Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Tipinhos de homem de alta periculosidade

 

 

 

Tudo bem, bravas fêmeas, os homens são todos iguais, já sabemos, blablablá.

 

Mas como hoje é sábado, o dia em que brotam os romances e roubadas, não custa nada adverti-las, mais uma vez, à guisa de prevenção contra alguns exemplares da fauna.

 

Em mais um serviço de utilidade pública, este cronista de costumes cataloga algus tipinhos de homem da mais alta periculosidade:

 

ua vitrine. Eis alguns tipos, noves fora a categoria metrossexual (já devidamente comentada nesta página) que merecem cuidados especiais:

 

Homem-bouquet – aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa, cheira a rolha, balança na taça, sente o “bouquet” da bebida...  O tipinho não perde um programa sobre vinho na tv a cabo, entra em sites franceses, reúne os amigos para encher o saco com o tal “bouquet”...

 

Mais uma advertência: o mesmo elemento costuma apreciar também o que ele chama de  “um bom jazz”, uma “música de qualidade”... Corra, Lola, corra de criaturas desse naipe. Homem que entende e gosta mesmo de vinho não sai arrotando conhecimentos por ai,simplesmente aprecia e faz a sua linda bacante apreciar a bebida sem arrogância ou jequice.

 

Homem-hortinha - aquele mancebo que, ao receber as moças elegantemente para um jantar, usa o manjericão cultivado na própria hortinha que mantém no quintal ou na área de serviço. Cultivar o próprio manjericão não é exatamente o defeito do rapaz. O problema é que ele passa duas horas a discorrer sobre o cultivo da hortinha, os cuidados, o zelo, uma chatice só, para não dizer outra coisa. Uma amiga, coitada, conheceu um destes exemplares que cultivava até a própria minhoca usado como “fator adubante” da própria hortinha.  Corra, Lola, corra, corra mesmo, corra enquanto é tempo!

 

Homem-do-predinho-antigo _ Aquele sujeito que ou é gay ou é um metrossexual enrustido. E o pior não é habitar um predinho antigo. O que mais dói é quando ele pronuncia, como toda a afetação desse mundo, que mora num “predinho antigo, charmoso”. Você entra lá, leitora do meu coração, e avista logo umas revistas chiques estrangeiras espalhadas pela sala, tipo “ID”, “Wallpaper” e quetais. O cara entende de iluminação indireta, tem cada abajur, Deus mio!

 

 

Homem-ONG – O sujeito oenegê é o que há. Todo politicamente correto, benza-te Deus. Adora um abaixo-assinado, uma passeata, e está sempre morto de decepcionado com o governo, qualquer governo. Sim, ele acredita na humanidade, na responsabilidade social, no terceiro setor, na arte como redenção dos pobres... Quer acabar com a miséria e a fome do mundo, enquanto você passa necessidade ali ao lado dele e o desgraçado nem tchuns, nem ai. Some, Lola, some que é roubada-mor.

 

Mais sugestões de tipinhos? Continuemos enquadrando o macho perdido. Agora, com licença, vou ali dar um mergulho na praia do Calhau, ilha de São Luís, e ja volto. 

Escrito por Xico Sá às 11h13

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Lenhador selvagem, sem perder a fofura jamais

 

Sexta-feira aqui é dia de modos de macho & modinhas de fêmea. Educação sentimental, etiqueta sexual, amorosa etc etc. 

 

Levanta-te e anda, meu rapaz, chega de comodismo e vamos tentar decifrar os enigmas das moças. É chegada a hora.  

 

Estamos a 20 mil léguas submarinas de saber pelo menos dez por cento do universo delas.  

 

Mas se oriente rapaz, essa de ficar a vida toda amparado na muleta freudiana -ninguém sabe o que quer uma mulher- é comodismo de Macunaemo, como denominamos esses moços, porbres moços, que têm a preguiça de Macunaíma e o chororô de um emo. 

