Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Como observar a pessoa amada quando dorme

 

Sábado é dia de murchar a bola do realismo aqui neste pedaço e ser, em outras palavras, muuuito romântico.

Quem sopra o mote é o velho escritor Alberto Moravia, o comuna mais lírico do mundo, sempre aqui na cabeceira: "Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”.

Está certo o romano e tem como avalista outro gênio, o recifense Antônio Maria -o grande cronista que aparece com ciúmes até dos apresentadores da tv no livro da Danuza: "Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta."

Experimente você também, sensível rapariga, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.

Amar é... vê-lo(a) dormindo. Como aí na ilustração picassiana na cumeeira do texto.

Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.

Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.

Psiuuuuu!

Ela dorme.

Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.

Dorme, meu anjo.

Ela obedece.

Vigio o sono dela como um soldado zapatista.

Como um cão zela o sangue do dono.

Como se fosse um homem-exército e pronto.

Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.

A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.

A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!

O ideal é que você, leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.

Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.

Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.

 Como é lindo a vigília ao sono dela.

Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.

Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.

Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.

E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios. Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas.

Escrito por Xico Sá às 15h58

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O que pega no fim-de-semana e o caretismo de SP

Ou o bafo do finde, como diriam os mais moderninhos com poder de síntese.  Ou ainda Onde o bicho pega, Onde a porca torce o rabo, já diria um macho-roots, um verdadeiro jurubeba-man. Com apoio do Capitão Presença, anti-herói que ilustra esta bagaça.

Na estreia da dica caliente fora das agendas oficiais e guias midiáticos, recomendamos o protesto-cabeça da Marcha da Maconha. Neste sábado e domingo a passeata pela legalização acontece em várias capitais do país.Veja aqui o serviço completo.

No Recife, por exemplo, cidade que já esteve sob o domínio holandês, a Justiça foi sensata e liberou geral, no problem!, pelo direito sagrado e legítimo da liberdade de expressão. Em SP, liminares (decisões jurídicas provisórias) haviam sido lavradas para garantir a realização da passeata e livrar os manifestantes do xilindró.

Qual o quê!

A alegria de véspera durou pouco. Outros homens de toga revisaram a parada. Agora está proibida mesmo a marcha, repare o absurdo. Os organizadores prometem, para a tarde deste sábado, no mesmo vão do Masp, um protesto do protesto do protesto. Pela liberdade de expressão, pela maconha e contra a caretice de SP.

É, prezado amigo, estimada rapariga, a cidade vanguardista do velho Oswald de Andrade vive o seu pior momento. Tudo aqui é proibido. Viramos a vanguarda do atraso. Vade retro. O espírito de Kassab, esta espécie de Jânio Quadros sem álcool, tomou conta de tudo.

Com fome de viver e muita decência na larica, protestem na buena onda, rapaziada guerreira e velhos e gloriosos maconheiros das antigas. Paz, humor e ironia para desarmar os homens da lei!

E você, amigo(a), qual a dica da sua cidade ficou de fora dos guias convencionais? Pendure aí na cortiça dos comentários e chame el pueblo! Vale desde um show da banda do amigo a um baile de debutante.

Escrito por Xico Sá às 17h42

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Pela utilidade do homem - final

Estimado mulherio, é hora de reiniciar o macho.

 

Uma chance na terra aos homens de boa vontade. Queremos ser úteis, não estes malditos seres obsoletos e infantis.

 

Pela serventia do macho. Nem que seja apenas como toscos lenhadores que abastecem a casa de lenha durante o rigoroso inverno.

 

Nem que seja de forma fingida como um orgasmo, rogamos por esta nova oportunidade.

 

Repito: mirem-se na pedagogia da Marilyn Monroe entre os seus dois cowboys no filme "Os Desajustados".

 

Como ela sabia pedir gostoso e tudo conseguia de um homem.

 

Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis.

 

Pede Channel, pede Louis Vuiton, pede que eu compro nem que seja no camelô.

 

Não me pede nada simples, faz favor.

 

Casa, comida, roupa lavada e Bilhete Único? Pelamor. É pouco.

 

Já que vai pedir, que peça alto. Você merece.

 

Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses.

 

Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, um cheque sem fundos.

 

Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço, são lindamente barulhentos.

 

Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.

 

Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos, como um Wando, como o poeta mais brega ou como o T.S.Eliot.

 

 Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”

 

Um castelo na Inglaterra?

 

Sim, eu dou na hora.

 

Sim, eu opero o milagre.

