Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Maior bandido vivo do Brasil -os eleitos

E o nosso mais honorável bandido é... Chegou a hora de saber o resultado. Justo no dia da malhação do judas.

Nada científico e apenas com auditores de botequim, o pleito levou em conta comentários espalhados por todos os posts deste blog durante o seu primeiro mês de vida. Juntou ainda a essa balaiada, alguns votos avulsos no meu twitter e facebook.

Enfim, uma fuzarca virtual à guisa de desabafo contra tudo que está ai, como vociferávamos no tempo da Ditadura.

Teve gente que votou folgadamente no mesmo personagem o quanto quis. Ora, sinal de que o desejo de elegê-lo era dos maiores. Sem regulamento, relax, a parada aqui vale pelo capital simbólico, nisso sou podre de rico e gasto por cuenta.

O cidadão e humorista greco-baiano Claudio Manoel –dá-lhe Casseta!-   deixou um voto que bole com todos os sentidos semânticos da bandidagem: "Vou no tradicional. Bandido sem metáfora, bicho ruim roots, old school: Fernandinho Beiramar”, sufragou.

Como não dispomos de um bandidômetro mais eficiente, apenas reeditamos o concurso promovido ainda em 1931 pelo antropófago Oswald de Andrade, o homem do Pau Brasil, e pronto.

Na trincheira gutenberguiana com a sua mulher Pagú, Oswald editou um dos melhores jornais que este país já leu: “O Homem do Povo”. Foi neste revolucionário papiro que lançou a eleição do maior bandido vivo. Naquela época, nobilíssimo Claudio Manoel, o bandido não-metafórico mais votado foi o Lampião.

O bom do resultado é que contemplou homens de todas as áreas –executivo público e privado, parlamento, judiciário, autarquias ludopédicas, igrejas etc. E ninguém praticamente associou as mulheres, repare que rico, a atos de bandidagem. Imaculadas ou protegidas por um certo machismo enviesado? Achei uma beleza isso tudo.

Infelizmente, devido ao feriadão ensolarado e chocolatoso com a patroa, contabilizamos somente quem atingiu a casa de uma dezena de votos –mas o que teve de autoridade provinciana ou municipal votada é brincadeira. Opa, caro Marcelo Tas, duas inomináveis criaturas sufragaram teu imanchável –sic Vicente Matheus!- currículo.    

E assim fechamos a marcha das apurações:

1)    Sarney – 263 votos

2)    Maluf – 101

3)    Ricardo Teixeira -100

4)    Serra – 66

5)    Lula – 42

6)    Daniel Dantas – 39

7)    Zé Dirceu – 35

8)    Edir Macedo – 27

9)    Collor -26

10) FHC -25

11) Kassab – 23

12) Alckmin -22

13) Gilmar Mendes -21

14) Família Roriz – 20

15) Renan Calheiros – 19

16) Jader Barbalho -17

17) Grande mídia -15

18) Roger Abdelmassih – 14

19) Fernandinho Beira-Mar – 11

20) Polícia no geral, sem distinção – 10

Escrito por Xico Sá às 22h03

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Quando ele(a) diz "a gente se vê"

 

 

 

Em uma megalópole como São Paulo e outras tantas grandes cidades brasileiras, haja encontros e desencontros, alguns não tão graves, acontece, outros infinitamente dolorosos, que nos perturbam os sentidos, que fazem a gente maldizer os céus, os astros, o destino.

 

Fica tudo na base do “a gente se vê”... E adeus!

 

A gente se vê numa performance de gente pelada do fotógrafo Spencer Tunick -como na imagem arriba- no Parque do Ibirapuera. 

Não que fosse acontecer um casamento ou algo do gênero  a partir daquele encontro, nada disso, mas foram encontros bonitos, fortes, que se acabam ali mesmo, na poeira da estrada, numa tarde fria, em um café da manhã, numa simples despedida.

 

 “A gente se vê.”  Pronto, eis a senha para o terror, o “never more”, o nunca mais do corvo do escritor Edgar A. Poe.

 

A gente se vê. Corta para uma multidão no viaduto do Chá.