 

Sabemos sim um pouquinho do que querem as mulheres. E com algum esforço podemos aprender, como em um supletivo amoroso, muitos modos de agradá-las e cumprir parte da demanda.

  

Elas merecem e este, afinal, é o grande desafio na terra de um homem de boa vontade. Só por esta causa já valeria a pena a existência. O que querem as mulheres? Entendemos a complexidade da clássica pergunta, remixada outro dia por uma boa série televisiva. 

  

As mulheres querem que os homens adivinhem, sintam, farejem os seus desejos -e vontades avulsas- e antecipem essas realizações. Isso é o mais importante de tudo, meu jovem.

  

Bem-aventurados os que descobrem que elas estão a fim de uma viagem à montanha e levam-nas à montanha; bem-aventurados os que sabem que elas não agüentam mais aquele velho boteco sujo e levam-nas a um restaurante decente, dentro das posses, claro.

  

Bem-aventurados os que sabem que elas gostam de novidades e detestam quando os garçons nos dizem “o de sempre, amigo?” Essa confortável rotina é coisa de macho, ora bolas.

  

As nossas mulheres querem que tenhamos olhos só para elas. No que, aliás, foram contempladas biblicamente pelo décimo mandamento das tábuas da lei entregues por Deus a Moisés: não cobiçarás a mulher do próximo.

  

As mulheres querem que alternemos momentos de homens sensíveis e momentos de selvagens lenhadores. Pena é que costumamos inverter as coisas. Na gana da obediência e do agrado, somos lenhadores quando nos queriam sensíveis e vice-versa. Comédia de erros. Onde queres fofura, rock'n’roll...

  

As mulheres querem que reparemos no novo corte de cabelo, mesmo que a alteração tenha sido mínima, tipo só uma aparada nas pontas. O radar capilar tem que acender a luzinha, sem falha, na hora, se liga! Se for luzes, entonces, cruzes!!!

  

Mais óbvio ainda: as mulheres não toleram que viremos de lado e já nos braços de Morpheu depois da saudável prática da conjunção carnal. As mulheres querem carinho e entusiasmo, embora saibam que o único animal que canta e se anima depois do gozo é o galo, esse tarado pernalta incorrigível, incomparável.

  

As mulheres querem... massagem. Muita massagem. Primeiro nas costas, depois nos pés e sempre no ego.

  

As mulheres querem... molhinhos agridoces. Como elas se lambuzam lindamente!

  

As mulheres querem... flores e presentes. Não caia, jovem mancebo, nesse conto de que mulher gosta é de dinheiro. Se assim o fosse, amigo, os feios, sujos e lascados não teriam nenhuma, nunca, jamé. Repare que até debaixo do viaduto está lá a brava fêmea na companhia do miserável. Ela e o cachorrinho magro, só o couro, o osso e a fidelidade. O que vale é a devoção, amigo.

  

Mesmo que você seja mais liso que os mussuns do brejo, pobre de marre-marré, pode muito bem presentear uma bijuteria com a dramaturgia de uma jóia da Tiffany´s –vide “Bonequinha de Luxo”, o filme.

  

A lista continua... ao infinitum. Deixe também sua colaboração para o nosso breviário de entendimento das mulheres. Ajude o cronista a desvendar os lindos mistérios da cria das nossas costelas.

 

Afinal de contas, para que diabos estamos purgando sobre a terra?

Escrito por Xico Sá às 11h31

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A difícil vida fácil -o dia das profissionais

 

 

Comemora-se hoje, 02 de junho, o Dia Internacional das Prostitutas. Todo respeito é pouco. Para mim é quase como se fosse o próprio Dia das Mães, tamanha a milhagem de colos macios que elas me deram.

No passado, era o meu verdadeiro e único dia dos namorados. E continua sendo para muita gente.

Nos momentos de angústia nos socorreram; nas quaresmas dos desertos sexuais foram boas Madalenas, não quiseram saber de origem, sobrenome, títulos, passageiras glórias.