 

Como no pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!

 

Pede, benzinho, pede tudo.

 

Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???

 

Pede, minha nega, que o amor tudo pode.

 

Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapam de um belo pedido.

 

Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência.

 

Não é questão de poder ou dinheiro.

 

O charme e o que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato.

 

Os melhores cremes da Lancôme? Vou a Paris agora. Estou pronto.

 

Eu lhe peço: me pede.

Escrito por Xico Sá às 00h35

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Manifesto pela volta do macho útil - parte I

 

 

(Ou Das serventias esquecidas de um Homem)

 

Queremos voltar a ser úteis, imploro, repito. Queremos prestar de novo. Mulheres, escutem o nosso grito. Ouviram do Ipiranga, da Pampulha, do Capibaribe, das margens do Jaguaribe? Ouviram?

 

Não se trata de mais uma cantada genérica. Cantar é fácil. Qualquer mané o faz. A grande arte de um homem começa quando a cantada dá certo, ouviram, rapazes? Sim, o feitio de oração, o devotar-se, como insisto aqui nesta campanha permanente.

 

E nesse quesito, amigos, quem mais se aproxima da nota dez é quem atende todos os pedidos, ou quase, da cria da sua costela. Mesmo que seja uma daquelas gazelas que adoram ser mimadas 24 horas, filha única, carente, voz manhosa de Marilyn Monroe no faroeste “Os Desajustados”.

 

Porque só Marilyn, não por ser loira, mas pelo estilo da fala, sabe ensinar como obter tudo de um homem.

 

Ainda mais nesses tempos de hoje, em que perdemos praticamente a utilidade. Não vamos muito além da velha troca do chuveiro queimado ou da lâmpada. No restante dos ofícios, elas possuem dotes e consolos materiais e filosóficos. Nem a massagem do cansaço noturno passa mais por nossas mãos rudes –tem sempre um japa do ramo que já resolveu a parada antes.

 

Nesse critério, de nos tornar um pouco úteis, de deixar o macho se sentindo vivo e importante, queremos a chance de saber que na vida ainda existe almoço de graça. Deixem que o homem pague, mesmo que você seja aquela super-poderosa mulher que comanda uma plataforma de petróleo ou que tenha nascido da costela do Onasis.

 

Queremos voltar a ter a chance de atender os seus pedidos. Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir, não acha?

 

Como elas pedem gostoso.

 

Como elas são boas nisso.

 

Resistir, quem há de?

 

Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo caliente da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.

 

Pede que eu dou, meu amor, eis o mantra aqui repetido.

 

Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo!

 

Estou pedindo: pede! (continua amanhã).

Escrito por Xico Sá às 12h28

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Pedro Juan Gutiérrez: "Trepem mais"

Com um desprezo sem fim ao mundo virtual, o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez, 61, com quem tive o prazer –quase sexual!- de conversar hoje, nos deixa uma mensagem explícita: levantem a bunda destes computadores e cuidem mais das suas mulheres. Uns poucos amigos também merecem o mesmo cuidado olho no olho.

“Trepem mais, como se diz no Brasil, vivam mais intensamente, dramaticamente, não se tornem escravos da virtualidade”, lançou a sua mensagem a este blog, como uma boa garrafa de rum cubano atirada nos mares interneteiros, antes de iniciarmos uma mesa do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, no Sesc Vila Mariana, em SP. Fui mediador da conversa. 

Diante da plateia composta por calientes e curiosas chicas –quanto oclinhos inspiradores-, a prosa seguiu na mesma pegada: “Tem que tocar”, resumiu o seu panfleto contra a virtualidade. O que tem com o seu nome na internet, um site homônimo e uma conta no facebook, é feito por amigos. Nisso, ele faz questão de não tocar, passa a léguas de distância. 

É, amigo(a), para o cubano, vale o mantra de Eduardo Kac, um gênio de Copacabana: só se cura um amor platônico com uma trepada homérica.

Mas não ficamos só nessa questão básica da humanidade: tocar e não tocar. Gutiérrez começou a participação com uma pequena mostra dos seus poemas visuais, colagens-chistes produzidas recentemente na Espanha –vive no momento uma temporada entre Madrid e Tenerife, onde escreve novo livro.

Durante a projeção dos poemas, leu um belo texto sobre os jogos da criação literária, realçando o seu amor por Cortázar, este outro grande jogador, e Kafka, uma obsessão também da sua jogatina como leitor.