 

A gente se vê. Corta para uma saída de estádio lotado em dia de decisão do campeonato.

 

A gente se vê. Corta para “onde está Wally”.

 

Nada mais detestável de ouvir do que essa maldita frase. Logo depois a porta bate e nem por milagre.

 

Jovens mancebos, evitem essa sentença mais sem graça. Raparigas em flor, esqueçam, esqueçam.

 

Melhor dizer logo que vai comprar cigarro, o velho king size filtro do abandono. Melhor dizer que vai pra nunca mais. Melhor o silêncio, o telefone na caixa postal, o telefone desligado, o desprezo propriamente dito, o desprezo on the rock´s.

 

A gente se vê uma ova. Seja homem, troque de palavras, use o código do bom-tom e da decência. A gente se vê é a mãe, ora, ora.

 

Como canta o Rei, use a inteligência uma vez só, quantos idiotas vivem só...

 

Esse “a gente se vê” deveria ser proibido por lei. Constar nos artigos constitucionais, ser crime inafiançável no Código Penal.

 

A gente se vê é pior do que a gente se esbarra por ai. Pior do que deixar ao acaso, que jamais abolirá a saudade, que vira uma questão de azar e sorte.

 

Melhor dizer logo “foi bom, meu bem, mas não te quero mais”. YO NO TE QUIERO MAS, como na camiseta mexicana que ganhei de una hermosa chica. Dizer foi bom meu bem e pronto, ficamos por aqui, assim é a vida, sempre mais para curta do que longa-metragem.

 

 A gente se vê é a bobeira-mor dos tempos do amor líquido e do sexo sem compromisso. A gente se vê é a vovozinha, ora! Seja homem, seja mulher, diga na lata.

 

Não engane a moça, que a moça é fino trato, que não merece desdém. A fila anda, jogue limpo.

 

  A gente se vê. Corta para uma multidão no show do Morumbi. A gente se vê. Corta para o formigueiro do Maracanã.  A gente se vê. Corta para a São João com a Ipiranga. A gente se vê. Corta para um engarrafamento gigante na marginal do Tietê...

  

 A gente se vê. Então aproveita e vai olhar se eu estou na esquina!

 

Escrito por Xico Sá às 12h55

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Votação do "maior bandido" encerra amanhã

Você já votou na eleição de "O mair bandido vivo no Brasil?" Neste cívico e patriótico 21 de abril, um mês depois de aberto este blog e lançado o concurso, encerramos a escolha. 

Repetimos, orgulhosamente, e atualizamos o mesmo concurso feito em 1931 pelo genialíssimo jornal “O Homem do Povo”, do casal Pagú & Oswald de Andrade, periódico no qual este carapuceiro bebe românticas inspirações.

À época da enquete,  éramos tão bem-servidos de crápulas como agora. Lampião, por exemplo, no auge do cangaço,  nunca liderou a enquete, humilhado em um desprezível 7º lugar. O ex-presidente Arthur Bernardes revezava com Assis Chateaubriand, nosso velho companheiro de imprensa, a cabeça da disputa.

Até o nosso querido antropófago paulista era muito votado. Chegou a tomar o lugar de Lampião na lista.

E agora chegou o solene momento de você, amigo, escolher o seu honorável bandido contemporâneo. Quase mil pessoas já votaram.

Quem se habilita. Deixe o seu voto ai nos comentários ou no mesmo espaço do post inaugural deste blog. Importante: não vale bandido que já bateu as botas, afinal de contas, como diz o título daquela comédia, cliente morto não paga conta.

A apuração sai passionalmente nesta Sexta-Feira, solene data da descoberta deste Brasil varonil.

 

Escrito por Xico Sá às 15h17

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Conheça o outro cabeludo da canção `Detalhes´

É na clássica “Detalhes”, safra 1971, sua canção mais moderna no sentido benjaminiano e fragmentado... Curtiram a tese ou tento outro início?

Tá fraco?

Então tá, bora nessa...

É na clássica “Detalhes”, sua canção maior na fase de transição do rock para o romantismo popular, que o orgulho macho se pronuncia de forma mais explícita.