Sim, tudo bem, hoje, na versão 2.0., se apresentam como garotas de programa, blogueiras como este cronista que vos roda a bolsinha on line, elas são mais objetivas e menos generosas. não importa.

Nos bataclãs baianos, nos lupanares, nas casas da luz vermelha das moças vocacionadas ou na onda moderna, como as admiro. Como são importantes para o equilíbrio do planeta, como lubrificam as engrenagens do desejo.

Com elas, não tem essa história do processo burguês da cantada e tampouco a hipocrisia dos consórcios matrimoniais dos pombinhos. O contrato social, caro Rousseau, é claro, direto, limpo.

Hoje é, com toda a dignidade do mundo, o dia da mais antiga das profissões. Prostitutas, secretárias da calçada, quengas, raparigas, garotas de programa, michês, rariús, profissas, moças da vida fácil, putas...

Rariú, amigos, é uma forma sonora sincopada de “who are you?”, com origem, óbvio, nas tentativas de comunicação entre gringos e nativas.

Não importanta a denominação. Hoje é o dia delas. Brindemos.

Seja no Red Light District de Amsterdã, no mangue carioca, na rua Augusta, na casa da Carmén (Porto Alegre), na Beth Cuscuz (Teresina) e no Borbulhas de Amor (Juazeiro do Norte).

Sem se falar no Recife, minha educação sentimental, onde reinaram o Aritana, a rua da Guia, a Rio Branco e as mais incríveis meninas que amavam Buñuel e viam filmes de arte no cine Moderno. Luxúria completa.

Parabéns, moças, das calouras às bravas senhoras do parque da Luz, em SP, sinceros cumprimentos. Das luxuosas do New Sagitarius em BH à viração do Ladylaura, vizinho da estação ferroviária lá do Crato.

A melhor comemoração, porém, acontece no centro de João Pessoa, a Paraíba sempre na vanguarda da crônica de costumes. Hoje tem a 5ª Corrida da Calcinha. Um carnaval com profissionais e amadores, homens e mulheres, todos com uma provocante peça na cabeça, como touca. É ali na rua da Areia, perto do centro histórico. 

E fica uma pergunta: por que os homens, mesmo os que têm mulheres incríveis, mulheres maravilhosas, procuram as prostitutas ou garotas de programa? É uma pergunta tão antiga quanto a humanidade.

O viciado Jack Nicholson, o velho lobo do cinema, é, declaradamente um desses marmanjos. Pode ficar com infinitas amadoras, mas se derrete mesmo é com as profissas.

Parabéns a todas!

Escrito por Xico Sá às 06h42

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Kit (sem censura) do macho-jurubeba

Ao me deparar esta semana, em um banheiro de um moderno restaurante de SP, com dois homens, aparentemente héteros, discutindo sobre técnicas depilatórias e cremes básicos para uma nécessaire masculina, me veio ao cocoruto, imediatamente, a velha imagem da capanga e o kit máximo permitido por um macho-jurubeba.

 

Como bem sabemos, amigo, o macho-jurubeba é o macho-roots, a criatura de raiz, o sujeito tradicional e quase em extinção nos tempos modernos.

 

Praticamente extinto, sejamos sinceros. Não há esperança, o velho Francisco, meu pai, lá no seu rancho nas bordas da chapada do Araripe, deve ser um dos derradeiros da legião de bravos.

 

O macho-jurubeba é um personagem que nos parece nostálgico e, de algum modo, folclórico, mas perfeito para nos revelar o universo dos marmanjos até meados nos anos 1990 –quando Deus fez, de uma costela do David Beckham, o ser doravante conhecido como metrossexual.

 

Vasculhemos, pois, a capanga, usos, costumes higiênicos e os arredores antropológicos deste predador do nosso paleolítico.

 

Era sim naturalmente vaidoso o macho popular brasileiro.

 

Aqui encontramos os vestígios: um espelhinho oval com o escudo do seu time ou uma diva em trajes sumários, um pente nas marcas Flamengo ou Carioca, um corta-unhas Trim ou Unhex, um tubo de brilhantina, um frasco de leite de colônia...

