Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

22 razões para ir na Marcha da Liberdade

Por que 22, perguntaria algum passante que ainda não sabe queda permanente deste blog pelo velho Oswald.

Ora, 22 por lembrar 1922, a Semana de Arte Moderna, tempo em que SP era o contrário da caretice e censura que vive hoje, quase um século depois.

Por lembrar o velho, repito, Oswald de Andrade, cozinheiro de almas, que dizia, entre outras tantas, “viva a rapaziada guerreira, o gênio é uma grande besteira”.

22, dois patinhos na lagoa, por lembrar um tempo em que SP não era careta e dava o grito não do Ipiranga, mas o grito modernista.

22 para lembrar “O Homem do Povo”, o jornal genial de Pagú (acima no retrato) e seu belo marido antropófago.

Enfim, 22 razões para correr lá avenida Paulista, pq hoje é sábado, dia 28, a partir das 14h, no vão do Masp. Corra, Lola, corra, apesar das medidas jurídicas de véspera para tentar frear a marcha.

Contagem regressiva, 22, me dê motivos -como cantaria Tim Maia-, ei-los:

I)Temos que retomar o prazer pelas ruas, seja em um passeio, seja em um ensaio de revolta. A velha lição do flâneur, do que vaga ou do que atira pedras simbólicas.

II) Temos que dar uma resposta ao irresponsável desembargador do TJ-SP que proibiu, de véspera, a Marcha da Maconha.

III) Nossos olhos não são moquecas nem acarajés para merecer tanto gás pimenta da abusada PM paulista.

IV) É tão sério um protesto a favor da liberdade de expressão quanto um grito contra o desemprego, como promovem agora os espanhóis na Praça do Sol e arredores.

V) Temos 7% de desemprego contra 40% dos madrileños, ok, economicamente não estamos na lama, mas os salários não são uma maravilha e a polícia continua batendo no lombo da massa ou da classe média que protesta.

VI) SP é uma cidade aberta, cosmopolita, moderna, de todos os povos, não essa província que o Kassab e as forças policiais tentam agora fazer dela.

VII) O protesto pode sim virar uma festa. Que mal ha nisso? Quando isso acontece é ainda mais perigoso para os caretas.

VIII) Só a anarquia festiva salva.

IX) É livre a participação de todos as legendas, mas que levemos de estraçalhados para a avenida apenas nossos pobres e resistentes corações partidos.

X) Que façamos de protestos do gênero, recriados com o churrascão de Higienópolis, a invenção da praia desta gloriosa cidade.

XI) É numa passeata que você pode encontrar de verdade o amor da sua vida. Aquele amor acima de qualquer suspeita ideológica.

XII) É numa passeata, seja contra o que for, que você tem a noção mais óbvia que a História continua viva, caro Fukuyama.

XIII) Sim, protestamos mas não somos chatos, tiramos la buena onda, preste atenção como agora somos ainda mais anarquistas.

XIV) O blasé datou, é hora de escancarar a bocarra e mostrar que tem peito e uma alma capaz de pequenos e grandes escândalos.

XV) Tuitar em uma cartolina rosa, com uma Bic improvisada, é a nova prova dos nove, velho Oswald.

XVI) Nada como uma passeata para exercitar o poder do free-style e mandar rimas nos slogans.

XVII) Como a liberdade é um mote muito amplo, aproveite para protestar contra tudo e contra todos.

XVIII) Se der vontade, tire a roupa.

XIX) Se até o governador Alckmin disse que houve abuso policial na marcha anterior, tudo é permitido, inclusive importunar o juízo de Deus.

XX) Sejamos antropofágicos, velho Oswald, levemos alguém para jantar em casa depois da marcha.

XXI) Triste da geração que passa pela vida sem fazer um barulho ou uma confusão bem grande na existência.

XXII) Protestar é sexy, é Eros derrotando a morte de quem aceita o pijama como um precoce paletó de madeira.

Escrito por Xico Sá às 03h29

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Da importância dos animais no amor dos homens

 

Bem que eu te falei, cronicamente repetitivo: os animais de estimação são mais importantes no amor do que supõe a nossa vã filosofia.

 

É comum sentir mais saudade do pobre cão do que da mulher de verdade.