A importância desse “juego”, entre leitor e escriba, que era o tema central da mesa, não obscureceu, evidentemente, o cheiro de sexo e a realidade cubana. Foi tão importante quanto os livros na sua formação, mirem no exemplo meus rapazes, uma puta de 40 anos para quem gastou a imaginação em mirabolantes enredos masturbatórios. Isso é que é oficina de criação!

Pedro Juan Gutiérrez sempre evitou falar de maneira mais direta sobre a política do seu país, embora a sua ficção diga tudo sem carecer de algo mais didático ou panfletário. Contou que a leve abertura no regime já fez surgir pequenas edições dos seus livros na Ilha.

O autor de “Trilogia Suja de Havana” (Companhia das Letras) é um animal literário, daqueles que vivem intensamente para escrever depois, mas, cuidado, amigo, muita coisa que se publica sobre ele é uma hipérbole sugerida pelo universo da sua criação e o folclore em torno da sua biografia.

Conta que não foi, por exemplo, gigolô, como registram fartamente por ai. A proximidade com as putas sempre foi mais carinhosa.

Não foi gigolô, porém exerceu o jornalismo durante 26 anos. Haveria alguma semelhança entre os dois ofícios?, perguntei. O animal literário, mamífero e por isso mesmo com grande queda pela conjunção carnal, como ressaltou, apenas riu. Disse que voltaria a ser periodista na buena. Mas não em Cuba, onde não teria liberdade total para o exercício.

Se a virtualidade mereceu um cruzado de direita do boxeador, o Politicamente Correto levou uma esquerda no baço: “Vai acabar com o mundo”. O seu livro “O Animal Tropical” não foi publicado nos EUA por essa patrulha pé-no-saco, contou. Na Europa, disse, os editores também estão contaminados pela correção exagerada.

E você, meu prezado rapaz, minha estimada rapariga, o que achou das opiniões de nostro hombre em Havana? Exagerou na questão da vida virtual¿ Foi demasiadamente apocalíptico quanto ao políticamente Correto? Agora eu quero ouvir.

Escrito por Xico Sá às 14h31

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Só a mulher sabe mentir de verdade

 

Que diferença da mulher o homem tem? Espere ai que vou dizer, meu bem. Aproveito a epígrafe à Jacson do Pandeiro para explorar, na obrigação de reles cronista de costumes, o pecado da mentira, essa obviedade mais velha que a palavra e a saliva.

Porque dele ninguém escapa. É o mais ecumênico e democrático. Por pensamentos, obras e omissões. Somos amorosamente corruptos, repito um velho mantra.

Com os meios virtuais, meu glorioso São Tomé, ai é que a mentira alonga suas pernas de centopeia mesmo. Para dar conta da sua nova amplitude, teria que ser revisto e ampliado o mandamento específico das tábuas sagradas.

Mas que diferença da mulher o homem tem? Como em quase tudo na vida, as fêmeas são mais sofisticadas, labirínticas, possuem a arte da burla e das ilusões mais afiladas. O macho abusa amadoristicamente, como se fosse um recurso tão natural quanto a água e o óleo de peroba.

Até os melhores exemplares da raça masculina cometem as suas trapaças, dissimulações, subterfúgios, maquiagens na face da quase sempre insuportável realidade. Do presidente da corte superiora ao trombadinha. A diferença é que uns ainda coram, enquanto outros nem se incomodam com as faces infestadas pelos cupins do moralismo.

Todo esse lero-lero para dizer que folheei dia desses, na espera do dentista, “101 mentiras que os homens contam _e por que elas acreditam” (ed. Ediouro), da norte-americana Dory Hollander, um clássico da psicologia vagabunda.Aliás, nem no dentista foi, o fato deu-se no consultório do homeopata, quer dizer, no psiquiatra...

Minto. Comprei mesmo o livro no sebo, por dever de ofício, e o devorei feito traça. Que mentira que lorota boa, seu intelectual de meia tigela, seu Zelig, que fica inventando desculpa para as leituras mais banais.

Dane-se, comprei, li e gostei, pronto. Melhor assim. E quer saber, é um clássico. Dona Hollander fez uma pesquisa séria, ouvindo muita gente, sobre nossas mentiras, nem sempre sinceras, e nossas piores promessas.

Vai de um inocente "estou cansado demais" a um irresponsável "eu te amo" -dito na hora errada à mulher errada, no lugar errado. Começo, meio e fim e a nossa cuca ruim, como na canção do príncipe Ronnie Von.

