Xico Sá

Modos de macho, modinhas de fêmea & outros chabadabadás

 

Pra curtir na Virada do proibidão

Prepare o isopor com bebidas, para driblar a lei seca do proibidor-geral da província de Piratininga, e curta a Virada Cultural que o seu dinheiro banca. Na foto, o ex-presidente Lula, com assessores e dona Marisa, mostra a melhor técnica de conduzir as geladas. Mire-se no exemplo do grande estadista. E fica ai, à guisa de pitaco e roteiro de boas atrações, uma baciada do balacobaco:

1) Festa 011, fuzarca na vitrola com KL Jay, Edi Rock e Don Pixote, hoje, 18h, República.

2) Fernando Mendes, o cara da musa da cadeira de rodas, hj, 19h, Largo do Arouche. E/ou o guacamole romântico do mexicano Armando Manzanero, no mesmo dia e hora, São João.

3) Consejo Mundial de Lucha Libre, virada à mexicana, hj, 20h, Anhangabaú.

4)Chicha Libre, pra derreter o asfalto com a sua pequena, hj, 21h, São João.

5) Skatalites, a longevidade é hemp e mora na Jamaica, hj, 23h, São João.

6) Cibelle e Cidadão Instigado, a Venus tropicaliente e o Uhuuu de uma grande banda, meia-noite, 15 de Novembro.

7) Genival Lacerda, ele tá de olho é na butique dela, domingo, 2h, Barão de Limeira.

8) Gaby Amarantos, tecnomelody ao tacacá, domingo, 6h, Barão de Limeira. 

9) DJ Dolores y Orchestra Santa Massa, arrumadinho explosivo no café da manhã, domingo, 7h, São João.

10) Os Incríveis, e lá vem o pop-rock brasuca dos 60 e 70 de volta, domingo, 13h, Arouche. E/ou Ska Cubano, mesmo horário, São João.

11) Mad Professor e Marty Dread, domingo, 15h, São João.

12) Erasmo Carlos,  para embalar as gatinhas manhosas já cansadas da fuzarca, domingo, 17h, Arouche.

E você, meu rapaz, minha rapariga, qual será o seu roteiro no vira-vira?

Escrito por Xico Sá às 01h55

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Existe amor em SP?

Para M.,que soprou

“O amor é importante, porra” [ai na foto de Fábio Candeias], gritou o primeiro grafitti nos muros de Pompeia, zona oeste, no que foi seguido por um apelo mais delicado: “Mais amor, por favor”, no mesmo bairro onde nasceu Mutantes e o rock´n´roll paulistano. A derradeira inscrição, além dos rabiscos na parede, ganhou também lambe-lambes.

Aí veio o Criolo, ex Criolo Doido, e mandou, no seu rap-seresteiro, um hino genial sobre a cidade: “Não existe amor em SP”. Russo, suburbano, Maiakovski da quebrada esse menino que junta porrada & lirismo na mesma fita cassete. Fez um discaço para o qual me falta um vocábulo no meu embornal de adjetivos.

Cara feia, olhos marejados, eis o rap do novo milênio –já chegou? Quando é isso mesmo?,só acho bonito dizer novo milênio- na área. Sai o naturalismo realista e entra a força do inconsciente coletivo delirante, combustível que move os trens e os anjos dos arrabaldes. Redemoinho no chorume do terreno baldio com urubus saindo do quadro.

“Aqui ninguém vai pro céu”, manda Kleber Gomes, 35 janeiros de história, batismo Criolo. No que me leva, de algum jeito, a outro hino punk das antigas: o “Pânico em SP” dos Inocentes, anos 1980.

Ouviram do Ipiranga e de todas as beiradas de Piratininga City. Mas e daí, você acha que existe amor em SP? Você pratica além da conjunção bíblica da carne? Como é que fica?

No que me vem, aqui na cascata do cerebelo, o Bussunda. Perguntaram: qual o lugar mais estranho que você fez amor? O carioca encheu a boca e gozou na resposta: São Paulo.

E ai, como é que fica, falta amor na babilônia? Escute o subúrbio-soul do Criolo e medite essa bronca pesada. “Nó na orelha” é o nome do disco do cara. A produça é de bamba: Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral. Não vai sair mais da minha vitrola vermelha.

Sim, e aquela versão de "Cálice", pai,  by Criolo? Quanta violência, quanta ternura, como bafeja aqui no cangote o espírito do Mário Faustino.

Escrito por Xico Sá às 13h02

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Monopólio do pé-na-bunda

 

 

As mulheres estão conquistando o monopólio do pé-na-bunda. Fato!, como dizemos, em momentos absolutistas, nas redes sociais.

 

De 2008 para cá, os sismógrafos conjugais do IBGE já mostraram que as fêmeas são responsáveis por 71,7% das separações não consensuais –situação em que um pombinho quer cair fora e o outro senta na margem do rio Piedra e chora.

   

Donde se conclui, definitivamente, que homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

 

Sim,  o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”

 

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto borrado da caneta-tinteiro do amor. Fato, amigo absolutista.