 

Já terminei romances em que fiquei com tanta saudade da ex quanta da sua gata, cachorro e até dos ratos que roeram as nossas vestes do desejo.

 

Quando ainda morava no sertão morria de amor pelos tatus criados em fundo de quintais e tonéis, preás de estimação, tejus, timbus, morrendo de amor pelos macacos, todos batizados chicos, nambus, codornizes e gordas patas que se arrastavam na lama em anos de chuva.

 

Também já ocorreu de conquistar mulheres, ou pelo menos consolidar boas histórias amorosas, por demonstrar carinho e afeto com os bichanos. Como sair de casa altas horas da madrugada para comprar a ração do felino. E de quebra, trazer um patê especial para o danado.

 

Sim, o amor passa pelos bichos, eu acredito.

 

Uma mulher que afaga e trata bem o meu cachorro, sendo que às vezes o cão vadio possa ser eu mesmo, uma mulher que brinca de “never more” com o meu corvo Edgar, que diz sacanagens ao meu papagaio Florbé, que faz uma graça para o meu bode Ressaca... Essa mulher marca pontos importantíssimos, além de fazer o necessário na cartilha do amor mais franciscano.

 

Claro que essa forma de ver o amado ou a amada nos seus animais de estimação pode gerar também pequenos desastres, catástrofes nem sempre naturais.

 

Uma amiga do Rio, por exemplo, evitava as gracinhas do cão do seu ex sempre que ele aprontava. Chegava a ser indelicada, grosseira, como se visse naquele labrador as pisadas na bola do seu dono. Acontece. Afinal de contas os bichos ficam um pouco, com o tempo, com os mesmos focinhos dos seus digníssimos proprietários.

 

Além de tudo isso, pelos animais que possui se conhece mais um pouco um homem.

 

Sério.

 

O cara que cria um gato tem muito mais chance de ser um homem sensível, embora até enfrente um certo preconceito entre os seus amigos, que insinuam uma certa viadagem, baitolagem  ou perobice, para usar termos dos quais abusamos nos nossos encontros de futebol e boteco.

 

O homem que passeia orgulhosamente com o seu pitbull pode até não ser um monstro, mas aquela focinheira já diz um pouco do seu dono. Não que o cão tenha alguma culpa, ele está no mundo dele. O erro é de quem o desloca e o usa para exercícios de selvageria.

 

Mas voltemos aos gatos, esses metafísicos e misteriosos animais. Como eles dizem tudo sobre o amor e sobre nós. O casal briga e eles incorporam o barraco. Vão lá e quebram tudo, reviram o mocó-saló de cabeça pra baixo.

 

Na harmonia e no amor intenso, lá está ele, sempre aos nossos pés. Como eles adoram ver e sentir os cheiros da hora do sexo.

 

Eta bichanos voyeuristas.

 

Eles se enroscam na cama depois das nossas melhores noites. Cumprimentam-nos pelo afeto e pela performance. Um belo “miau” de parabéns, como se dissesse, a nos arranhar de leve, estão vendo como o amor pode dar certo, seus cães danados?!

Escrito por Xico Sá às 14h35

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Chuta que é macumba -a intolerância evangélica

Minha santa mãezinha agora é evangélica. Católica não-praticante como todos da família, converteu-se, coisa de uns três anos, assim como vários membros do “milionário” clã dos Sás dos sertões do Ceará e de Pernambuco. 

Mantenho o maior respeito pela forma como ela reencontrou a fé, caminho comum a tantos outros brasileiros: um irmão, quase em condição de rua, largou o vício. Minha mãe, meu amor, então “aceitou Jesus”. Acho bonito. Mesmo. Sem ironia alguma nessa fala, senhor diretor, por favor.

  Dona Maria do Socorro  me respeita e me ama ao extremo, apesar da minha vida torta. Sim, pensa na minha saúde, ora, ora por mim, mas não me julga. Linda.

Até ri quando algum sobrinho (eta que essa nova classe C internética faz um estrago na minha biografia antes escondida para ela!) mostra algum texto ou vídeo no qual exibo alguma imoralidade.

Tudo lindo.

