copa de 94 -o nana-neném para as câmeras é exclusivo da família oficial e legítima.

 

Pobre moça dos afetos paralelos, és a Maria Madalena do mundo da bola. Meu glorioso Santo Antonio, na véspera da sua data e no Dia dos Namorados, protegei a Maria Chuteira, ela também é filha de Deus.

 

Tudo bem, os moralistas a julgam oportunista, perdoai, eles não sabem o que dizem. Não sabem o peso de ser a outra permanentemente. Porque boleiro é mais moralista ainda, separa mulher para casar de mulher para o recreativo. Treino é treino, jogo é jogo, vale a máxima do Didi, hoje e sempre.

 

De todas as Marias que vão com os profissionais de quaisquer área, a Maria Chuteira, amigo, é a mais perseguida e folclorizada. Nem a Maria Gasolina sofre tanto nesse congestionamento na encruzilhada pseudo-moral da  existência. A Maria Coxia (teatro), a Maria Edital (cinema), a Maria Balão (HQ), a Maria Ervas Finas (chéf de cozinha) usufruem na boa e sem preconceitos da admiração pelos seus artistas.

 

A Maria Teclado, nem se fala, ama os escribas e ainda ganha o status de musa. Repare que moleza. A groupie de astro de rock ou de qualquer garoto de banda, nossa, no problem, amor livre sem os beques morais da sociedade.

 

Maria Chuteira não, pobre moça, essa pena, acorda cedo para ir ao CT, acompanha a chatice dos treinos táticos, agüenta os professores Pardais e os seus 3-3-4, seus 3-5-2 noves fora nada, espera os cobradores de falta baterem bola contra barreiras imaginárias...

 

Sim, Maria Chuteira, uma heroína. E imagine, amigo, agüentar o 171 de boleiro nas oiças? Se um homem normal já mente à beça, imagine um “migué” ludopédico no juízo. Sorte que é tudo menino... Quando o cara acha que está entrando com bola e tudo, ela já está fazendo o teste de DNA na esquina.

Escrito por Xico Sá às 11h17

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Reflexão dominical sobre vadias e misses

 

 

O dia perfeito, perfect day, como você louva no seu hino, caro Lou Reed.

À tarde as vadias em marcha na Paulista; à noite o desfile do concurso Miss São Paulo no Memorial da América Latina.

As perdidas, as achadas.

Sempre curti um concurso de miss. Aquelas moças puras ou sonsas, que amavam “O Pequeno Príncipe” –tu és  eternamente responsável por aquilo que  cativas- e sonhavam em casar virgens, puras, castas.

Mas sempre amei mesmo foi uma vadia. Pra elas, tudo. É uma admiração igualmente antiga. Não fujo à luta.

Uma santa em casa; uma puta na rua. É o que prega o discurso do amelianismo chauvinista.  A fala de quem não se garante em firmar laços sexuais e de ternura com uma gostosa insubmissa.

Sempre preferi o contrário: uma vadia no lar doce lar e uma santa  no mercado paralelo do amor.

O problema é que é sempre mais difícil casar com uma dita vadia. Como são as melhores, são as mais difíceis, exigentes, têm mais o que fazer na vida do que se entregar ao primeiro que passa.

Mas nada como um casamento com uma delas. Nooossa, como diria o Costinha -meu eterno coro grego-, com a sua imoral bocarra.

Uma vadia é uma vadia. Boa de cama, boa de rua, como no protesto de ontem.  O movimento é sexy e só a anarquia festiva salva. 

Uma vadia jamais se acomoda.

Uma vadia na alcova. Uma santa amante -e não estamos falando da facção da torcida tricolor de Pernambuco-, na clandestinidade.

Com as vadias, aliás, costumo ser quase sempre 100% fiel –aqui também não estamos tratando da massa corintiana, caro doente pelo futiba.

Sim, com uma santa na ilegalidade fica bem mais fácil a gente correr para casa, para os braços da mais linda e instigante das vadiagens.

É isso ai, uma vadia instiga, tem fome de viver e nos põe larica nos  cinco buracos da cabeça. 

Por uma mulher livre, gostosa e insubmissa. Sempre. Sim, às vezes, humildemente, confesso, a gente não segura a onda. Mas que desafio há em boiar no chato oceano pacífico de uma santa?

Escrito por Xico Sá às 10h59

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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