 

Às vezes o ponto final vem com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente. Sem mané reticências...

 

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido  prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

 

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim, seu canalha, vagagundo, cachorro.

 

O macho pode até fugir para comprar cigarro na esquina. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Camel sem filtro da covardia e do desamor.

 

Mulher se acaba, mas diz na lata, não trabalha com  metáforas nem cartão de crédito. Nesse sentido, paga à vista.

 

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

 

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

 

Nem no Crato...nem em Estocolmo. Nem no Beco da Facada, no Recife, nem na Chácara Flora, San Pablo.

 

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.

 

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

 

O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

 

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

Escrito por Xico Sá às 12h49

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Pela desobediência civil na Virada

Não há limite para o alcaide de São Paulo de Piratininga, a ex cidade aberta qual uma rosselliana Roma (o filme ai na fotinha acima), agora uma geografia sentimental proibidona.

Kassab é realmente mestre do empata-foda, com toda a licença da expressão tão real quanto baixa. Desculpem ai, senhoras e senhores, mas não há como dizer em outros termos da redundante real-politik. Vamos nessa.  

O cara fez o que pode para destruir a noite de SP, o maior e mais lucrativo parque de diversões noturnos do planeta, lacrando bares, restaurantes, puteiros, ambientes familiares, casas de shows, cabarés, saunas, puxadinhos desobedientes, apêndices de todas as naturezas.

A triste imagem dos botecos ou casas chiques emparedados é o signo da burrice-mor na terra do velho Oswald de Andrade.

O sinistro K., não contente em fechar os estabelecimentos, ergue um muro neofascista para humilhar os já lacrados portões de ferro. Assim como toda arquitetura da destruição da rampa antimendigo, em sociedade aberta com os tucanos, assim como os bancos de praça anitivagabundos e as fontes contra banhos dos feios, sujos e malvados da praça da Sé e arredores.

Agora Kassab empata de novo o prazer da grande festa de rua da cidade, o carnaval de fato da pauliceia, a Virada Cultural que acontece no próximo final de semana.

Espécie de Jânio Quadros sem álcool, o sr. K. proibiu a venda de bebidas na rua. Vê um show bacana e pegar ali uma latinha com o camelô, esquece. É crime. Depois de 1 da manhã, ou seja, quando a brincadeira começa, nem os bares podem vender mais uma cerveja. Lei seca na maloca.

Fazer o quê, é levar isopor, engradados e cantis de casa. O regulamento só fala sobre a venda. Meu fígado é um desobediente civil por natureza. Afinal de contas, da nossa saúde ou da falta dela, cuidamos nós, ninguém mais, meu prezado.´

Era só o que faltava: municipalizar nosso pobre esqueleto.

Kassab e sua equipe precisam aprender a fazer festa de rua com cidades vocacionadas para este ramo, como o Recife e Salvador, por exemplo, sob pena de estragar a boa fuzarca, a coisa pública.  

A polícia paulista idem, carece de aprendizado, para não provocar tumultos à toa, como ocorreu no show dos Racionais MC´s em 2007 e, em menor escala, em todas as edições seguintes.

Celebrar a vida nas ruas é uma arte milenar de gregos & baianos. A Parada Gay e a Virada são bons e novíssimos exemplos de SP, apesar do kassabismo e suas digníssimas senhoras de Santana.

Por uma São Paulo romana, babilônica, rosselliniana, felliniana e reaberta, proclamo, desobediência civil por completo durante a Virada. Que cada um seja dono do seu fígado, do seu rumo e da sua ideia de festa e existência.

Escrito por Xico Sá às 03h01

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Tipos modernos: o MacunaEmo

Com vocês, o Macunaemo!, típico brasileiro metropolitano dos nossos dias.

Metade preguiçoso qual a matriz de Macunaíma; metade chorão, cordial e sensível como um globalizado roqueiro Emo de qualquer parte do planeta.

Tomado de tristeza –cool!- e preguiça, Macunaemo despediu-se das índias Icamiabas e dos punks de periferia e partiu rumo à rua Augusta.

Na avenida Paulista o primeiro susto com o processo civilizatório: uma gangue homofóbica suspeitou dos seus trejeitos delicados. Passou liso, ileso, malaco.

Na Vitrine, pizzaria & churrascaria, calor dos infernos, já descendo a Augusta propriamente dita, beijos e abraços nos jovens que representam a sua metade sensível. Uma festa.

Por inteiro, pensou, por um segundo, catar uma mina. Profissional ou amadora. Melhor não, deu preguiça, prevaleceu a outra parte. Deixa quieto.

Pansexual por natureza, sentiu tesão por um fortinho jeca. Preguiça. Esquece.

Agora está no bar da Galega, também conhecido por Ecléticos, madruga. Cobiça Rapha Iggy Pop, a transex, mas também não pega no tranco o falível motorzinho da testosterona.