Sem essa, broto, de dizer meu nome sem querer à pessoa errada. Qualquer intruso, no caso, seria fatal para um Roberto ciumento e sincero.

Se um outro cabeludo, então, aparecer na sua rua, a culpa é sua. Aí o Rei já fala mais duro. O medo da sua majestade diante do mais plebeu e rasteiro dos sentimentos: a dor-de-corno.

Esse cabeludo [repare no preto e branco da fotografia] não era apenas uma loucura qualquer na cabeça de RC. A ameaça tinha nome, sobrenome e endereço fixo.

Com vocês, sem maiores suspenses e hitchcockianismos, Tarso de Castro (*1941+91)), jornalista, craque no batuque nas pretinhas da velha Remington, gato, unanimidade entre as beldades da época, ídolo, homem de Passo Fundo(RS), fundador do Pasquim, tá bom pra você, meu querido leitor noviço e cabaço?

Zunzunzum por um tempo, boataria por mais uma década, fuxico eterno para os céticos, a informação procede. #fato, como dizem os prezados absolutistas das redes sociais.  

O bravo escriba Tom Cardoso, no ótimo livro “Tarso De Castro - 75kg de Músculos e Furia” (ed.Planeta) já havia posto na roda a possibilidade quase concreta. Yes.

E a musa, quem era?

A socialite carioca Silvia Amélia. Linda, matadora de tão guapa, ali pré Nice, e como homem não acaba direito as coisas, ainda um pouquinho depois, você sabe, amigo, como somos ruins de transições amorosas.

Hoje, dia do aniversário do Roberto, sete ponto zero, uma velho amigo do Rei, talvez o mais próximo, bateu o martelo dos mais guardados segredos: “O outro cabeludo mexeu muito com Ele, era o comilão do Pasquim, podicrê, amizade!”.

Fechado.

Chifre prescrito, este cronista vagabundo que o diga, não dói, não vale mais nem o eco do choro antigo.

Mas se um outro cabeludo aparecer na sua rua, amigo, todo cuidado é pouco. Raspe o cabelo dele e tire satisfação na hora.

Parabéns, meu Rei Setentão, e fica de P.S. a tua versão oficial, postada no teu site:

“Não, de forma alguma. O Tarso é muito brincalhão e provavelmente esta brincadeira dele foi levada a sério. Esta história eu não conheço.”

Escrito por Xico Sá às 19h27

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As lições de Peréio na noite de SP

Um bom par de sapato, um caderno de anotações e um fígado de narrador russo. Eis o lema deste blogueiro andarilho. O personagem está na esquina. Em qualquer esquina. O de hoje estava precisamente em uma sinuca no bairro da Liberdade, San Pablo, no karaokê da Mama.

 

Com vocês, Paulo César Campos Velho, 70, vulgo Peréio, gaúcho de Alegrete, ator, poeta e macho. Uma vida de na trincheira contra a androginia (“Esse camarada se androginou/ a moça deu bola a ele e ele nem ligou!”, ouve-se ao fundo a lírica de Luiz Ayrão) e os desvios demasiadamente humanos da raça.

 

-Demasiadamente humanos para ti, cronista vagabundo, esse basquete do Nietszche não rola aqui na minha masmorra, corta essa, estou fora –manifesta-se o homem, o mito, a lenda viva, o bom animal à espreita.

 

É isso ai, a mata é virgem porque o vento é fresco, vamos em frente, conosco o Peréio, na mira da bola preta, roda a madeira sobre o giz, buraco do meio, suave como aquela canção do Miles Davis, caçapa.

 

-Sabe, amigo, é preciso manter o senso de escrotidão – cutuca, solene como na representação do seu primeiro Shakespeare. –Não obrigatoriamente com as mulheres, mas com esse garçom, por exemplo, que não chora no meu uísque.

 

"Porrada nos testículos"

 

Bola no canto, ele ajeita o blazer, na estica, dribla dois fãs chatos no mesmo mosaico, drible curto, seco, de futebol de salão, gênio, fecha um olho como no tiro ao marreco, erra na mira, por pouco, muito pouco, pouco mesmo.