Por que elas acreditam, então? A psicóloga arrisca respostas: as mulheres acham que ceticismo e romantismo não podem andar juntos, sob pena de estragar as coisas.

Dona Hollander nos separa em dois blocos: os perigosos e, digamos, aéticos, que abusam da mentira, que enganam por "esporte e lucro", de forma inescrupulosa; os mentirosos ocasionais, que se mostram dissimulados sob pressão e desviam a realidade com pequenas lorotas, artifícios para se livrar da "fúria feminina".

Nessa categoria estão também aqueles que poderíamos chamar de canalhas líricos, categoria aqui já tratada, galanteadores como o personagem Bertrand, do filme "O homem que amava as mulheres", do xará Truffaut.

Dublês de d. Juans, os Bertrands apenas enfeitam, douram a realidade nas suas peregrinações em busca das crias das suas costelas. 

Algumas das 101 melhores e mais ingênuas mentiras ditas para as moças:

"As únicas fantasias sexuais que tenho são com você".

"Você é maravilhosa, merece alguém melhor do que eu".

"Relaxe, é apenas uma amiga".

"Vou deixar minha mulher".

"O que me atrai em você é a sua mente".Etc,etc, ad infinutum.

E você, descarado rapaz, e você, doce rapariga em flor, consegue viver sem mentir? Não? Então conta uma aí pra mim.

Escrito por Xico Sá às 14h59

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Triunfo do time deixa homem melhor na cama

 

É assim que este blog é: metade futebol, metade mulher, como na sábia música da banda Eddie. Ora, são os dois grandes assuntos da humanidade.

Segundona de ressaca, pós finais, é hora de tirar uma buena onda, uma greia, um sarro dos perdedores. O futiba vive disso, não de ficar agarrando homem por ai e saindo na porrada.

Confesso que ainda acho meio esquisito também esse grito de “chupa fulano”, “chupa sicrano”, nova selvageria oral dos dias de jogos.

Como sou um rapaz bem educado por dona Maria do Socorro, digo simplesmente chora corintiano, chora Galo, chora gremista, chora verde de Goiás, chorem rubro-negros e leões do Recife e de Salvador -Sport e Vicetória, como maldosamente chamou um dia o “Correio”, agressivo e caliente diário baiano.

E aproveitem, mulheres, a paudurescência, como diria Guimarães Rosa, dos seus namorados, maridos ou cachos. É, amiga, quando o time do macho vence, ele fica o cão-chupando-manga na cama, capaz de todos aqueles bambuais do Kama Sutra. Se o clube dele foi campeão, ave maria, é muita potência, minha querida. 

O cara fica o tampa-de-crush, o fodão do bairro Peixoto, como dizia o “Planeta Diario” carioca. E não é apuração gonza e bêbada do meu instituto Databoteco. É pesquisa séria, ciência pura, mas só entrego a fonte mais lá embaixo. Desçamos mais o nível.

Amiga ai com o seu tricolor do Arruda a tiracolo, por exemplo. O boyzinho fanático pelo Santinha, minha Nossa Senhora do morro da Conceição. Depois de cinco anos sem título e de ter caído para a série D do Brasileiro, imagina como esse menino está envernizado, doidão, um tarado, um perverso, no bom sentido do termo. Não te dará descanso, minha flor do bairro, até o próximo campeonato.

É, minha querida, mesmo que você seja rubro-negra ou uma aliada timbuzinha, aproveita. E já lhe digo o segredo:segundo uma pesquisa da Universidade da Georgia (EUA), quando o time do macho ganha, mesmo uma vitória normal no meio do certame, o monstro fica pelo menos 27,6% mais tarado na cama. São galões e mais galões de testosterona acrescentados na corrente sanguínea.

É mandinga do faquir para fazer subir a cobra, como na lição indiana. Imagine, minha senhora ou senhorita, um título como este do Santa Cruz, uma ressurreição, um “levanta-te, Lázaro”! Imagine quão paudurescente ficou o mancebo. O triunfo do tricolor é o genérico do Viagra para as massas.

Né não, velho Anísio?, né não Jr. Black?, né não, João Valadares?, né não Fred Jordão?, né não, Bodinho?, né não, Fabio Trummer?, né não Elói da Comunicarte?, né não Evaldo Costa, né não, Samarone?

A mulher do santista também sentiu o efeito, Peixe com Ômega 3 e catuaba, mas como já era o bi-campeonato, vai esperar mesmo a noite do século com o tri da Libertadores. Bordadeiras da Baixada, preparem as máquinas para desenhar no peito alvinegro a terceira estrela.