Grau zero de intolerância entre a Bíblia aberta na Timbaúba, bairro que habita em Juazeiro do Norte, e a minha crença no excesso  –a lama cura!- em São Paulo.

Os Sás, quizás, quizás, não podem servir como exemplo, somos diferenciados demais para tanto. Invoco, porém, o nosso “case” caseiro, diante do intolerante lobby da política evangélica brasileira. Especialmente os pentecostais.

Saltemos a porteira, os portais, direto para o noticiário desta Folha.com:

A presidente Dilma Rousseff determinou a suspensão da produção e distribuição do kit anti-homofobia em planejamento no Ministério da Educação, e definiu que todo material do governo que se refira a "costumes" passe por uma consulta.

Sim, pressão da bancada evangélica. Ou isso ou aquilo. Donde aquilo atende pelo batismo de Antônio Palocci, o ministro da Casa Civil, a cabeça de São João Baptista da vez.

Na campanha eleitoral não foi diferente. A própria Dilma foi vítima. Veio a palavra aborto e com ela acenderam todas as luzes vermelhas da histeria pentecostal-midiática.

Ah, cuidado, os evangélicos!

Ah, não mexam com eles!

Ah, eles têm a força!

Ah, religião com eles não se discute.

Ah, mal-estar da civilização uma ova, seu Sigmund!

Enquanto isso, em uma política de tolerância zero, os pentecostais chutam tudo que tem pela frente.

Chuta que é macumba, como eles tentam destruir, sem o menor respeito, as religiões e crenças que viajaram d´África ao Brasil nos navios negreiros.

Eles não discutem. Estão certos. Ponto, nada de parágrafo, só resta o versículo que justifica todo e qualquer ato.

E assim, num conluio intolerante entre fé e poder, no mesmo país que acaba de legitimar a união civil entre pessoas do mesmo sexo, engata-se a histórica marcha à ré no varejo da crônica de costumes.

Quando, em nome de Jesus, se metem tanto em nossas vidas, religião se discute. Estamos aqui para isso, não acha, amigo?

Escrito por Xico Sá às 13h13

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Casa Cor e o muquifo solitário em branco e preto

 

Vem a Casa Cor, evento em cartaz em SP, e não tenho como não lembrar do mocó de um autêntico macho-jurubeba, esse personagem gaulês-nordestino que resiste contra o reinado metrossexual.

 

O mocó, o muquifo descolorido, opaco, fosco, papelônico, quase em branco & preto, o contraponto disso tudo que está por aí nas mostras, revistas, catálogos e nos papos de decoradores modernos (e de outros nem tanto) que caem no conto. 

 

Entonce, cronicamente inviável, apresentamos, a toca de um macho-roots oficialmente solitário. Ei-la:

 

Noves fora o “homem de predinho antigo”, aquela criatura que adora um pé-direito alto, um sofá de época e uma luz indireta, o macho solteiro é um desastre no capítulo decoração.

 

O desajustado cavaleiro tem lá o seu sofá velho, a sua tv, uma cama barulhenta quase de mola, três ou quatro panelas -sem cabo- encarvoadas pelo tempo, e copos de requeijão, muitos copos de requeijão, alguns deles ainda com um pedaço do papel do rótulo.

 

Se brincar, o cara coleciona também os velhos copos de geléia de mocotó, um primor de utensílio “vintage”.

 

E quando a fofa, toda fina e fresca, nova namorada, chega lá no muquifo  com a sua garrafa de champanhe?! Procura, procura as taças, para fazer uma graça com o marmanjo, e nada. O jeito é beber Veuve Cliquot em copo de extrato de tomate.

 

Quem mandou apaixonar-se por um macho-jurubeba autêntico, que vem a ser justamente o avesso do metrossexual, aquele mancebo da moda que se lambuza de creminhos da Lancôme e decora o loft, sim, ele mora num loft, de acordo com as tendências da revista “Wallpaper”.

 

Pior é quando ela tenta mudar tudo. E põe aquele seu quadro caríssimo e de grife numa sala que não tem nem mesmo um sofá que preste?!

 

Um desastre.

 

A fofa, toda classe média metida a novaiorquina, não desiste nunca.