 

Vemos também, no fundo do embornal, uma latinha de Minâncora e outra de banha de peixe-boi da Amazônia em caso de eventuais ferimentos, calos ou cabruncos.

 

Em viagens mais longas, barbeador, gillette, pedra-hume –o seu pós-barba naturalíssimo, nada melhor para refrescar a pele e fechar os poros. Alguns pré-modernos e distintos se antecipavam aos novos tempos usando também Aqua Velva, a loção para o rosto utilizada pelos “homens de maior distinção em todo o mundo”.

 

Investigamos também, no kit do macho-jurubeba, emplasto poroso Sabiá, pedras de isqueiro com a marca Colibri e um item atual até nossos dias, o polvilho antisséptico Granado, afinal de contas a praga do chulé é atemporal e indisfarçável. O lenço de pano nem se comenta, não podia faltar nunca.

 

Ainda no capítulo do asseio corporal e dos bons tratos, façamos justiça às moças. Elas adoravam tirar nossos cravos e espinhas, atitude hoje cada vez mais rara –se alguma o fizer, amigo, a tenha na mais alta conta, a abençoada filha de Eva te ama mesmo.

 

Objeto de investigação e estudo do caboclo pré-metrossexualismo, a capanga dos mais espertos continha ainda um canivete e, para eventuais dores de macho, cachetes de Cibazol. Aí, porém, já saímos um pouco dos cuidados estéticos e vasculhamos outros armarinhos de miudezas do vasto museu deste homem que –para o bem ou para o mal- já era.

Escrito por Xico Sá às 12h16

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Pelada sem palavrão, jogo sem 'chupa'

  

 

Da série "O mundo está ficando muito chato". Exclamação, como diria o caro Avallone. Que mundinho chato, repito. Para que serve, enfim, uma terça-feira, essa espécie de chuchu do calendário? Pra gente blasfemar contra tudo e contra todos. 

Motivo é o que não falta. Você viu a última?

Criminalizaram o “chupa” em SP. E, desta vez, só desta vez, Kassab, o Jânio Quadros sem álcool, não tem nada a ver com a história.

O alcaide de Piratininga só proibiu o grito dos feirantes, obrigados a um certo comedimento nas primeiras horas da manhã.

A proibição do “chupa” e demais palavrões durante os jogos de futebol na tv é uma medida adotada por muitos prédios e condomínios, como relata a repórter Cristina Moreno de Castro hoje na Folha, versão gutenberguiana, só para assinantes.

A cena já virou um clássico, principalmente nas noites de quarta-feira. O cara põe a cabeça na janela e libera todo o gás dos pulmões com um retumbante “chupa” seguido de menção ao time do vizinho.

Chupa, sãopaulino; chupa, Corinthians; chupa Palmeiras. Na versão zoofílica fica assim: chupa, bambi; chupa, gambá; chupa, porco -para ficarmos só nos times da capital.

Um amigo gay tem uma tese para esse grito, tão imperativo, que sugere sexo oral: haja homossexualismo enrustido na macharada. Será¿ Acho a tese um tanto quanto exagerada.

Quem se arrisca ao “chupa” pode pagar multa no valor da sua taxa de condomínio. Imagina se for um “chupa, síndico!”

Enquadrar a gritaria do querido telespectador é nada perto desta outra medida que rola solta em São Paulo: a proibição de palavrões durante as peladas de futebol nas quadras e campos dos condomínios.

Sim, é o você leu mesmo, assombrado leitor. O humaníssimo fdp, o educadíssimo “carajo” etc agoram valem salgadas multas.

Pelada sem xingamento, cá entre nós, não é pelada. Faz parte da formação moral do homem. É ali que se forja o caráter, amigo.

Uma pelada é uma cátedra. Vale por um diploma.

Não foi à toa que o existencialista Albert Camus (1913-1960), um dos melhores escritores de todos os tempos, goleiro do Racing de Argel, peladeiro militante, soltou essa pérola: "Tudo o que sei sobre moral e as obrigações do homem devo ao futebol”.