 

-Chegou mulher bonita começa a dar merda no ambiente –admoesta a diva que flana na área em volta da sinuca.

 

Homem que é homem não chama uma moça à atenção, homem que é homem admoesta, mata no peito, desliza na coxa e faz do pito uma tese dramática de catega, jamais uma cantada, tão-somente uma isca para os movimentos futuros.

 

É o que nos professa o cara, agora já retomando a sua melhor fase no jogo depois do alumbramento com o mulherio.

 

-E digo mais, meus rapazes, ser amado pode até nos encher as bolas, ampliar o orgulho macho etc, acontece, mas não esqueçam jamais: toda mulher que ama se acha no sagrado direito de chutar o teu saco em qualquer calçada, a qualquer hora. E isso não é uma metáfora, homem que é homem não trabalha com metáforas.

 

Como assim, meu guru, explique a teoria.

 

Peréio cascaveliza o copázio de uísque e manda, de prima:

 

-Certa vez uma ex, a C., mandou a porrada nos meus testículos, digamos assim, para sermos educados nos termos. Ali ainda no solo pátrio, me contorcendo em dores, blasfemei, e quis saber o motivo de tamanha ira.

 

O que disse então a moça, meu caro?, instiguei o gaúcho. Nosso herói prosseguiu:

 

-Ela se explicou, magnâmica: "É que eu te amo demais".

 

A essa altura, garçons, rufiões, jogadores profissas e umas duas, três moças de bem indagaram, em uníssono:

 

-E ai, o que fizeste com a tua mulher, hombre de Diós?

 

-Só tinha uma coisa a dizer, senhoras e senhores: pedi que ela tratasse, imediatamente, de me AMAR MENOS, muito menos. Desde então, sempre faço essa advertência às fêmeas, o que tem garantido a saúde física e a integridade dos meus países baixos.

 

+ sabedorias do Peréio aqui, em vídeo, com belas gazelas na mesma sinuca do papo aí acima.

Escrito por Xico Sá às 20h11

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AS 10 MAIS DA VIRADA

1) Chicha Libre e o seu surf-rock amazônico tocando o hit do Love (Free Arthur Lee!), no bulevar São João, classe.

2) A vingança do Sangue de Boi, sagrado sangue de boá, contra a lei seca do prefeito Kassab, o cara que conseguiu proibir até a galinha cabidela na cidade de SP.

3) Genival Lacerda cantando na sua geografia afetiva de São Paulo, a Barão de Limeira, onde vive e tira onda.

4) A noite em que a São João virou subúrbio de Kingston, Jamaica, com Skatalites no comando dos trabalhos. Como indagaria o Gabeira, o que foi aquilo, maconheiro?

5) O brinde on the rocks de Marina Lima contra a lei seca.

6) Roda de pogo à Misfits, apesar da viatura da PM sobre as canelas da multidão, na estação Júlio Prestes. Espetáculo.

7) Vizinho ao gabinete do Kassab, o músico Lívio Tragtenberg montou "O gabinete do Dr. Estranho". Dentro de uma jaula e com um microfone aberto a desabafos e dores de amores dos transeuntes, ele mixava, ao vivo como caldo-de-cana, as vozes assombradas da selva. 

8) O escritor Marçal Aquino lendo um conto do Luiz Vilela, o Tchekóv de Ituiutaba(MG), sobre arquitetura moderna e diarreia. Detalhe: no momento, no restaurante do Sesc Carmo, servia-se um virado à Paulista em louvor trocadilhesco à gloriosa Virada. 

9) Beatles4Ever tocando todas as canções dos Beatles durante 24 horas. Chupa, sr. editor do Guiness Book!

10) A linda e arrepiante imagem de uma mina, Valentina à paulistana, botinhas e short jeans, mirando a lua e fazendo xixi sob frondosa árvore (seria o baobá do Pequeno Príncipe?) do Largo do  Arouche. Antes que a brigada moralista se arvore: SP não tem banheiros públicos e os químicos eram insignificantes para os 4 milhões de seres que frequentaram a festa.

E você, meu rapaz, minha rapariga, o que mais curtiu na Virada?

Escrito por Xico Sá às 19h55

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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