 

Ai presenteia o bofe -sim, ela está doida e perdidinha pelo vagabundo- com uma batedeira prateada ultramoderna com 600 funções, que nunca será usada.

 

Ai fica aquela batedeira high-tech fazendo companhia aos três pratos chinfrins e aos garfos tortos -como se o Uri Geller, aquele parapsicólogo que aparecia no Fantástico das antigas, tivesse jantado por lá ou feito faxina na área.

 

Ela começa a revirar geral, um deus-nos-acuda, numa casa onde ninguém havia mudado sequer uma planta de lugar. O reino vegetal, aliás, é outro ponto fraco do macho solteiro. Jarros, flores? Nem de plástico.  

 

Na casa do homem solteiro típico, a utilidade triunfa sobre a estética. ]

 

O cúmulo do utilitarismo.

 

Sofá da tia-avó vira cama, como diz a minha amiga D., co-autora dessa crônica.  A cama vira sofá, a rede vira sofá e cobertor, o cobertor vira cortina preso à persiana...

 

A falta de cortina é outra marca registrada do desmantelo do cavaleiro solitário. Quando muito, papel filme.

 

Abajur? De jeito maneira. Tosco no último, ele não tem cultura de luz indireta, nem nunca terá, esqueça.

 

Outro traço de personalidade do macho solteiro: tudo que chega até a cozinha vira tupperware -aquelas embalagens plásticas de lasanha comprada pronta, caixinha de entrega de comida chinesa ou japonesa, potes de sorvete... Uma festa!

 

Sim, na geladeira só latinhas de cerveja, uma garrafa de água pela metade e uma triste cebola murcha partida ao meio incapaz de fazê-lo chorar por ele mesmo.

Escrito por Xico Sá às 04h27

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Dica de leitura para o sr. Palocci e outros abençoados

 

 

Os ricaços, esses perseguidos, nunca sofreram tanto em nosso país.

Repare o que se passa agora com o ministro Antônio Palocci, mire-se no exemplo dos barões igualmente acossados em outras gestões, nos bons burgueses da privataria etc.

Pense no desconforto dos bilionários da cidade de SP –orgulhosamente a sexta no mundo, segundo recente ranking da Forbes, nessa categoria nada suspeita.

Como se não bastasse a proibição de flanarem alegremente pelas ruas –só lhes restam os desconfortáveis e perigosos helicópteros-, ainda enfrentam a ira santa dos moralistas, dos advogados do bem, dos rábulas dos coitadinhos, dos abutres do jornalismo e dos invejosos fadados a roerem o infindável osso do sopão da miséria.

Mas não será este blogueiro sujo e mal-pago, cronicamente inviável e a mascar o jiló da inveja, que fará vossa defesa, nobílissimos senhores.

Recorro, com a humildade bibliófila que me é devida, aos serviços do escriba, cronista de costumes e dramaturgo irlandês Bernard Shaw (1856-1950),  do qual recomendo, de imediato, a leitura do libelo de classe “Socialismo para Milionários” (Ediouro), ai acima na colagem da galeria marjoriesebo.

“A classe dos milionários, uma classe pequena mas crescente  na qual cada um de nós pode se ver atirado amanhã pelos acasos do comércio, é talvez a mais descuidada da comunidade. (...)Só se tem pena dos pobres”,  escreveu o nosso Shaw.

É verdade. Até para adquirir seus bens, nossa, é um sufoco, sempre a exigir a triste fadiga do jet lag. Só se pensa agora na tal da nova classe C deste país. É um novo negócio por dia para zelar apenas pela voracidade baiana dos ex-descamisados.

 Fica a sugestão, irmãozinho mi ou bilionário, seja você um ex-comunista ateu ou adepto da teologia da prosperidade. Alguém aqui nessa terra se preocupa com a perseguição e o bullying de classe, como se queixou outro dia um representante da associação de moradores de Higienópolis. Boa leitura a todos. A todos não, apenas aos agraciados com o milagre da multiplicação das patacas.

Escrito por Xico Sá às 21h17

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Ombudsmacho lê revistas femininas

O que querem as revistas femininas?, indagaria solenemente o doctor Sigmund. Sou desavergonhadamente viciado nesta publicações, como  já confessei  em posts inaugurais deste blog.  