Menos, senhores síndicos. O mundo já anda chato demais. Não dá para bocejar esse antisséptico moralista antes de entrar em campo. Pelada boa é pelada de boca suja.

E pior é que modinha não é apenas de SP, essa generosa cidade que hoje vive uma epidemia de caretice e proibições.

Na classe media alta da Barra da Tijuca, Rio, palavrão é falta. Um saudável fedepezinho qualquer e o jogo para. Os próprios peladeiros redigiram a norma.

A regra pode até ser clara, como diz aquele comentarista de arbitragem, mas como a camada de babaquice, mas avançada do que o ozônio, está destruindo o planeta.

É café sem cafeína, carne sem gordura, cerveja sem álcool, pelada sem palavrão, minha nossa! Como diria o Costinha (ai na capa de um vinilzão clássico), com a sua imoral bocarra, "tás brincando?!"

E aí no seu pedaço, amigo(a), qual é a norma?

Escrito por Xico Sá às 15h51

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Globo acende o debate até a última ponta

 

Hey, Dude! Nessas encruzilhadas históricas sempre lembro do meu amigo Dude, que atua no filme em cartaz aí acima. Fica na maresia aí, Dude, joga o teu boliche, viaja no tapete, que preciso ganhar aqui honestamente a minha segundona.

E não é que a Marcha da Maconha, canetada pela turma da toga preta e reprimida nas ruas pelos frios homens de cinza, foi realizada em pleno “Fantástico” da rede Globo?!

#Fato, como diz a juvenília das redes, avarandados e puxadinhos sociais.

#Contradições do sistema, diria um velho comuna outsider.

Inevitável lembrar um ditado popular carioca que ouvi pela primeira vez no filmaço “Rio Babilônia” (1982) e que o Tim Maia repetia com frequência: no Brasil, traficante cheira, puta goza, cafetão se apaixona e o dólar paralelo é mais baixo que o dólar oficial.

Que adubado latifúndio de espaço a Globo deu ao assunto, Dude! Tão bom para o plantio quanto as ilhotas do rio São Francisco, o generoso Velho Chico.

O gancho, essa terrível e empobrecedora necessidade jornalística, ah o mané gancho, foi o documentário “Quebrando o Tabu”, dirigido pelo jovem Fernando Grostein Andrade, que estreia na próxima sexta, 03, nos cinemas.

O ator principal: o ex-presidente FHC, que defende o plantio para consumo e a regulamentação da maconha. Não farei, só por hoje, amém, o trocadilho siglístico com THC, o princípio ativo tetra-hidro-canabinol. Passo, embora nada combine mais com baseado do que trocadilho, como verão aqui nesse texto-palha.

[Inevitável lembrar, porém, do tratamento que o saudoso Casseta & Planeta dava ao ex: Viajando Henrique Cardoso].

Ótimo, mas voltemos ao chão da praça.

A marcha global, distante do gás-pimenta da PM comandada pelo tucanismo em SP, foi de efeito moral imediato: 57% de telespectadores convidados a opinar sobre o assunto, na enquete do programa, disseram sim à descriminalização do barato.

Sim, não temos o número de votantes, mas é bem significativo para uma emissora de massa. Se a reportagem conseguiu fazer ou não a cabeça da maioria, não importa. O bom é que o assunto já não é mais tão escandaloso assim como a tropa de choque da caretice imagina.

Além de FHC, outros ex-presidentes aparecem no doc do menino Andrade com discurso semelhante: Ernesto Zedillo (México), César Gaviria (Colômbia), Jimmy Carter e Bill Clinton (EUA).

O “Fantástico”, na sua marcha dominical nos lares doces lares, lembrou também que outro dia o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), defendeu o plantio coletivo de maconha, em cooperativas.

A carroça da história desembestou e avançaremos mesmo nessa questão?