Lá em Chapecó, também tem sorriso largo das gazelas, Chapecoense manda em Santa Catarina. Outra grande festa do interior é das princesinhas de Feira de Santana. O Bahia local, o Trovão Azul, papou o caneco.

Depois de uma galinhada com pequi -como me lambuzo com esse prato!-, imagina o romântico torcedor do Atlético Goianiense, minha musa do cerrado?

Em BH, o mundo também azulou de vez sem carecer da pílula estimulante da mesma coloração. Felpudas e arrepiadas raposas, a hora é agora.

E, finalmente, tudo que havia sido broxante para os colorados com a saída da Libertadores, agora reacendeu na beira do Guaiba. Mas com as deusas profissas da tia Carmen, amigo, não vale.

Parabéns aos campeões e tirem todo proveito, moças, é testado e aprovado pela ciência.

Escrito por Xico Sá às 01h33

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Tabelinha com Neymar, Neymessi, Neymacho

 

As periguetes pediram, as românticas soluçaram, as marias-chuteiras fizeram ola e o próprio Neymar, na buena onda, espalhou as pueris, singelas e mal-traçadas linhas:

“Queria agradecer pelas palavras. Acabei de ler seu texto ! Saudacões alvinegras rsrsr Abraços.”

E ainda vem com essa risadinha de garoto maroto, travesso, alcionamente periculoso. Te liga, moleque, caiu na rede é peixe.

Bom que riste, bom que choraste com a crônica, gracias, meu  jovem, seeeegue o jogo. E que sigas lendo. Não este tio animal que te escreve. Falo dos grandes, os craques que batucaram na máquina de escrever como tu começas a mostrar em campo, com ginga e arte. Sim, te mandarei as dicas sobre os autores, relaxa.

Bom jogo com o Coringão, mas guarda um pouco pra Libertadores. Pensa no vôo condoreiro sobre as Américas.

Calma periguetes, calma românticas de derretidos corações, estimadas marias-chuteiras... Atendendo a pedidos, também da molecada, claro, a crônica sobre o menino que virou papai:

NEYMACHO

Amigo torcedor, amigo secador, claro que assumir a paternidade é uma obrigação e não deveria nem mesmo ser motivo do louvor que farei nestas linhas tortas.

Infelizmente, porém, a gente sabe como funciona a parada. As tantas novelas sensacionalistas de DNA, os tantos dramas, com personagens milionários ou “gente diferenciada”, como na classificação de pobres feita em Higienópolis. 

No mundo dos boleiros, então, nem careço gastar mais tinta e listar os casos. No presente e na história. O próprio Rei do futebol, para ficar apenas no chão de estrelas do Santos, teve o sagrado nome envolvido em demoradas polêmicas. 

 

Por todo este histórico dramático e de tantas omissões de pais brasileiros –saibam ou não o que é uma bola-, é que te digo, caríssimo Neymar, moleque com quem já tive o prazer de levar um lero, parabéns pela atitude.


Neymar, meu jovem, tu agora não és apenas mais um menino, agora és um homem. Ao assumir publicamente a paternidade, foste não somente Neymar, tampouco um ensaio do Neymessi, foste Neymacho, para usar um trocadilho com o meu viés nordestino. 

 

Macho não no sentido lampirônico do termo, muito menos na acepção de conservadorismo e machismo rasteiro. Macho na grandeza de ser homem e não fugir à luta, na maneira de ser responsável por aquilo que praticas. 

 

Sim, meu rapaz, como bem falaste ontem, foi um baque, um susto, tens apenas 19 anos, é o começo da vida. Contar isso para o teu, imagino, que barra. Por mais que tenhas um bom relacionamento com ele, ave Maria, não é fácil mesmo.  

 

Ainda mais, menino, quer dizer, grande homem, com a força da grana que já envolve o teu nome. Por mais que sejas simples e na “buena onda praieira”, como senti na nossa conversa.

 

Mil vezes mais tranquilo enfrentar uma dúzia de Once Caldas, dez jogos com o rival Corinthians e todos os beques brucutus que te perseguem como se fossem aquele personagem do Javier Bardem, o famigerado Chigur, no filme “Onde os fracos não têm vez”. 

 

Que tenhas muito carinho pela mãe, sempre, e que, como bem disseste no anúncio da paternidade, Deus  abençoe esta criança.

Escrito por Xico Sá às 04h41

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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