Ombudsmacho, Ombdsman de banheiro feminino ou de sala de espera, destacarei aqui, sempre que possível, o conteúdo de algumas publicações do gênero.

Comecemos pela minha preferida em matéria de SEXO caliente, atrevido e picante. A revista Nova, óbvio. A edição de maio está do jeito que eu aprecio. Do jeito que Maria do Carmo, aquele rapaz que comprei no Norte para o colega Tarso de Castro, gosta.

“101 perguntas sobre sexo que você sempre quis fazer (e não tinha a quem)”.  Segredos que escapam até mesmo à sagacidade do Google, como realça o texto. É a chamada que brilha sob o sol das bancas.

A pergunta número 1: quanto tempo dura uma boa relação sexual? Ora, você não sabe, Nova responde, precisa, como sempre: entre 7 e 13 minutos. A fonte: estudo da Universidade Penn State Erie. Ufa, até que as coisas não andam tão mal assim lá no meu cafofo.

Saltemos para a pergunta 11, importantíssima em tempos de rigorosa dieta: Quantas calorias tem o sêmen? 35 por colher de sopa.  

Uma indagação mais romântica, please, então chegamos na 45:  Corro o risco de ficar cega se o sêmen entrar nos meus olhos? Não, lave com água, diz o texto, simples, simples.

Doravante ficamos sabendo que os humanos não são os únicos animais que se masturbam, que os homens podem ter 11 ereções por dia, que dá, sim, para transar dormindo etc etc.

Ah, estimada rapariga, aquele espirro quando ficas excitada é normalíssimo. Coisa do tecido inchado do nariz, que neste solene momento imita a vagina. Anatomia, essa adorável traidora.

Das antigas

Ensinamento da revista Querida, em 1954: Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu.

Escrito por Xico Sá às 13h53

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Os dez mandamentos do homem feio

Domingo é dia de frango com macarrão e desavergonhada auto-ajuda punk-brega neste blog. Hoje a intenção é encorajar os irmãos esteteticamente prejudicados.

 

Vamos nessa. Dez coisas que um homem feio -ou mal-diagramado, como digo- deve saber para tirar mais proveito da vida, essa ingrata:   

 I) Que a beleza é passageira e a feiúra é para sempre, como sabia Sérge Gainsbourg,ai na foto com Jane Birkin. Sim, aquele mesmo francês que gemeu sem sentir dor também com a Brigite Bardot. O cara do maior hino de motel de todos os tempos, “Je t´aime moi non plus”.

 

 II) Que as mulheres, ao contrário da maioria dos homens, são demasiadamente generosas. E não me venha com aquela conversinha de que elas são interesseiras. Corta essa, meu rapaz. Se assim procedessem, os feios, sujos e lascados de pontes e viadutos não teriam as suas bondosas fêmeas nas ruas. Elas estão lá, bravas criaturas, perdendo em fidelidade apenas para os destemidos vira-latas.

 

 III) Que o feio, o mal-assombro propriamente dito, saiba também e repita um velho mantra deste cronista de costumes: homem que é homem não sabe sequer a diferença entre estria e celulite.

 

 IV) Que mulher linda até gay deseja e encara, quero ver é pegar indiscriminadamente toda e qualquer assombração e visagem que aparecer pela frente.

 

 V) Que homem que é homem não trabalha com senso estético. Ponto. Que não sabe e nunca procurou saber sequer que existe tal aparato “avaliatório’’do glorioso sexo oposto.   

 

 VI) Que as ditas “feias” decoram o Kama Sutra logo no jardim da infância.

 

 VII)  Que para cada mulher mal-diagramada que pegamos, Deus nos manda duas divas logo depois de feita a caridade. 

 

VIII)  Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um detalhe que encanta deveras. 

 

IX) Que me desculpem as muito lindas, mas um quê de feiúra, um quezinho, é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova. 

 

X) Saiba, por derradeiro, irmão de feiúra, que a vida é boxe: um bonitão tenta ganhar uma mulher por nocaute, a nossa luta é sempre por pontos, minando a resistência das donzelas. Boa sorte, amigo esteticamente prejudicado, nesse grande ringue da humanidade! 

Escrito por Xico Sá às 17h31

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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