Veremos. Bom é que as marchas das ruas acionaram o piloto automático dos avanços.  

Sim, a gente que foi à Paulista tem uma saúde dentária de anúncio dentifrício, não havia um só desdentado, como tirou onda o gênio reacionário Nelson Rodrigues sobre os protestos de 1968. Como argumentam hoje outros enfezados sem a genialidade do tio Nelson.

Mas já valeu, tá valendo, é um luxo ter uma fatia da classe média moderna  acendendo uma ponta do avanço histórico em vez de tocar fogo na fogueira eterna da liga das senhoras católicas.

Que a segundona lhe seja leve!

Escrito por Xico Sá às 12h40

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Episódio de hoje: Os segredos da pessoa amada

 

 

 

 

Cai fora, meu prezado rapaz.

 

Corra, Lola, corra. Sai dessa.

 

Não fareje a sua própria desgraça. Não seja um sentimental Sherlock contra os fantasmas do seu infortúnio.

 

Elementar, meu caro Watson.

 

Segredos de computador.  Pronto. Eis o mote. Bora nessa, quem se habilita a dar uns pitacos antes e dempois do frango assado de domingo?

 

Não recomendo ninguém a farejar, com a baba canina do ciúme no canto da boca, os guardados mistérios de caixas postais.

 

Não costuma ser uma aventura prazerosa. Muito pelo avesso, todo cuidado nessa hora, rapazes e gazelas.

 

Essa mania, porém, é mais comum do que imaginamos. E foi uma pesquisa, ah os números, que fez este cronista de costumes a voltar a assanhar essa lama amorosa.

 

Pelo menos 34% por cento de usuários de internet no Brasil assumem, na boa e explicitamente, a prática desse tresloucado gesto.

 

Pobres sherlocks e sherlockinhas! 

 

Nesse pacote estão incluídos a fuçada no caixa postal, o farejamento dos passos do outro no orkut, facebook, twitter, sms e etc.

 

É o que diz uma recente pesquisa da Nokia sobre o uso da tecnologia e relacionamentos. Estive num colóquio no MIS discutindo toda essa bagaceirice técnico-amorosa.

 

Repito: essa paranoia é perigosíssima. Já vimos até assassinatos por causa de descobertas indesejáveis ou mesmo erros de interpretação de exs tomados pela fúria.

 

Nitroglicerina pura, corra fora dessa onda, Lola, corra.

 

Acabou o casamento, o namoro, o cacho, o rolo, melhor apagar a sombra da tal pessoa amada também da virtualidade.

 

Fácil aqui para o cronista, que navega no oceano pacífico no momento, falar do assunto com essa frieza, essa distância,  não é, colega?

 

Na dolorosa hora da separação, quem resiste a uma bisbilhotagem, apuraçãozinha mínima, matreira shelocagem na madruga?

 

Tem que ser muito sangue frio ou devidamente psicanalizado, grande freguês do divã ou do terapeuta, para manter a distância e a sensatez recomendáveis. Tem.

 

Tem  gente que jura não mais recorrer a tal vício. Chega. Minutos depois se pega, antes do tarja preta fazer efeitos, ruminando com os monstros ciumentos que povoam a insônia.

 

É a  bisbilhotice atávica dos tempos modernos.

 

E repare só. Além dos conectados que assumiram o “crime” da bisbilhotagem, outros 24% são suspeitos –disseram “não sei” ou se recusaram a responder a pergunta.

 

Outro dado significativo: para 66% constitui-se traição sim a simples paquera virtual, o flerte, o xaveco interneteiro. Chats de sexo, então, mesmo com anônimos, não tem perdão, condenado.

 

 Há controvérsias. Vejo até como saudável e algo recreativo, desopilador, maneira de viajar em algum fetiche sem sequer precisar sair de casa. Tranqüilo, não consigo ver nada demais nisso, relax, baby.

 

Mas cada um, cada dois, não é mesmo? Vocês que decidam ai a moral do barraco. Que acham?

Escrito por Xico Sá às 01h58

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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