Preguiça da dramaturgia do sexo. Vai no Pescador jogar uma sinuca, agora tomado por um bicha lúdica com um parque de diversões na cabeça.

Donde encontra o Peréio, porra. E joga de dupla. Duas tacadas. Na terceira o gaúcho de Alegrete, ator, macho e poeta, dispensa o pobre Macunaemo.

Nosso herói cafuso chora de saudade da sua icamiaba predileta. Se soubesse teria ficado na tribo. Nem teria vindo pra São Paulo de Piratininga. Culpa até o Bilhete Único pelo avanço, pelo democrático direito de ir e vir etc. Na ressaca moral, lhe parece maléfico ter deixado inclusive a saudosa maloca da Sapopemba.

Macunaemo, com suas aventuras e desventuras de um selvagem adaptado, reaparece a qualquer instante, de novo, neste blog. Se liga na saga.

Escrito por Xico Sá às 10h44

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Cordel plagiado

Cordel do Fogo Encantado, banda pernambucana com 11 anos de carreira, encerrou suas atividades no ano passado. Agora tem o seu nome, apenas com a subtração do fogo, como batismo da nova novela da Globo, 18h, que estreia hoje. Não houve pedido, aviso, informação ou qualquer contato da direção da emissora com os músicos.

Isso deixou o grupo, evidentemente, chateado, como manifestou-se Lirinha, vocalista do conjunto. Cabia, óbvio, queixa à Justiça, mas não há intenção no momento. A versão da Globo: não há plágio, o título foi registrado sem problemas.

E assim fica a peleja da rapaziada com os donos do céu. O que se deu, amigo(a), na historieta:

a (  ) Sintoma da chupação generalizada da era pós-moderna;

b (  ) abuso de poder de quem já passa por cima de tudo e de todos no futebol e nas demais áreas;

c (  ) mera coincidência;

d (  ) todas as respostas estão certas.

Escrito por Xico Sá às 16h39

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Decálogo para focas & jovens escribas

     

Dez dicas úteis (de um escriba fútil) para curiosos, estudantes, focas, jovens jornalistas e diletantes de quaisquer gêneros:

1)    Assim como falar ao motorista do coletivo, você deve tuitar apenas o necessário com o nome que assina as reportagens. Com um twiiter fake, no entanto, se vingue, desmoralize a chefia, relate as fraudes da redação, poupe apenas a gostosa do telemarketing.

2)    Nem todo bêbado ou drogado é um Hunter Thompson. Se beber, esqueça o gonzo e o jornalismo-literário, tente apenas o velho e objetivo lead-sublead, esse caminho é mais fácil do que fazer um 4 diante do guarda.

3)    No primeiro escalão do poder, jovem escriba, você só achará as aspas e o lero-lero dando sopa. Invista no último dos barnabés e estafetas. Nesse subsolo da burocracia está o ouro, o grande furo que persegue.

4)    Quando o jabá mais vagabundo e banal alcançar 50% do seu salário, leve o inocente presentinho até a mesa do chefe e mostre como o mísero contracheque da firma põe em risco a sua inabalável independência. É importante revelar ao contratante como estão buscando saber o seu preço.

5)    Nunca acredite que um assunto é tão velho e batido ao ponto de não poder trazê-lo à tona outra vez com um simples tapa na abertura do texto. Ou você faz ou chupará o chicabon da revolta e da inveja gutenberguiana no dia seguinte. Todo bom repórter é como um bom carroceiro de rua, vive de reciclagem.

6)    Se checada mais de três vezes, a maioria das matérias não resiste, não se garante diante do verossímil. Portanto, cheque com moderação ou esteja condenado ao ineditismo.

7)    Nunca beba em demasia com sua fonte ao ponto de você ou o próprio “garganta profunda” esqueçam o motivo daquele encontro fundamental para a história contemporânea. Nesse tipo de conversa sigilosa, apenas três uísques.   

8)    Você pode ter recebido a reportagem quase pronta –as grandes assessorias hoje vivem disso, amigo-, mesmo assim finja um esforço épico diante do chefe. Conte histórias mirabolantes de como apurou aquele texto, fale baixinho ao seu ouvido, cheio de segredos e mistérios. Como na conquista amorosa, matéria fácil não dá tesão, não tem graça.

9)    Apure com rapidez e requinte, deixe a matéria pronta e fuja para o cinema de tarde. Um bom filme o deixa mais ilustrado do que dez anos de jornalismo. Só há um problema nisso: você encontrar por lá, na mesma sessão, um dos seus superiores. Já vive esse drama. Acontece.

10) Viver como mendigo ou se infiltrar entre camelôs para relatar a experiência é fácil. Não tem mais graça. Quero ver encarnar um milionário ou um bom burguês brasileiro. Quem se habilita?

Escrito por Xico Sá às 10h57

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PERFIL

Xico Sá Xico Sá, 48, escritor e jornalista, colunista da Folha, é autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e + 10 livros. Na TV, participa dos programas “Cartão Verde” (Cultura) e “Saia Justa” (GNT).


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